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Natura tem lucro líquido anual de R$ 3 bilhões, mas sofre prejuízo nos últimos três meses do ano com efeitos da reestruturação e operação na Argentina
Com o fim do sonho de se transformar em uma gigante global de cosméticos, a Natura (NTCO3) vem passando por uma espécie de "lipoaspiração corporativa", com a venda de marcas como Aesop e The Body Shop e possibilidade de separação da Avon.
O resultado dessa transformação em andamento se refletiu — para o bem e para o mal — nos números da companhia em 2023. A Natura registrou lucro líquido de R$ 3 bilhões no ano passado e, desta forma, reverteu o prejuízo de R$ 2,8 bilhões em 2022.
Como sinal dessa nova fase, os acionistas voltarão a sentir novamente o doce perfume dos dividendos na conta (saiba mais sobre o pagamento no fim desta matéria).
A mensagem da diretoria da Natura, contudo, foi de prudência. "Margens e caixa continuam como prioridades no curto prazo", afirmou Fábio Coletti Barbosa, CEO da companhia, durante teleconferência com analistas.
Aliás, nem tudo são flores para a Natura. No quarto trimestre de 2023, o aroma bem menos agradável do prejuízo voltou ao balanço da companhia, ainda como fruto do processo de reestruturação.
Como um paciente que ainda se recupera de um procedimento estético, o balanço da Natura no quarto trimestre traz uma série de impactos que tornam difícil uma primeira avaliação.
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Se no trimestre anterior, a empresa teve lucro multibilionário impulsionado com a entrada dos recursos da venda da Aesop para a L'Oreal, desta vez a reestruturação trouxe um efeito oposto.
Isso porque o resultado da Natura nos últimos três meses do ano sofreu um efeito negativo com a venda da The Body Shop e baixas contábeis nas operações da Avon.
Mesmo sem considerar esses impactos negativos, a Natura ainda teria um prejuízo de R$ 506 milhões no quarto trimestre.
Além da reestruturação, a empresa ainda sofreu com os efeitos da crise econômica na Argentina. Em dezembro, logo no início do governo de Javier Milei, a moeda do país vizinho passou por uma forte desvalorização, o que pesou sobre os resultados.
Lembrando que o processo de "lipoaspiração" da Natura ainda não terminou. A empresa estuda neste momento a separação das operações da Avon, mas não deu detalhes sobre o andamento do processo.
Além disso, a empresa anunciou a deslistagem dos recibos de ações (ADRs) da Bolsa de Nova York (Nyse).
Junto com o balanço, a Natura anunciou a distribuição de R$ 979 milhões em dividendos aos acionistas. O valo corresponde a R$ 0,70921 por ação.
Para ter direito aos proventos, é preciso ter ações da Natura (NATU3) no dia 19 de março — ou seja, os papéis ficarão "ex" a partir de 20 de março.
O pagamento ocorrerá no dia 19 de abril de 2024, sem remuneração ou atualização monetária, ainda de acordo com a Natura.
Com um fluxo de caixa mais estável, a empresa pode remunerar os acionistas. Se não encontrar novas oportunidades de alocação de capital, poderia distribuir R$41,5 bilhões em dividendos até 2032, 90% do valor de mercado atual, diz o BTG
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