Mesmo após subir mais de 10% em um dia, Suzano (SUZB3) está barata para Itaú BBA e BTG: potencial de ganho chega a 40%
Os preços da celulose devem permanecer pressionados no segundo semestre de 2024, mas tendem a apresentar melhora no terceiro trimestre deste ano

As ações da Suzano (SUZB3) foram destaque no pregão da última quinta-feira (27), liderando os ganhos do dia, fechando em alta de 12,18%, cotadas a R$ 57,00. Depois de uma valorização tão significativa, ainda há espaço para mais ganhos com o papel?
Na visão dos analistas do Itaú BBA, a resposta é sim. Especialmente após a desistência de um acordo de aquisição da International Paper, o banco acredita que, agora, a Suzano não deve voltar a buscar negócios no ramo de aquisições.
Vale ressaltar que, no comunicado de desistência, a empresa brasileira de papel e celulose afirmou que não houve interesse da IP na negociação dos termos do contrato. Além disso, foi destacado que a Suzano não estaria disposta a aceitar um acordo desfavorável.
“Destacamos o discurso racional da empresa em seu fato material, ressaltando que a Suzano não estava disposta a fechar negócio com a International Paper em patamares de preços desinteressantes”, dizem os analistas.
Com isso, o banco classifica SUZB3 como outperform, o equivalente a compra, com preço-alvo de R$ 67,00 — o que representa um potencial de valorização de 17,5% com relação ao último fechamento.
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Por que o fim do acordo com a IP fez a Suzano subir?
Na visão dos analistas do BTG Pactual, a aquisição poderia elevar a relação dívida/Ebitda para uma faixa entre 4,5x e 5,0x, pressionando o balanço da companhia. Vale lembrar que o Ebitda é uma medida utilizada pelo mercado para avaliar a geração de caixa de uma empresa.
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“O rating de investment grade foi um fator crítico e que pesou sobre a comunidade investidora”, explicam. Com isso, a Suzano deve desistir da estratégia de internacionalização, tendo em vista que a IP era a praticamente a única opção da empresa brasileira.
O banco de investimentos tem recomendação de compra para Suzano, com um preço-alvo ainda mais alto: R$ 82,00, o que representa um potencial de valorização de 43,8%.
Como alternativa, a Suzano pode ser forçada a adotar uma estratégia diferente de internacionalização, com aquisições menores e entrada gradativa nos mercados. O BTG vê como positiva, por exemplo, a compra da Lenzing, do ramo de tecidos.
Um movimento pequeno, sem risco ao balanço, garantindo participação minoritária no Conselho e com potencial de aquisição total — “muito menos arriscado, do ponto de vista estratégico e de alavancagem”, afirmam os analistas.
Por fim, o banco arremata a ideia dizendo: small and gradual is beautiful (algo como “gradual é o ideal”, em tradução livre).
Valuation da Suzano (SUZB3)
Não apenas a parte “racional” da empresa no campo dos negócios chama a atenção. Os analistas do BBA também afirmam que a Suzano pode voltar a ser uma boa opção para os investidores que buscam um refúgio no dólar mais forte ante ao real.
A moeda brasileira sofreu um tombo de quase 10% e a Suzano é uma ação historicamente usada como hedge cambial pelas gestoras de fundos de investimento.
Atualmente, a empresa brasileira está com uma relação de valor sobre Ebitda (EV/Ebitda) de 4,5x. Na visão do BTG, essa relação está favorável, tendo em vista que o múltiplo justo seria de algo próximo a 7x EV/Ebitda.
Já o BBA estima que o valuation da empresa para 2025 também se apresenta bastante favorável, com uma relação EV/Ebitda de 5,3x.
Perspectivas
Ainda que os preços estejam mais baixos na perspectiva para o segundo semestre, os analistas do BBA estão otimistas no médio prazo.
Nesse ponto, os relatórios convergem: a avaliação é de que os preços devam cair no segundo semestre, com um controle maior por parte da China.
“Os compradores chineses estão sob forte pressão de margem (margens negativas sendo reportadas em alguns casos), com o excesso de capacidade de produção de papel impedindo que os custos mais altos da celulose sejam repassados aos produtos finais”, escreve o BTG.
“Reconhecemos que os preços da celulose podem começar a cair no terceiro trimestre de 2024 devido à fraca demanda por papel, altos estoques e atividade econômica desacelerando na China”, estima o BBA.
E continuam: “No entanto, vemos espaço limitado para uma queda acentuada de preços dada a ausência de novos projetos de celulose nos próximos 24 a 30 meses”.
Do mesmo modo, as interrupções globais de oferta estão cada vez mais frequentes, o que deve manter o custo de produção em R$ 570 por tonelada, segundo o banco.
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