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Vinícius Pinheiro

Vinícius Pinheiro

Jornalista e escritor, é diretor de redação dos sites Money Times e Seu Dinheiro. Formado em Jornalismo e com MBA em Derivativos e Informações Econômico‑Financeiras pela FIA, tem mais de 25 anos de experiência e passou por redações como Valor Econômico, Agência Estado e Gazeta Mercantil. É autor dos romances Os Jogadores, Abandonado e O Roteirista

PERFUME PARA OS ACIONISTAS

Natura (NTCO3) volta ao prejuízo no 4T23, mas tem lucro no ano após “lipoaspiração” nas marcas e vai pagar dividendos

Natura tem lucro líquido anual de R$ 3 bilhões, mas sofre prejuízo nos últimos três meses do ano com efeitos da reestruturação e operação na Argentina

Vinícius Pinheiro
Vinícius Pinheiro
12 de março de 2024
10:25 - atualizado às 11:29
Fachada de uma loja da Natura
Fachada de uma loja da Natura - Imagem: Divulgação

Com o fim do sonho de se transformar em uma gigante global de cosméticos, a Natura (NTCO3) vem passando por uma espécie de "lipoaspiração corporativa", com a venda de marcas como Aesop e The Body Shop e possibilidade de separação da Avon.

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O resultado dessa transformação em andamento se refletiu — para o bem e para o mal — nos números da companhia em 2023. A Natura registrou lucro líquido de R$ 3 bilhões no ano passado e, desta forma, reverteu o prejuízo de R$ 2,8 bilhões em 2022.

Como sinal dessa nova fase, os acionistas voltarão a sentir novamente o doce perfume dos dividendos na conta (saiba mais sobre o pagamento no fim desta matéria).

A mensagem da diretoria da Natura, contudo, foi de prudência. "Margens e caixa continuam como prioridades no curto prazo", afirmou Fábio Coletti Barbosa, CEO da companhia, durante teleconferência com analistas.

Aliás, nem tudo são flores para a Natura. No quarto trimestre de 2023, o aroma bem menos agradável do prejuízo voltou ao balanço da companhia, ainda como fruto do processo de reestruturação.

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Veja a seguir os principais números da Natura no 4T23:

  • Prejuízo líquido: R$ 2,662 bilhões (prejuízo de R$ 890 milhões no 4T22)
  • Ebitda ajustado: R$ 670,7 milhões (+31%)
  • Receita líquida: R$ 6,613 bilhões (-17,4% ou +4,5% sem o impacto da variação cambial)

Natura: impactos da Argentina e The Body Shop

Como um paciente que ainda se recupera de um procedimento estético, o balanço da Natura no quarto trimestre traz uma série de impactos que tornam difícil uma primeira avaliação.

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Se no trimestre anterior, a empresa teve lucro multibilionário impulsionado com a entrada dos recursos da venda da Aesop para a L'Oreal, desta vez a reestruturação trouxe um efeito oposto.

Isso porque o resultado da Natura nos últimos três meses do ano sofreu um efeito negativo com a venda da The Body Shop e baixas contábeis nas operações da Avon.

Mesmo sem considerar esses impactos negativos, a Natura ainda teria um prejuízo de R$ 506 milhões no quarto trimestre.

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Além da reestruturação, a empresa ainda sofreu com os efeitos da crise econômica na Argentina. Em dezembro, logo no início do governo de Javier Milei, a moeda do país vizinho passou por uma forte desvalorização, o que pesou sobre os resultados.

Lembrando que o processo de "lipoaspiração" da Natura ainda não terminou. A empresa estuda neste momento a separação das operações da Avon, mas não deu detalhes sobre o andamento do processo.

Além disso, a empresa anunciou a deslistagem dos recibos de ações (ADRs) da Bolsa de Nova York (Nyse).

  • Já sabe onde investir agora que as empresas estão divulgando seus balanços do 4T23? Veja análises completas da Empiricus Research e saiba se você deve comprar, vender ou se manter neutro em cada uma das principais ações da bolsa. Clique aqui para receber os relatórios GRATUITOS.

Dividendos: quase R$ 1 bilhão na conta dos acionistas

Junto com o balanço, a Natura anunciou a distribuição de R$ 979 milhões em dividendos aos acionistas. O valo corresponde a R$ 0,70921 por ação.

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Para ter direito aos proventos, é preciso ter ações da Natura (NATU3) no dia 19 de março — ou seja, os papéis ficarão "ex" a partir de 20 de março.

O pagamento ocorrerá no dia 19 de abril de 2024, sem remuneração ou atualização monetária, ainda de acordo com a Natura.

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