Banco do Brasil (BBAS3) de volta ao ataque: banco prevê virada de chave com cartão de crédito em 2025
Após fase 'pé no chão' depois da pandemia da covid-19, a instituição financeira quer expandir a carteira de cartão de crédito, que tem crescido pouco nos últimos dois anos

Com o maior crescimento de carteira entre os grandes bancos de capital aberto, o Banco do Brasil (BBAS3) quer continuar a expansão no ano que vem.
O banco vê espaço para avançar em linhas de margem maior, que também apresentam riscos mais altos, mas a exemplo dos pares Bradesco (BBDC4) e Itaú Unibanco (ITUB4), vai começar pelos clientes que estão dentro de casa e que têm relação bancária abaixo do potencial.
O centro dessa virada de chave deve ser o cartão de crédito, produto em que o BB tem crescido pouco nos últimos dois anos.
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No terceiro trimestre, a alta foi de 0,8% em relação ao mesmo período do ano passado, para R$ 54,806 bilhões. Trata-se de um crescimento muito inferior ao da carteira de pessoas físicas, de 7,9% na mesma base.
Você confere aqui os detalhes do balanço do bancão no terceiro trimestre — e por que os analistas veem a “bandeira amarela ficar laranja” para o BB, apesar dos resultados majoritariamente positivos entre julho e setembro.
A nova estratégia do Banco do Brasil (BBAS3) para 2025
Foi uma escolha estratégica: após a pandemia da covid-19, a inadimplência do produto disparou, com piora concentrada em clientes adquiridos através de canais digitais e que não tinham relacionamento anterior com o Banco do Brasil.
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É um perfil parecido com o visto nos outros bancos incumbentes, mas o BB parou as concessões antes e levou mais tempo para retomar o ritmo.
"Onde estamos para trás? Principalmente em cartões de crédito, o crescimento em cartões é um dos nossos focos principais para 2025", disse o vice-presidente de gestão financeira e de relações com investidores do banco, Geovanne Tobias, na última quinta-feira (14).
Para o BB, ampliar a carteira em cartões tem efeito em duas linhas de receita, a das margens com clientes e a das rendas de cartão, onde entram a arrecadação com anuidades e com tarifas de intercâmbio, repassadas pelas maquininhas aos bancos a cada pagamento com um cartão.
Aumentar a carteira amplia a "massa" de transações, o que aumenta essa receita, que não exige alocação de capital.
A presidente Tarciana Medeiros disse na coletiva que essa perspectiva de avanço também inclui os impactos do fechamento de capital da Cielo, realizado neste ano. "Faz parte de uma estratégia mais completa, mais robusta", afirmou a executiva.
Segundo ela, o BB não vê mais o cartão como um produto isolado, e sim como parte da relação com os clientes de forma ampla.
A revisão da carteira passou por uma reavaliação dos contratos de emissão mantidos pelo BB com varejistas, empresas aéreas e outros parceiros. Um dos marcos foi o fim do contrato com a Ame Digital,plataforma de pagamentos digitais e cashback da Americanas.
"Esse produto tem uma rentabilidade associada pequena para o banco", disse o vice de controles internos e gestão de riscos, Felipe Prince.
De olho nas margens
Assim como os rivais, o BB tem buscado ampliar uma forma de ampliar a margem com clientes sem aumentar de forma relevante o custo do crédito.
É uma fórmula permanente para os bancos, mas que ganha maior peso em um cenário de alta dos juros, que compromete a capacidade de pagamento dos clientes ao ampliar o custo do serviço da dívida.
Por isso, a composição de carteira deve manter papel relevante para o crédito consignado, com busca de maior espaço na linha destinada a empregados do setor privado.
"A gente tem condições de continuar crescendo perto de 10% para o ano que vem e mantendo o controle dessa inadimplência na pessoa física estável", afirmou Tobias.
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No terceiro trimestre, o BB teve R$ 20,8 bilhões em margem com clientes, aumento de cerca de 1% em um ano, dada a concentração da carteira em linhas de menor risco.
"A margem com clientes foi sequencialmente mais forte (+5% em um trimestre) devido ao melhor mix de captação", avaliou o Goldman Sachs.
Na margem com mercado, o banco observou um crescimento de 64,5% em um ano, para R$ 5,1 bilhões, mas viu arrefecerem em termos trimestrais as contribuições do Patagonia, banco que controla na Argentina.
O "vilão" foi a marcação a mercado negativa de títulos da carteira da instituição, diante da volatilidade da economia do país vizinho.
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