Mais um voo da BRF: BRFS3 dispara 12% na B3 após balanço da dona da Sadia e Perdigão no 1T24 — mas um bancão aposta que impulso tem data para acabar
BRF conseguiu reverter o prejuízo bilionário do mesmo período de 2023, para um lucro líquido de R$ 594 milhões entre janeiro e março deste ano

A noite de terça-feira (7) foi agitada para os acionistas da BRF. A empresa de proteínas não só publicou números robustos no balanço do primeiro trimestre de 2024, como também sinalizou que as próprias ações estão baratas mesmo após a disparada de 170% nos últimos 12 meses na B3.
Começando pelo resultado, a dona da Sadia e da Perdigão registrou um lucro líquido de R$ 594 milhões entre janeiro e março deste ano. Desta forma, reverteu o prejuízo de R$ 1,02 bilhão do mesmo intervalo de 2023.
Segundo a empresa controlada pela Marfrig (MRFG3), o montante foi impulsionado pela evolução da rentabilidade do portfólio regular no mercado doméstico e dos preços da proteína in natura em diversos mercados internacionais, além da redução das despesas financeiras líquidas.
As ações da BRF fecharam o pregão desta quarta-feira em disparada. Os papéis subiram 11,17%, e estavam sendo negociados a R$ 18,51. No acumulado do ano, a valorização chega a 36%.
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Outros destaques do balanço da BRF (BRFS3)
Enquanto isso, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado da BRF (BRFS3) mais do que triplicou no comparativo anual, com avanço de 248%, a R$ 2,12 bilhões. Por sua vez, a margem Ebitda ajustada ficou em 15,8% — o maior patamar da história da empresa.
Já a receita líquida da companhia de alimentos processados se manteve praticamente estável frente a igual intervalo do ano passado, com leve aumento de 1,5%, a R$ 13,37 bilhões. A cifra foi ajudada pela recuperação do mercado de proteína in natura após o cenário da sobreoferta global de frango que pressionou os preços em 2023.
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O frigorífico ainda registrou a menor alavancagem dos últimos oito anos, com um múltiplo de 1,45 vez a relação dívida líquida sobre Ebitda ajustado dos últimos 12 meses.
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O fluxo de caixa livre (FCF) do primeiro trimestre ficou em R$ 844 milhões, reflexo da recuperação operacional, captura de eficiências e redução dos encargos financeiros da companhia, revertendo a queima de caixa bilionária vista nos três primeiros meses de 2023.
Outro destaque do balanço foi o resultado do plano de eficiência BRF+ 2.0, que apresentou captura de R$ 438 milhões no período.
“Além do foco na melhoria contínua, a nova versão do plano tem como principal objetivo a padronização dos indicadores no mesmo patamar dos benchmarks internos. Com avanços nas principais frentes operacionais na comparação ano contra ano, já estamos performando acima dos níveis históricos em alguns dos principais indicadores”, afirmou o CEO Miguel Gularte, em nota.
BRF (BRFS3) vai recomprar ações na bolsa
Já do lado das compras, a BRF aprovou a criação de um novo programa de recompra de ações, de até 14 milhões de papéis BRFS3 atualmente em circulação no mercado.
De acordo com o fato relevante enviado à CVM, a dona da Sadia e Perdigão utilizará recursos disponíveis nas contas de reservas de capital da companhia, com saldo de R$ 2,76 bilhões até 31 de março deste ano.
As ações BRFS3 adquiridas no programa poderão ser usadas para manutenção em tesouraria, cancelamento ou venda futura ou até mesmo para cumprir as obrigações e compromissos da empresa de proteínas assumidos nos planos de outorga de opção de compra de ações e de outorga de ações restritas, aprovados em 2015.
O programa teve início nesta quarta-feira (8) e poderá ser estendido por 18 meses, até 7 de outubro de 2025.
