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Empresa é dona de terreno próximo à fronteira dos EUA com o México, o qual companhia de Musk estaria usando como canteiro de obras e depósito de entulho
Nem o mundo fantasioso dos jogos analógicos, nem o "mundo da lua" das viagens espaciais. A empresa CAH, criadora do jogo de cartas adulto Cards Against Humanity, e a SpaceX, companhia de exploração espacial do bilionário Elon Musk, estão envolvidas numa briga que envolvem algo pra lá de real, palpável e "pé no chão": um terreno.
Se o jogo Cards Against Humanity brinca, de forma bem-humorada, com afirmações que podem ser consideradas ofensivas, absurdas ou politicamente incorretas, a tolerância da CAH contra a ofensa material se mostrou baixa. A empresa abriu um processo contra a SpaceX por suposta invasão e danificação de um terreno de sua propriedade no Texas, nos Estados Unidos.
A empresa alega que a companhia de Elon Musk vem utilizando seu terreno para colocar material de construção e detritos e pede uma indenização de US$ 15 milhões para cobrir danos que incluem a destruição da vegetação natural.
"A SpaceX tratou a propriedade como se fosse sua por pelo menos seis meses, sem consideração pelos direitos de propriedade da CAH nem pela segurança de qualquer um que entrasse, no que se tornou um canteiro de obras", alega a companhia na ação.
De acordo com a CAH, a invasão teria começado quando a SpaceX começou a construir instalações nas proximidades, e a companhia de Musk "nunca pediu permissão para conduzir estas atividades e nunca entrou em contato com a CAH para explicar ou se desculpar pelos danos causados", dizem os documentos judiciais.
A CAH adquiriu o terreno, que fica próximo à fronteira dos Estados Unidos com o México, em 2017, como parte de uma iniciativa para se opor aos planos do então presidente americano Donald Trump de construir um muro entre os dois países.
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Na ocasião, cerca de 150 mil pessoas doaram US$ 15 cada para a compra do terreno, numa iniciativa de crowdfunding, mesmo método de financiamento utilizado para a criação do jogo Cards Against Humanity em 2011.
A CAH deixou a propriedade em seu estado natural, de acordo com um site sobre o processo que a empresa de jogos criou. A ideia por trás da aquisição era encarecer e embarreirar a construção do muro.
Fotos apresentadas pela CAH no tribunal mostram o terreno intacto em 2017, e imagens atuais revelam a mesma propriedade coberta de cascalho e material de construção, incluindo maquinário pesado.
Depois de a CAH entrar em contato com a SpaceX para falar sobre o suposto uso não autorizado do terreno, a empresa de Musk tentou comprar a propriedade, informou a companhia de jogos. Foi "uma oferta baixa, por menos da metade do valor da nossa terra", alega a CAH.
A empresa prometeu que, se vencer o caso contra a SpaceX, os lucros do processo serão divididos entre os 150 mil doadores originais de recursos para a compra do terreno, cada um recebendo até US$ 100.
*Com informações do Broadcast e da agência Dow Jones Newswires
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