Agro é pop, mas também é risco para o Banco do Brasil (BBAS3)? CEO fala de inadimplência, provisões e do futuro do banco
Redução no preço das commodities, margens apertadas e os fenômenos climáticos extremos afetam em cheio o principal segmento do BB

O balanço do Banco do Brasil (BBAS3) era um dos mais esperados da temporada dos grandes bancos brasileiros, mas não exatamente por um bom motivo. Isso porque o segmento no qual a instituição é mais atuante — o agronegócio — passou por momentos difíceis no terceiro trimestre deste ano.
Entre alguns dos pontos de pressão do agro estão a redução no preço das commodities, as margens apertadas — com os produtores à espera do momento ideal para vender as safras — e os fenômenos climáticos extremos.
Esses fatores fizeram com que algumas empresas do agro entrassem com pedidos de recuperação judicial, a exemplo da AgroGalaxy, com cerca de R$ 3,8 bilhões em dívidas com os principais credores — e uma das maiores fatias era justamente a do Banco do Brasil.
Só com o banco público, são cerca de R$ 391 milhões e outros US$ 600 mil (R$ 3,480 bilhões, nas cotações atuais) a receber em obrigações com a instituição.
Na publicação de resultados, o banco não citou nominalmente a AgroGalaxy, mas afirmou que o aumento das provisões no trimestre estão ligadas à “resolução de caso de cliente em recuperação judicial que impactou as linhas de recuperação de crédito e imparidade.”
Porém, ainda que os analistas que cobrem o Banco do Brasil tenham chamado atenção para esse fato, a CEO do banco, Tarciana Medeiros, foi incisiva ao dizer que o evento foi muito específico e que a instituição segue confiante nos resultados futuros.
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| Indicador | 3T24 | Var%(t/t) | Var%(a/a) |
| Lucro Líquido | R$ 9,515 bilhões | +0,01% | +8,3% |
| ROE (%) | 21,10% | -0,46 p.p. | -0,14 p.p. |
| Provisões | R$ 10,086 bilhões | +29,2% | +34,2% |
| Carteira de Crédito | R$ 1,204 trilhão | +12,99% | +13,0% |
Com a palavra, a CEO do Banco do Brasil (BBSA3)
Na teleconferência de resultados do banco, a CEO da instituição afirmou que o impacto nas provisões é momentâneo e deve ser normalizado ao longo de 2025.
“O Banco do Brasil é o banco do agro e permanece sendo o banco do agro. Somamos R$ 386 bilhões em saldo, com expansão de 13,7% em 12 meses”, afirma a executiva.
Para Medeiros, não há crise no agronegócio e o que houve foi o que chamou de “evento cíclico”, citando os eventos climáticos extremos e a situação delicada da lavoura.
“A inadimplência na nossa carteira não é generalizada, aconteceu majoritariamente no cultivo de soja e especialmente no Centro-Oeste. Veja, 98% das operações do agro continuam sendo honradas e os agricultores continuam honrando seus compromissos”, disse.
No terceiro trimestre, a inadimplência da carteira do agro subiu 0,65 ponto percentual na comparação com os três meses imediatamente anteriores, atingindo 1,97%.
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Pedidos de RJ no agro não devem crescer
A executiva do Banco do Brasil ressaltou ainda que os pedidos de recuperação judicial são relativamente poucos e não devem continuar crescendo no quarto trimestre.
Ela explica que, só no Banco do Brasil, são 210 clientes em recuperação judicial, o que representa 0,01% do total dos clientes do agronegócio.
Além disso, a CEO diz que os pedidos judiciais são ruins para o produtor rural porque limitam ou até mesmo impedem novas captações de crédito, essenciais para uma atividade que exige injeção constante de recursos.
Também estavam presentes na coletiva de resultados o CFO do Banco do Brasil, Marco Geovanne Tobias da Silva, e o CRO (Chief Risk Officer) da instituição, Felipe Prince. Ambos concordaram que o aumento nos pedidos de recuperação judicial também ajudam a encarecer o crédito para todo o segmento.
Medeiros também comentou que 99% da carteira do agro tem garantias vinculadas, o que torna o crédito mais seguro.
“Se necessário, vamos fazer valer essas garantias”, diz ela, ressaltando o movimento positivo do último mês: nenhum novo agente do agro entrou com pedido de recuperação judicial.
A executiva atribui o fato ao “corpo a corpo” que o banco tem feito com empresas do setor para evitar novos pedidos de recuperação judicial. Segundo ela, uma assessoria jurídica é disponibilizada ao cliente no contexto de “hiperpersonalização” do banco.
E o futuro é positivo para o agronegócio?
Ainda que o momento seja difícil para o agronegócio, as perspectivas são boas para o setor. Isso porque a volta das chuvas deve beneficiar as colheitas — além de um plano safra turbinado para o período 2024 e 2025.
De acordo com dados do governo federal, o Ministério da Agricultura forneceu R$ 400,59 bilhões em financiamentos para o agronegócio brasileiro, um montante recorde de crédito, incentivos e políticas agrícolas para médios e grandes produtores.
“A gente está bastante confiante de que nossas iniciativas irão entregar uma melhora na composição da carteira de crédito do agronegócio e que os níveis de inadimplência e provisões se normalizem”, diz o CRO do Banco do Brasil.
“Isso vai permitir a gente executar um 2025 bastante favorável porque a gente ainda está vendo uma pressão específica dos eventos de 2024”, comenta Prince.
Só no Banco do Brasil, foram oferecidos R$ 260 bilhões, dos quais R$ 97 bilhões foram desembolsados até o começo de novembro deste ano.
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