E para que serve a recompra de ações? Na realidade, existem diversos motivos que levam empresas como a BRF (BRFS3) a aprovar programas de recompras de ações. Entre eles, estão:
- A companhia acredita que suas ações estão baratas ou mal avaliadas pelo mercado;
- A empresa precisa distribuir ações aos executivos como bônus e não quer emitir novos papéis;
- Ela quer gerar valor ao acionista que continua em sua base, apesar da instabilidade do mercado.
Quando uma companhia recompra suas ações em programas como esse, os papéis deixam de circular na bolsa de valores e passam a ser mantidos em tesouraria.
No caso da BRF, a empresa afirmou que o objetivo da recompra é maximizar a geração de valor para o acionista através da “alocação eficiente dos recursos disponíveis e da estrutura de capital da companhia”.
Isso porque a recompra é uma das maneiras que uma empresa pode escolher para dar retorno para o seu investidor. É diferente da distribuição de proventos, por exemplo, que proporciona retorno por meio do pagamento de dividendos e juros sobre capital próprio.
Caso a empresa opte por cancelar as ações recompradas, o acionista ganha por ficar com uma participação proporcionalmente maior. Por outro lado, a recompra de ações faz com que os papéis percam liquidez na bolsa, uma vez que menos ações são negociadas no mercado.
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Um show de balanço… mas o impulso vai continuar?
Na avaliação do BTG Pactual, o resultado da BRF (BRFS3) no primeiro trimestre de 2024 foi “impressionante” e superou as expectativas dos analistas.
Para o banco, um dos destaques foi a resiliência do desempenho da empresa de proteínas no Brasil, apesar de o primeiro trimestre ser um período sazonalmente mais fraco para o setor.
“Isso ressalta um ciclo consistentemente favorável da carne suína no Brasil, juntamente com a percepção cada vez mais clara de que a execução e os níveis de serviço estão melhorando.”
Já no mercado internacional, a margem Ebitda foi o verdadeiro destaque, ajudada pelas vendas para o Oriente Médio, que permitiram ganhos de participação de mercado em meio às interrupções logísticas no Mar Vermelho.
“Quando você combina um ciclo de commodities favorável, uma equipe de gestão focada no negócio principal e um concorrente enfrentando desafios para cumprir suas promessas de crescimento, esse é o resultado”, escreveram os analistas, em relatório.
Para o BTG, a BRF continua sendo, de longe, a ação do setor de proteínas mais forte do Brasil do ponto de vista da dinâmica dos lucros — o que sinaliza um bom presságio para o preço dos papéis BRFS3 no curto prazo.
Mas apesar do show no primeiro trimestre, os analistas acreditam que o impulso da dona da Sadia tem prazo para começar a desacelerar. A expectativa do banco é que a oferta aumente novamente e as margens voltem para níveis mais normalizados.
“É aqui que os múltiplos baseados nos resultados financeiros da BRF nos afastam de uma visão mais construtiva para os próximos 12 meses, após uma recuperação de 154% nos últimos 12 meses.”
O BTG Pactual possui recomendação neutra para as ações da BRF, com preço-alvo de R$ 13 para os próximos 12 meses — o que implica em uma desvalorização de 3,9% em relação ao último fechamento.
Já o Santander — que também possui recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 16 para o fim deste ano — acredita que a empresa se beneficiou dos ventos favoráveis nos custos e dos preços e execução robustos do segmento internacional no 1T24.
“Esperamos que a empresa continue desalavancando e, dadas as perspectivas positivas do mercado, seu processo de recuperação bem executado e melhor conversão de caixa, estamos confiantes de que o FCF da empresa poderá superar nossas expectativas de R$ 1,6 bilhão para 2024.”
Porém, com a concorrência mais acirrada nos alimentos processados, os analistas enxergam um potencial risco para os preços. Para o banco, existe ainda outra questão que pode pressionar a estabilidade de preços da BRF no futuro: os preços mais baixos do óleo de soja.
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