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Renan Sousa

Renan Sousa

É repórter do Seu Dinheiro. Formado em jornalismo na Universidade de São Paulo (ECA-USP) e já passou pela Editora Globo e SpaceMoney.

PAPEL BARATO

Mesmo após subir mais de 10% em um dia, Suzano (SUZB3) está barata para Itaú BBA e BTG: potencial de ganho chega a 40%

Os preços da celulose devem permanecer pressionados no segundo semestre de 2024, mas tendem a apresentar melhora no terceiro trimestre deste ano

Renan Sousa
Renan Sousa
28 de junho de 2024
12:06
Logo Suzano (SUZB3)
Logo Suzano (SUZB3) - Imagem: Divulgação

As ações da Suzano (SUZB3) foram destaque no pregão da última quinta-feira (27), liderando os ganhos do dia, fechando em alta de 12,18%, cotadas a R$ 57,00. Depois de uma valorização tão significativa, ainda há espaço para mais ganhos com o papel?

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Na visão dos analistas do Itaú BBA, a resposta é sim. Especialmente após a desistência de um acordo de aquisição da International Paper, o banco acredita que, agora, a Suzano não deve voltar a buscar negócios no ramo de aquisições. 

Vale ressaltar que, no comunicado de desistência, a empresa brasileira de papel e celulose afirmou que não houve interesse da IP na negociação dos termos do contrato. Além disso, foi destacado que a Suzano não estaria disposta a aceitar um acordo desfavorável. 

“Destacamos o discurso racional da empresa em seu fato material, ressaltando que a Suzano não estava disposta a fechar negócio com a International Paper em patamares de preços desinteressantes”, dizem os analistas. 

Com isso, o banco classifica SUZB3 como outperform, o equivalente a compra, com preço-alvo de R$ 67,00 — o que representa um potencial de valorização de 17,5% com relação ao último fechamento. 

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Por que o fim do acordo com a IP fez a Suzano subir?

Na visão dos analistas do BTG Pactual, a aquisição poderia elevar a relação dívida/Ebitda para uma faixa entre 4,5x e 5,0x, pressionando o balanço da companhia. Vale lembrar que o Ebitda é uma medida utilizada pelo mercado para avaliar a geração de caixa de uma empresa. 

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“O rating de investment grade foi um fator crítico e que pesou sobre a comunidade investidora”, explicam. Com isso, a Suzano deve desistir da estratégia de internacionalização, tendo em vista que a IP era a praticamente a única opção da empresa brasileira.

O banco de investimentos tem recomendação de compra para Suzano, com um preço-alvo ainda mais alto: R$ 82,00, o que representa um potencial de valorização de 43,8%.

Como alternativa, a Suzano pode ser forçada a adotar uma estratégia diferente de internacionalização, com aquisições menores e entrada gradativa nos mercados. O BTG vê como positiva, por exemplo, a compra da Lenzing, do ramo de tecidos. 

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Um movimento pequeno, sem risco ao balanço, garantindo participação minoritária no Conselho e com potencial de aquisição total — “muito menos arriscado, do ponto de vista estratégico e de alavancagem”, afirmam os analistas. 

Por fim, o banco arremata a ideia dizendo: small and gradual is beautiful (algo como “gradual é o ideal”, em tradução livre). 

Valuation da Suzano (SUZB3)

Não apenas a parte “racional” da empresa no campo dos negócios chama a atenção. Os analistas do BBA também afirmam que a Suzano pode voltar a ser uma boa opção para os investidores que buscam um refúgio no dólar mais forte ante ao real. 

A moeda brasileira sofreu um tombo de quase 10% e a Suzano é uma ação historicamente usada como hedge cambial pelas gestoras de fundos de investimento. 

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Atualmente, a empresa brasileira está com uma relação de valor sobre Ebitda (EV/Ebitda) de 4,5x. Na visão do BTG, essa relação está favorável, tendo em vista que o múltiplo justo seria de algo próximo a 7x EV/Ebitda. 

Já o BBA estima que o valuation da empresa para 2025 também se apresenta bastante favorável, com uma relação EV/Ebitda de 5,3x. 

Perspectivas

Ainda que os preços estejam mais baixos na perspectiva para o segundo semestre, os analistas do BBA estão otimistas no médio prazo. 

Nesse ponto, os relatórios convergem: a avaliação é de que os preços devam cair no segundo semestre, com um controle maior por parte da China. 

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“Os compradores chineses estão sob forte pressão de margem (margens negativas sendo reportadas em alguns casos), com o excesso de capacidade de produção de papel impedindo que os custos mais altos da celulose sejam repassados aos produtos finais”, escreve o BTG.

“Reconhecemos que os preços da celulose podem começar a cair no terceiro trimestre de 2024 devido à fraca demanda por papel, altos estoques e atividade econômica desacelerando na China”, estima o BBA.

E continuam: “No entanto, vemos espaço limitado para uma queda acentuada de preços dada a ausência de novos projetos de celulose nos próximos 24 a 30 meses”.

Do mesmo modo, as interrupções globais de oferta estão cada vez mais frequentes, o que deve manter o custo de produção em R$ 570 por tonelada, segundo o banco.

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