Banco digital se torna maior negócio do Mercado Pago, fintech do Mercado Livre (MELI34); retorno alto da conta rendeira é atrativo
Segmento bancário superou o de processamento de pagamentos (adquirência), que deu origem à companhia há 20 anos; fintech tem investido em oferta de investimentos e crédito

O banco digital já é o maior negócio do Mercado Pago, com o reforço da conta digital, do cartão e de linhas de crédito com tíquete mais alto. Isto significa que o atendimento a pessoas físicas ultrapassou o processamento de pagamentos (adquirência), que foi a gênese da companhia há 20 anos. Agora, a fintech do Mercado Livre (MELI34) quer ampliar a geração de resultados da frente bancária.
A empresa não revela os dados de resultado do Mercado Pago ou do banco digital, mas bancos de investimento começam a fazer as contas. O Itaú BBA estimou, no início do mês, que a operação teve lucro de R$ 2 bilhões no Brasil no ano passado, e que em maquininhas, chegou a 7% do mercado.
No banco digital, a estratégia é usar a conta como porta de entrada e ampliar o relacionamento com os clientes através de outros produtos. Isso explica o fato de a conta ser remunerada desde o primeiro dia, prática que outras fintechs deixaram de adotar para reduzir os custos de captação.
- LEIA MAIS: CEO da Binance afirma que “blockchain é o futuro do sistema financeiro”; veja qual categoria de criptomoedas tende a ganhar mais com isso
De acordo com o chefe do Mercado Pago no País, André Chaves, a conta fecha graças a uma estrutura de custos enxuta e à rentabilidade que as vendas de serviços e de crédito trarão. "Vamos monetizar o cliente com produtos de crédito, de seguros e de investimento", afirmou ele ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real do Estadão.
"Não queremos ganhar dinheiro de float, mas sim que o usuário fique com o rendimento do dinheiro dele." O chamado float é o ganho que as instituições financeiras obtêm ao aplicar o recurso do cliente até que ele decida sacá-lo.
O Mercado Pago tem investido em atrair clientes para a conta. Em março, anunciou que passaria a remunerar a 105% do CDI os depósitos de clientes que transferissem ao menos R$ 1.000 em recursos para as contas no intervalo de um mês e estendeu o benefício aos assinantes do Meli+, programa de fidelidade do Mercado Livre, neste mês, sem depósitos mínimos. Desde março, foram criadas mais de 6 milhões de "contas turbinadas".
Leia Também
A base de usuários ativos do Mercado Pago no segundo trimestre era de 52 milhões, o que incluía Brasil, o maior mercado, Argentina e México. O crescimento em um ano foi de 37%, sendo que no Brasil foi de 46% graças à conta com rendimento mais alto. A base de depósitos chegou a US$ 6,6 bilhões nas três operações. O Mercado Pago não informa números separados por País.
Até o final de outubro, de forma temporária, a empresa vai ampliar a remuneração da conta turbinada a 107%, e pode aumentá-la a 110% caso o número de contas elegíveis chegue a 14 milhões.
Haverá ainda um certificado de depósito bancário (CDB) promocional para novos clientes, com remuneração de 150%, para estimulá-los a investir no Mercado Pago. Os três produtos estão atrelados ao patrocínio do banco digital do Mercado Livre ao reality show Estrela da Casa, da TV Globo.
Outra medida associada ao Meli+ é uma "stablecoin" (moeda digital atrelada ao dólar), que é concedida aos clientes de acordo com as compras feitas usando o cartão de crédito ou feitas no Mercado Livre. Atrelada à cotação do dólar, a moeda poderá ser negociada, por enquanto apenas dentro da varejista online.
- VEJA TAMBÉM: Copom sobe Selic para 10,75% e dá sinal de preocupação com a inflação; veja opção na renda fixa para se proteger contra a alta do IPCA
Mercado Pago quer atrair clientes dos bancos por meio da oferta de investimentos e crédito
Segundo Chaves, os clientes do Mercado Pago ainda investem através dos bancos tradicionais. O objetivo da fintech é atrair para si esses recursos, e para isso, foram desenhadas alternativas de investimento focadas na renda fixa, mas que incluem também fundos multimercado. "A carteira de varejo no Brasil tem um pedaço muito grande em renda fixa", diz ele.
Outra parte da carteira que a fintech quer conquistar é a do crédito. O Mercado Pago tem avançado em empréstimos de tíquete e prazo médios mais altos, e que permitem financiar compras de produtos de valores mais altos no Mercado Livre ou fora dele.
"Criamos um produto pensado para o Mercado Livre, para comprar um celular, uma televisão ou uma geladeira, e à medida que isso fica bom, conseguimos conceder para o cliente consumir onde tem necessidade", afirma o chefe do banco digital. "Não estamos falando de emprestar R$ 100 mil, mas sim R$ 5 mil."
