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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

REESTRUTURAÇÃO

Confiamos muito na marca Avon, diz CFO da Natura (NTCO3); ações caem forte na B3 após recuperação judicial nos EUA

De acordo com Guilherme Castellan, a Natura continua focada na estratégia de simplificação, ainda que os estudos sobre a separação dos negócios da Avon tenham sido suspensos

Camille Lima
Camille Lima
13 de agosto de 2024
11:11 - atualizado às 14:39
Fachada de loja da Natura (NATU3)
Fachada de loja da Natura (NATU3) - Imagem: Divulgação/Natura

A notícia do pedido de recuperação judicial da Avon Products (API), subsidiária da companhia nos Estados Unidos, pegou de surpresa o mercado na manhã desta terça-feira (13). Mas, na avaliação do diretor financeiro (CFO) da Natura &Co (NTCO3), Guilherme Castellan, ainda existe “forte potencial” para a marca — inclusive fora dos EUA e da América Latina.

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Para Castellan, atualmente não há sinergias significativas entre a Avon LATAM e a Internacional — que continua com desempenho fraco, apesar da melhora relevante nos resultados da divisão brasileira.

As receitas da Avon Internacional registraram queda de 8,4% em moeda corrente frente ao segundo trimestre de 2024, enquanto a Avon Brasil teve estabilidade.

De acordo com o CFO, a Natura continua focada na estratégia de simplificação, iniciada em 2022 — ainda que os estudos sobre a separação dos negócios da Avon tenham sido suspensos até a conclusão da recuperação da subsidiária da marca.

“Esse processo da API coloca em hold esse estudo, mas obviamente dependendo do resultado disso, a companhia continua a ver méritos numa eventual separação”, afirmou o executivo, em teleconferência de resultados. 

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“A gente confia muito na marca Avon, que é a razão pela qual estamos proporcionando um valor pela compra dos ativos operacionais fora dos Estados Unidos, a gente só continua acreditando que não há sinergias significativas entre Avon Internacional e Avon Latam.”

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As ações da Natura (NTCO3) operam em forte queda no pregão desta terça-feira, liderando a ponta negativa do Ibovespa. Por volta das 14h25, os papéis caíam 12,21%, negociados a R$ 14,38. 

O novo jogo da Avon Internacional

De acordo com Castellan, agora o “nome do jogo” da Avon Internacional será a alocação de recursos em países específicos, com boa parte dos esforços concentrados em cerca de 12 países.

Entretanto, essas ações serão realizadas em “ondas” — como foi visto inicialmente em países como a Romênia e Turquia, que foram os primeiros a receberem novas ações operacionais. 

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“É tentar pilotos comerciais que a gente pode replicar em outros países, mas obviamente sem tentar fazer a mesma coisa em 30 países que sabemos que essa receita não funciona.”

Já para João Paulo Ferreira, CEO da Natura &Co América Latina, houve um movimento de recuperação importante na marca Avon — que teria registrado crescimento no Brasil no segundo trimestre caso não houvesse a interrupção no Rio Grande do Sul.

Natura (NTCO3) e a recuperação judicial da Avon nos EUA

A Avon Products, subsidiária da marca nos Estados Unidos, entrou com um pedido de recuperação judicial (Chapter 11).

Por outro lado, o processo pode ajudar a resolver de vez o enorme problema que se tornou a operação norte-americana da Avon, de acordo com analistas. Em particular, os processos que a unidade sofre pelo suposto uso de amianto em produtos.

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Principal credora da subsidiária, a Natura informou que apoia o processo de recuperação e continua acreditando no potencial da marca Avon.

De todo modo, a operação terá impacto no caixa da empresa brasileira, que se comprometeu com um financiamento (DIP) de US$ 43 milhões (R$ 236 milhões) à unidade norte-americana.

Além disso, a Natura pretende fazer uma oferta de US$ 125 milhões pelas operações da Avon fora dos EUA. A empresa pretende usar créditos contra a subsidiária nesta operação, que terá supervisão da corte judicial norte-americana.

O que dizem os analistas

Na avaliação do BTG Pactual, a Natura (NTCO3) registrou resultados mais fortes em meio à reestruturação em andamento e à depreciação cambial e hiperinflação na Argentina.

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Veja os destaques do balanço do 2T24: 

  • Prejuízo líquido consolidado: R$ 858,9 milhões (+17,4% a/a)
  • Ebitda consolidado ajustado: R$ 808,5 milhões (+14,2% a/a)
  • Receita líquida: R$ 7,352 bilhões (+5,4% a/a)

Para os analistas do banco, a expansão da lucratividade da Natura continuou positiva, com melhora no Ebitda e na margem bruta consolidada, impulsionada por um melhor mix de categorias.

“Embora o processo do chapter 11 adicione complexidade ao caso da Natura, ele deve eventualmente simplificar sua estrutura e abordar as questões dos processos de talco nos EUA”, afirmou o banco, em referência às ações na Justiça pelo suposto uso de amianto em produtos da subsidiária da Avon.

Na visão do BTG, ainda que os resultados operacionais da Natura tenham sido “encorajadores”, o ritmo de recuperação permanece incerto.

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“A recuperação contínua e desafiadora ainda nos deixa à margem, apesar dos sinais mais encorajadores.”

Os analistas mantiveram recomendação neutra para as ações NTCO3, com preço-alvo de R$ 18 para os próximos 12 meses, implicando em uma valorização de 8,9% em relação ao último fechamento.

*Com informações do Estadão Conteúdo.

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