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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

PENNY STOCK NUNCA MAIS?

Xô, montanha-russa! Acionistas da Westwing aprovam (WEST3) grupamento de ações na bolsa. O que isso significa para o investidor?

Os acionistas da companhia poderão ajustar posições em lotes múltiplos de 10 ações mediante negociação na B3 — mas há prazo para isso; confira

Camille Lima
Camille Lima
13 de dezembro de 2024
19:46
Loja da Westwing
Imagem: Divulgação / Westwing

A varejista on-line de móveis e decoração Westwing (WEST3) deu um novo passo para abandonar a condição de penny stock. Os acionistas aprovaram nesta sexta-feira (13) a proposta de grupamento de 100% das ações, na proporção de 10 para 1.

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Isso significa que grupos de 10 papéis WEST3 serão unidos para formar uma única nova ação. Com essa união, o preço do papel também será multiplicado pelo mesmo fator.

O objetivo da operação é aumentar as cotações para que a Westwing deixasse de ser uma penny stock, como são conhecidas as ações que negociam a menos de 1 real, e abandonasse a dura montanha-russa de volatilidade dos papéis na B3.  

Isso porque a bolsa brasileira determina regras para inibir a negociação de penny stocks. Afinal, além do preço baixo, as ações de menor valor na bolsa tendem a passar por oscilações de preços ainda maiores do que o restante dos ativos do mercado acionário.

Segundo as normas da B3, uma ação não pode passar mais do que 30 pregões cotada abaixo de R$ 1. Quando isso acontece, a empresa em questão é notificada para que apresente um plano de adequação de preço. 

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Atualmente, as ações ordinárias da Westwing são negociadas a R$ 0,58 na B3 e acumulam desvalorização de 58% em um ano. Desde o IPO em 2021, a empresa já perdeu praticamente 95% do valor de mercado na bolsa.

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O grupamento de ações da Westwing (WEST3)

A operação não pretende alterar o capital social da companhia. Isso significa que não haverá diluição de investidores, já que o procedimento não altera a participação proporcional dos acionistas no capital social da Westwing. 

Desse modo, o capital social da empresa de varejo permanecerá no montante de R$ 471,37 milhões após a conclusão do grupamento, mas passará a ser dividido em 11.109.348 ações WEST3 — e não mais nos atuais 111,09 milhões de papéis.

Os acionistas da Westwing poderão ajustar posições em lotes múltiplos de 10 ações mediante negociação na B3 até o dia 15 de janeiro de 2025.

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A partir do dia 14 de junho, as ações passarão a ser negociadas “ex-grupamento” — isto é, exclusivamente na proporção resultante da operação aprovada hoje.

As frações remanescentes serão reagrupadas em números inteiros em leilões na bolsa até que haja a liquidação do montante total. 

A situação financeira da varejista

Ao completar uma década de existência, a Westwing decidiu em 2021 aproveitar a última safra de IPOs (ofertas iniciais de ações) da bolsa brasileira para estrear na B3. 

Com o sonho de “decorar o futuro”, a loja de artigos de casa e decoração chegou à B3 valendo R$ 1,5 bilhão. 

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O foco em expansão e aumento da base de clientes resultou em elevados investimentos em logística e tecnologia. 

Só que, pouco depois, veio a alta da taxa básica de juros (Selic) e a desaceleração das vendas on-line com a reabertura da economia. Com isso, essa estratégia de crescimento teve um custo imediato em termos de rentabilidade.

A companhia passou a enfrentar desafios financeiros significativosque incluíram a saída do diretor financeiro e de relações com investidores pouco tempo após o IPO — do enquanto tenta equilibrar crescimento e retorno aos acionistas.

Dessa forma, bem como a maioria esmagadora das companhias que aproveitaram a última janela da bolsa para listar suas ações no mercado brasileiro, a varejista viu os papéis WEST3 praticamente virarem pó. Desde a abertura de capital, as ações marcam uma derrocada acumulada de 95% na bolsa.

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Hoje, a situação segue apertada para a companhia, que adotou a estratégia de maior foco em evolução de vendas e margens nos últimos meses, aliada à redução de ineficiências e custos.

De acordo com a direção, o terceiro trimestre de 2024 foi um “importante período”, tanto em termos operacionais quanto de resultados. 

Apesar de continuar no vermelho, a Westwing conseguiu reduzir (em muito) as perdas no terceiro trimestre. 

O prejuízo líquido chegou a R$ 675 milhões entre julho e setembro, uma melhora de 95% frente à cifra negativa registrada em igual intervalo do ano passado. 

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Veja os destaques financeiros da Westwing no 3T24:

  • Receita líquida: R$ 44 milhões (-13,7% a/a);
  • Ebitda ajustado: - R$ 2,03 bilhões (+78,7% a/a);
  • Despesas operacionais: R$ 21,5 milhões (-47,3% a/a),
  • GMV recua 1,0% a/a

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