A Vale (VALE3) vai pagar dividendos ou não vai? O que esperar do desempenho financeiro da mineradora no 2T24
A companhia divulga nesta quinta-feira (25), após o fechamento do mercado, os resultados entre abril e junho; o Seu Dinheiro ouviu especialistas para saber o que vem por aí

Quando anunciou os resultados do primeiro trimestre de 2024, no final de abril, a Vale (VALE3) deixou muito acionista a ver navios: a mineradora não anunciou os tão aguardados dividendos. Nesta quinta-feira (25), a companhia apresenta, após o fechamento do mercado, o desempenho financeiro do segundo trimestre e, de novo, a expectativa é por proventos bilionários.
Só que dessa vez, a tendência é de boas notícias. A Vale costuma destinar uma parcela considerável da geração de caixa para os dividendos — a política atual determina uma distribuição mínima de 30% do lucro operacional (Ebitda ajustado) e os pagamentos anuais da mineradora são divididos em duas parcelas — a primeira em setembro e a segunda, em março.
Para a XP Investimentos, há espaço para a distribuição mesmo com as questões envolvendo a Samarco. “Vemos a Vale sendo negociada a 11% de dividend yield, com espaço de balanço mesmo após considerar provisão extra da Samarco”, diz a XP em relatório.
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A corretora estima um desembolso total com dividendos no ano de US$ 6,5 bilhões (R$ 36 bilhões).
A Genial Investimentos projeta 13% de dividend yield para 2024, com anúncio de R$ 2 por ação VALE3 e US$ 0,38 por ADR (American Depositary Receipt, os papéis negociados em Nova York) a serem pagos em setembro.
Ruy Hungria, analista da Empiricus, diz que mesmo com preços realizados mais baixos, a Vale deve apresentar um resultado resiliente, que mantém as perspectivas de 9% de dividend yield para o ano.
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Mas o que esperar dos resultados da Vale no 2T24?
A produção de minério de ferro da Vale ficou acima das rivais australianas como Rio Tinto e BHP — embora todas elas tenham sentido o impacto dos preços do minério de ferro mais baixos.
Para o BTG Pactual, o balanço do segundo trimestre da Vale não deve reverter o mau humor do mercado sobre as operações de minério de ferro e questões envolvendo overhangs (pressões de baixa) da empresa.
As ações da Vale amargam uma queda de 18% no ano e de 3% no mês. Em Nova York, o desempenho dos ADRs é ainda pior: VALE acumula baixa de 30% em 2024 e de 4,5% em julho.
Após o relatório de produção e vendas, o Goldman Sachs diminuiu a projeção para o Ebitda (indicador que o mercado usa como uma medida de geração de caixa) da Vale no segundo trimestre de 2024 em 5%, de US$ 4,1 bilhões para US$ 3,9 bilhões.
Segundo o banco, o relatório de produção e vendas da companhia mostrou que os preços realizados foram impactados pelo maior conteúdo de sílica e consequentes prêmios mais baixos.
O Goldman prevê ainda um rendimento de fluxo de caixa livre (FCF) da Vale de 9% para 2025, além de um rendimento adicional único de 5% como resultado da venda de uma participação de 10% no negócio de metais básicos.
Hungria, da Empiricus, calcula um Ebitda de aproximadamente US$ 4 bilhões entre abril e junho, um crescimento tímido, segundo ele, na comparação com o segundo trimestre de 2023, ajudado por melhores volumes e vendas no trimestre, especialmente de minério de ferro.
“Mas é importante notar que, apesar dos bons volumes — que inclusive reforçam a possibilidade de que o topo do guidance seja atingido —, os preços realizados indicados na prévia operacional decepcionaram um pouco”, afirma.
Confira abaixo as projeções da Bloomberg para os resultados da Vale no segundo trimestre de 2024:
| Em reais | Em dólares | |
| Lucro líquido | R$ 10,305 bilhões | US$ 1,852 bilhão |
| Receita | R$ 55,402 bilhões | US$ 9,958 bilhões |
| Ebitda | R$ 22,605 bilhões | US$ 4,053 bilhões |
| Lucro por ação | R$ 2,42 | US$ 0,435 |
Comprar ou não comprar Vale?
Diante do desempenho operacional da Vale no segundo trimestre, o Goldman manteve a recomendação de compra, com preço-alvo de US$ 15,90 para o ADR.
O Citi também manteve a recomendação de compra para os ADRs da Vale, com preço-alvo de US$ 15.
O BTG, por sua vez, seguiu com a recomendação neutra para os ADRs da companhia, com preço-alvo de US$ 16.
Para Hungria, “por menos de 4x Valor da Firma/Ebitda, entendemos que muito pessimismo já esteja precificado, com boa margem de segurança e um dividend yield de quase dois dígitos. Por esses motivos, VALE3 segue na carteira Vacas Leiteiras da Empiricus”.
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