Carrefour salta 5% e fica entre as maiores altas do Ibovespa após balanço, mas ações da rede caem 40% no ano. É hora de comprar CRFB3?
Carrefour registrou no país um lucro líquido de R$ 221 milhões no terceiro trimestre, alta de 67,4% ante o mesmo período do ano passado

Se o mercado tinha dúvidas sobre a estratégia do Carrefour (CRFB3) de oferecer parcelamento das compras no cartão de crédito nas lojas do Atacadão, os números da varejista no terceiro trimestre mostram que a companhia pode estar no caminho certo.
Embora os analistas do mercado tenham considerado os resultados do Carrefour mistos, os dados, no entanto, foram mais do que suficientes para animar os investidores e colocar ações CRFB3 entre as maiores altas do Ibovespa nesta sexta-feira (1).
Por volta das 13h44, os papéis do Carrefour chegaram a subir quase 5%. Perto das 15h, CRFB3 subia 2,27%, a R$ 7,66. No mesmo horário, o principal índice da bolsa brasileira caía 0,89%, aos 128.554,62 pontos. No fechamento, as ações do Carrefour terminaram em alta de 0,67%, a R$ 7,54.
Apesar de figurar entre as cinco maiores altas do Ibovespa hoje, CRFB3 acumula queda de quase 40% no ano.
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Os números do Carrefour no 3T24
O Carrefour Brasil registrou um lucro líquido de R$ 221 milhões no terceiro trimestre, equivalente a uma alta de 67,4% ante o mesmo período do ano passado.
Já o mesmo indicador ajustado praticamente dobrou (94,6%) e atingiu R$ 412 milhões, com a ajuda de menores juros de empréstimos intercompany e de carga tributária.
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Vale lembrar que o resultado vem meses após integração e conversão de lojas do Grupo Maxxi do Grupo BIG, adquirido em 2021, em novas unidades da rede Atacadão.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado da companhia somou R$ 1,5 bilhão no intervalo de julho a setembro de 2024, um avanço anual de 5%, enquanto a margem Ebitda foi de 5,7%, em linha com o mesmo período de 2023.
A receita líquida consolidada das vendas das lojas foi de R$ 28,4 bilhões, alta de 5,1%.
O CFO do Grupo Carrefour Brasil, Eric Alencar, reforçou que a alta no lucro veio mesmo após os questionamentos do mercado sobre os impactos do parcelamento de compras na rede Atacadão em três vezes, divulgado no último trimestre.
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É hora de comprar CRFB3?
Para os analistas, os resultados do Carrefour Brasil no terceiro trimestre de 2024 mostram um desempenho mais robusto nas vendas do atacarejo, que teria compensado a performance em varejo diante de mudanças na quantidade de estabelecimentos.
Apesar disso, o BTG Pactual, por exemplo, chama atenção para deterioração da margem bruta e do capital de giro, levando a uma piora na alavancagem financeira da companhia.
“Embora esperemos tendências de melhora gradual nos próximos trimestres, apoiadas pelos esforços da CRFB para otimizar seu portfólio de lojas e a recente recuperação da inflação de alimentos, a integração/aumento do Grupo Big e a perspectiva competitiva no setor varejista de alimentos brasileiro significam que os resultados permanecerão abaixo do esperado no semestre (principalmente margens e capital de giro)”, afirma o BTG Pactual.
Por conta disso, o banco mantém recomendação neutra para CRFB3, com preço-alvo de R$ 12 para 2025, equivalente a uma alta de 60% sobre o fechamento anterior da ação.
O Santander considerou os resultados mistos, com algumas áreas do negócio ficando aquém das expectativas do banco, enquanto o lucro líquido surpreendeu.
O banco afirmou que os fortes resultados do Atacadão, braço de atacarejo do Carrefour, compensaram parcialmente o consumo do fluxo de caixa livre. Com isso, os analistas do Santander esperam uma reação de positiva a neutra em relação ao balanço do Carrefour.
O Santander mantém a classificação outperform para as ações CRFB3, recomendação equivalente a compra. O preço-alvo é de R$ 16 para 2025, o que indica um potencial de valorização de 114% em relação ao preço da ação no fechamento de quinta-feira (31).
Para o Itaú BBA, os principais pontos positivos do balanço foram a margem Ebitda resiliente no Atacadão, embora a lucratividade no varejo e no Sam’s Club tenham sido pressionadas.
“Conforme observado anteriormente, os relatórios de vendas do terceiro trimestre da semana passada ressaltam os ventos contrários contínuos da indústria, com o crescimento do SSS [vendas nas mesmas lojas] maduro tendo desempenho inferior à inflação de alimentos devido a pressões competitivas e canibalização”, afirma o Itaú BBA, ressaltando que os analistas preveem atualizar as estimativas em breve.
Enquanto isso, o Itaú BBA BBA também mantém classificação outperform para as ações CRFB3, recomendação equivalente a compra, com preço-alvo de R$ 13 para 2025, equivalente a um potencial de valorização de 73,6% sobre o fechamento anterior da ação.
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