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Camille Lima

Camille Lima

Repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap.

COMPRAS DE MILHÕES

Eneva (ENEV3) usa dinheiro do follow-on para abocanhar usinas termelétricas do BTG Pactual por mais de R$ 1,3 bilhão

Segundo a empresa, as aquisições e a reorganização societária devem se traduzir em um “fluxo de caixa robusto e concentrado no curto prazo”

Camille Lima
Camille Lima
6 de setembro de 2024
12:20 - atualizado às 11:25
eneva enev3

Quase dois meses após sinalizar um “acordo de compromisso” com o BTG Pactual, a Eneva (ENEV3) fechou de vez a compra de quatro usinas termelétricas do banco — em negócios que, juntos, superam a marca de R$ 1,3 bilhão.

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A companhia anunciou nesta sexta-feira (6) a compra da participação da BTG Pactual Holding Participações (BTGP) na Gera Maranhão, equivalente a 50% do capital social da usina.

A empresa também adquiriu ações e debêntures da Linhares Brasil Energia, hoje detidas pelo fundo de investimento em participações em infraestrutura do BTG, o FIP BDIV.

Além das aquisições, a Eneva assinou um contrato de reorganização societária com o BTG e com a BTGP para a aquisição das usinas Tevisa e Povoação.

De acordo com a companhia, as operações representam uma “oportunidade relevante de geração de valor para a Eneva e os seus acionistas”, já que envolvem ativos termelétricos já operacionais e contratados em leilões de energia ou de capacidade, com receita fixa decorrente de contratos de disponibilidade para compra e venda de energia elétrica.

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Isso se traduziria, segundo a empresa, em “fluxo de caixa robusto e concentrado no curto prazo, no período mais intensivo de gastos de capital da Eneva”.

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A Eneva já havia fechado um memorando de entendimento (MoU) com o BTG para as operações em meados de julho, quando anunciou que pretendia captar até R$ 4,2 bilhões em uma oferta secundária de ações (follow-on) na B3.

Na época, a companhia informou que usaria parte do dinheiro levantado no follow-on para financiar as transações com o BTG.

As transações já foram aprovadas pelo Banco Central e pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). No entanto, ainda estão sujeitas ao cumprimento de condições suspensivas e aprovações societárias.

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As compras da Eneva (ENEV3)

No caso da Gera Maranhão, a Eneva (ENEV3) comprou metade do capital social da usina, hoje detido pela BTG Pactual Holding Participações (BTGP), pelo preço-base de R$ 306 milhões.

No entanto, o negócio poderá ser acrescido de uma parcela adicional de até R$ 129 milhões, a depender do sucesso da Gera Maranhão em antecipar o início dos contratos de reserva de capacidade referentes ao 1º leilão de reserva de capacidade realizado em dezembro de 2021.

A empresa ainda adquiriu 100% da Linhares Brasil Energia, detida pelo fundo de investimento em participações em infraestrutura do BTG, o FIP BDIV, pelo montante de R$ 640 milhões.

Além das ações da Linhares, a Eneva comprou todas as debêntures da 2ª emissão da usina de titularidade do FIP BDIV por R$ 215 milhões.

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Nos termos do contrato, a Eneva também poderá realizar um pagamento adicional de R$ 56 milhões caso a Linhares se torne vencedora do próximo leilão para contratação de reserva de capacidade após o fechamento da operação.

Há ainda a possibilidade de uma outra parcela adicional de até R$ 43 milhões, condicionada à antecipação do início dos contratos de reserva de capacidade referentes ao 1º leilão de reserva de capacidade feito em dezembro de 2021.

Reorganização societária e compra da Tevisa e Povoação

Para além das aquisições, a Eneva fechou um acordo de associação com o BTG Pactual e com a BTGP para uma reorganização societária.

A ideia é realizar uma cisão parcial da BTGP, com a incorporação da parcela cindida do patrimônio líquido da holding pela Eneva.

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Essa parcela cindida será composta exclusivamente por ações da Tevisa — que detém usinas situadas em Viana, no Espírito Santo — e da Povoação Energia — que possui uma usina termelétrica em Linhares, também no ES —, que se tornarão subsidiárias integrais da Eneva.

A reorganização societária resultará no aumento do capital social da Eneva mediante a emissão, em favor do BTG, de cerca de 119 mil novas ações ENEV3.

Como vantagem adicional, o BTG pode receber três bônus de subscrição que conferem o direito de receber até 15.905.437 novas ações ENEV3. 

No entanto, o “presente” ao banco está sujeito ao sucesso da Tevisa na antecipação do início do contrato de reserva de capacidade e à vitória da Tevisa ou da Povoação no próximo leilão para contratação de reserva de capacidade.

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Com o acordo de associação, o BTG e a Partners Alpha Investments se comprometeram a tornar a Eneva a plataforma de investimentos em participações societárias em ativos de geração de energia elétrica e gás natural no Brasil.

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