Dona do Ozempic vai investir mais de R$ 800 milhões no Brasil — mas não será para produção de ‘canetas do emagrecimento’
A farmacêutica dinamarquesa vai desembolsar R$ 864 milhões para a melhoria de processos na fábrica de Minas Gerais, responsável pela produção de insulina

Conhecida mundialmente pelo sucesso de medicamentos como o Ozempic, a farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk anunciou nesta sexta-feira (4) um investimento “de peso” no Brasil — e as “canetas do emagrecimento” não têm nada a ver com a nova injeção de dinheiro.
A companhia vai desembolsar R$ 864 milhões para a melhoria de processos, modernização da planta e implementação de projetos de sustentabilidade na fábrica localizada em Montes Claros, no norte de Minas Gerais.
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"Anunciar esses investimentos é motivo de orgulho, não apenas para a Novo Nordisk, mas para todos os colaboradores da empresa no Brasil, que contribuem diariamente para proporcionar uma melhor qualidade de vida aos pacientes com doenças crônicas.”, disse o vice-presidente corporativo da unidade de Minas Gerais, Reinaldo Costa, em nota.
Vale lembrar que a Novo Nordisk é uma das empresas mais valiosas do mundo, atualmente avaliada em pouco mais de R$ 2,81 trilhões.
Por que a Novo Nordisk vai investir milhões no Brasil
Hoje não é incomum ouvir o nome da dinamarquesa nas farmácias brasileiras devido à massiva demanda pelo Ozempic.
No entanto, a Novo Nordisk tem um relacionamento de longa data com o Brasil: foi há 17 anos que a companhia europeia inaugurou a fábrica de Monte Claros. Desde 2007, a unidade é responsável por todo o processo de produção de diferentes tipos de insulina da farmacêutica.
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A relevância da unidade mineira da Novo Nordisk é tão grande que a produção em Montes Claros responde por cerca de 25% de toda a insulina produzida mundialmente pela companhia dinamarquesa e por aproximadamente 12% de toda a insulina consumida no planeta.
Do lado de cá, a unidade da Novo Nordisk em Montes Claros é hoje a principal fornecedora de insulina para o Sistema Único de Saúde (SUS) do governo federal.
Além do investimento de R$ 864 milhões na fábrica no Brasil, a Novo Nordisk também anunciou recentemente uma parceria de R$ 245 milhões com a Elétron Energy para a construção de um parque solar que gerará 100% da energia consumida na instalação mineira.
O projeto terá capacidade para gerar 90 megawatts-hora (MWh) e deve começar a operar no início de 2025.
Quem é a Novo Nordisk, dona dos remédios “queridinhos” Ozempic e Wegovy
Por um século, a Novo Nordisk se dedicou inteiramente à fabricação de remédios para diabetes e insulina. Mas esse não foi o motivo que levou o nome do laboratório aos perfis de influenciadores nas redes sociais.
Na realidade, a farmacêutica conquistou os holofotes depois que medicamentos como o Ozempic e o Wegovy passaram a ser usados como uma espécie de “fórmula mágica” do emagrecimento.
Desde então, a empresa passou por uma verdadeira explosão de vendas, que se refletiu nos resultados — além, é claro, nas ações da Novo Nordisk. A companhia é listada na bolsa de valores da Dinamarca, mas também possui recibos de ações (ADRs) em Nova York.
Com isso, a farmacêutica dinamarquesa atingiu um valor de mercado de aproximadamente US$ 514,9 bilhões, se tornando a empresa aberta mais valiosa da Europa, na frente do conglomerado de luxo LVMH, de Bernard Arnault, atualmente avaliado em US$ 376,2 bilhões.
No ranking global, a Novo Nordisk encontra-se no 19º lugar na lista das empresas mais valiosas do planeta.
O crescimento da farmacêutica Novo Nordisk é tão forte que está remodelando a economia da Dinamarca. O valor de mercado da Novo ultrapassou o tamanho de toda a economia dinamarquesa, cujo PIB (Produto Interno Bruto) chegava a US$ 404,2 bilhões em 2023.
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