A carteira de crédito do Mercado Pago era de US$ 4,9 bilhões no segundo trimestre, crescimento de 51% em um ano liderado pelo Brasil e pelo México. A inadimplência era de 18,5%, se considerados os atrasos acima de 90 dias, contra 25,1% no mesmo intervalo de 2023.
O número acima dos bancos tradicionais é explicado pelo perfil da carteira da fintech, mais arriscado. Chaves diz que o Mercado Pago faz provisões equivalentes a toda a perda que espera ter assim que concede o crédito, de acordo com as regras dos Estados Unidos, país em que o Mercado Livre tem ações em bolsa.
"No primeiro mês, sempre perdemos dinheiro por essa definição, mas se tudo corre como o previsto, não fazemos mais provisões", afirma ele. "Não estamos criando uma bomba-relógio, o investidor já sabe qual é a perda esperada do crédito."
*Com informações do Estadão Conteúdo
Veja também: A Selic voltou a subir! Como ficam seus investimentos? Uma entrevista com Roberto Padovani, economista-chefe do Banco BV
VAI PINGAR
Dividendos e JCPs: Sabesp (SBSP3) vai depositar R$ 2,6 bilhões — e ainda dá para aproveitar
5 de novembro de 2026 - 19:58BALANÇO 3T26
Fleury (FLRY3): Lucro cresce 42,9% no 3T26 e bate expectativa; CEO detalha planos para sustentar o crescimento
5 de novembro de 2026 - 18:11SD ENTREVISTA
“A arte está em saber quem merece crédito”: o recado do ABC Brasil (ABCB4) para empresas em meio à pressão dos juros
5 de novembro de 2026 - 16:31É DINHEIRO OU NÃO É?
Após OPA da Helbor (HBOR3), HBR Realty (HBRE3) vende ativos a FII por quase R$ 1 bilhão; ações sobem 6%
5 de novembro de 2026 - 14:18ENTROU EM PROMOÇÃO?
Ações com desconto? Queda de 9% é oportunidade para Méliuz (CASH3) após balanço, segundo dois bancões; entenda
5 de novembro de 2026 - 14:18EMPRESAS
Cosan (CSAN3) está barata demais? UBS-BB vê oportunidade após tombo de 40% e aponta o que pode destravar valor
5 de novembro de 2026 - 13:58O QUE AGRADOU?
Ação da C&A (CEAB3) dispara até 10% após trimestre melhor do que o temido pelo mercado; veja os destaques
5 de novembro de 2026 - 13:25ONDE INVESTIR NO VAREJO?
Juros mais altos por mais tempo: Citi rebaixa Magazine Luiza (MGLU3), eleva Alpargatas (ALPA4) e muda apostas no varejo
4 de novembro de 2026 - 14:45AMBIÇÃO RENOVADA
Revolut chega a US$ 115 bilhões e já vale mais que o dobro do Nubank; o que está por trás da aposta dos investidores
4 de novembro de 2026 - 12:35CENÁRIO MAIS APERTADO
“É preciso ser realista”: CEO do Itaú (ITUB4) revela como o banco pretende equilibrar crédito e rentabilidade em 2027
4 de novembro de 2026 - 11:56MAIS UMA PARA A LISTA
Aeris (AERI3) recorre à recuperação extrajudicial para lidar com dívida de R$ 1,52 bilhão
4 de novembro de 2026 - 10:06PECHINCHA ENTRE OS BANCÕES
Nem na crise de 2016 o Bradesco (BBDC4) ficou tão barato: o que o Morgan Stanley está vendo após o tombo de quase 40% desde as eleições
4 de novembro de 2026 - 8:56RESULTADO
Itaú (ITUB4) lucra R$ 12,6 bilhões no 3T26, em linha com o esperado; veja o que pesou no balanço
3 de novembro de 2026 - 18:37CAIU DEMAIS?
Nubank (NU): XP vê duas cartas na manga para roxinho; saiba o potencial da ação
3 de novembro de 2026 - 17:47PRÉVIA DO BALANÇO
Após decepção dos rivais no 3T26, é a vez de o Itaú (ITUB4) mostrar por que joga em outra liga; veja o que esperar do balanço
3 de novembro de 2026 - 6:02ALÔ, É UM SER HUMANO?
Fim da secretária eletrônica? Empresas terão de oferecer atendimento humano obrigatório no SAC; veja o que muda
2 de novembro de 2026 - 14:00O TEMPO FECHOU
Chilli Beans vê o sol se esconder: rede de óculos escuros pede recuperação extrajudicial; entenda os próximos passos da empresa
1 de novembro de 2026 - 10:35TIRANDO O CAVALINHO DA CHUVA
Nada de dividendos extras: Vale (VALE3) descarta possibilidade, mas CFO revela alternativa que pode agradar acionista
31 de outubro de 2026 - 16:11REESTRUTURAÇÃO
Raízen (RAIZ4) será dividida em duas empresas listadas em bolsa e aprova aumento de capital de R$ 39,8 bilhões
30 de outubro de 2026 - 19:00PROTEÇÃO ATIVADA