Bradesco (BBDC4) decepciona mais uma vez: lucro do 4T23 fica muito abaixo da expectativa do mercado e cai 21% em 2023
Lucro líquido recorrente do Bradesco no 4T23 foi de R$ 2,878 bilhões, com rentabilidade (ROE) de 10%; veja os números

Marcelo Noronha, o novo CEO do Bradesco (BBDC4), vai ter muito trabalho. Na primeira divulgação de resultados sob o novo comando, o banco registrou lucro líquido recorrente de R$ 2,878 bilhões no quarto trimestre de 2023.
Trata-se de uma alta de 80,4% em relação ao mesmo período do ano passado. Mas a base de comparação era bem mais fraca em razão das provisões que o banco fez para perdas com o calote da Americanas.
De fato, o resultado do quarto trimestre veio bem abaixo das projeções dos analistas, que apontavam para um lucro de R$ 4,622 bilhões, de acordo com as estimativas que o Seu Dinheiro compilou.
E incluindo itens que o banco considerou como não-recorrentes, o lucro contábil do quarto trimestre foi ainda menor, de R$ 1,7 bilhão.
O resultado mais fraco derrubou a rentabilidade (ROE, na sigla em inglês) do Bradesco no quarto trimestre para 10%, novamente a menor entre os grandes bancos.
Enquanto isso, em 2023 como um todo, o lucro líquido recorrente do Bradesco foi de R$ 16,297 bilhões, uma queda anual de 21,2%.
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Além dos resultados, os investidores devem reagir ao novo plano estratégico que o novo CEO do Bradesco anuncia ainda hoje.
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Bradesco (BBDC4): crédito parado, inadimplência em queda
As principais linhas do resultado do quarto trimestre do Bradesco mostram que o processo de reestruturação que o novo CEO vai comandar já teve início.
O banco praticamente paralisou as operações de crédito e encerrou o ano com uma carteira de R$ 877 bilhões, estável no trimestre e 1,6% menor que no fim de 2022.
Desse modo, a margem financeira do Bradesco apresentou redução de 3,3% em relação ao quarto trimestre de 2022. A linha do resultado que inclui as receitas com crédito menos os custos de captação com clientes somou R$ 16,128 bilhões.
A boa notícia é que o índice de inadimplência enfim mostrou reação e encerrou dezembro em 5,1%. Trata-se de uma redução de 0,5 ponto percentual no trimestre, mas ainda bem acima do patamar de 4,3% de dezembro de 2022.
Os números, vale lembrar, não consideram o calote da Americanas, que já conta com 100% de provisão.
De todo modo, as despesas com provisões para calotes do Bradesco seguem em níveis altos e atingiram R$ 10,524 bilhões no quarto trimestre.
Apesar da queda de 29,3% em relação aos últimos três meses de 2022 (graças ao efeito Americanas), as provisões deram um salto de 14,5% na comparação trimestral.
Tarifas e despesas
O Bradesco também segue lutando para recompor as receitas de prestação de serviços. A cobrança de tarifas rendeu R$ 9,028 bilhões ao banco, uma queda de 2,4% em relação ao quarto trimestre de 2022.
As despesas operacionais, por outro lado, avançaram 10,7% nos últimos três meses do ano e atingiram R$ 14,935 bilhões.
O que evitou um resultado ainda pior do Bradesco foi mais uma vez a operação de seguros, cujo resultado cresceu 10,3%, para R$ 4,745 bilhões.
Bradesco: projeções para 2024
Por fim, o Bradesco divulgou as projeções (guidance) para 2024 junto com o balanço. Os números mostram uma perspectiva mais animadora para os negócios do bancão. Confira a seguir:
- Carteira de Crédito Expandida: crescimento de 7% a 11%
- Margem Financeira Total: crescimento de 3% a 7%
- Receitas de Prestação de Serviços: crescimento de 2% a 6%
- Despesas Operacionais (Despesas de Pessoal + Administrativas + Outras): crescimento de 5% a 9%
- Resultado das Operações de Seguros, Previdência e Capitalização: crescimento de 4% a 8%
- PDD Expandida: de R$ 35 bilhões a R$ 39 bilhões
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*Conteúdo em atualização
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