Ações da Embraer (EMBR3) chegam a cair mais de 4% e lideram perdas do Ibovespa. UBS BB diz que é hora de desembarcar e Santander segue no voo
O banco suíço rebaixou a recomendação para os papéis da Embraer de neutro para venda, enquanto o banco de origem espanhola seguiu com a indicação de compra; entenda por que cada um pegou uma rota diferente

Quando o avião está perto de pousar, os comissários fazem o chamado speech para o desembarque: “Senhores passageiros, mantenham os encostos da poltrona na posição vertical e as mesas fechadas e travadas. Observem os avisos luminosos de apertar cintos”. No caso do UBS BB, o aviso sobre as ações da Embraer (EMBR3) é outro: senhores investidores, está na hora de vender. Já o Santander segue no voo.
O banco suíço rebaixou a recomendação para os papéis da Embraer de neutro para venda. Segundo os analistas, o mercado pode estar sendo excessivamente otimista, enquanto os números de 2025 da fabricante de aeronaves podem decepcionar.
No entanto, o preço-alvo para os ADRs (sigla para os papéis negociados em Nova York) foi elevado de US$ 29 para US$ 32 — um novo preço que ainda representa uma desvalorização de 15,6% em relação ao último fechamento.
A mudança, segundo o UBS BB, reflete uma elevação no múltiplo valor da empresa/Ebitda (EV/Ebitda) de 7,6 vezes para 8 vezes diante dos pesos no valuation consolidado.
O rebaixamento dos papéis fez o pouso das ações da Embraer na B3 ser com emoção: depois de chegarem a cair mais de 4% hoje, os papéis terminaram o dia com baixa de 2,19%, a R$ 54,44.
No ano, no entanto, o voo da Embraer na bolsa brasileira foi em céu de brigadeiro. As ações acumulam ganho de 143%.
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O mesmo movimento foi replicado em Nova York: os ADRS recuaram 2,89% por lá, cotados a US$ 37,69. No ano, acumulam ganho de 104%.
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Quem embarca e quem desce da Embraer
Assim como em qualquer voo, o UBS BB diz que existem dois tipos de investidores da Embraer: locais e estrangeiros. E, no primeiro caso, eles são motivados por resultados de curto a médio prazo.
"Os investidores locais têm altas expectativas para 2025, mas somos mais conservadores", afirmam os analistas, destacando que projetam um Ebitda de cerca de US$ 790 bilhões para o ano que vem, 6% abaixo da média do mercado.
Já os investidores estrangeiros, que focam no longo prazo, acreditam que a Embraer teria muito potencial ao se juntar ao duopólio da Airbus e Boeing no mercado de aeronaves de fuselagem estreita com mais de 150 assentos.
"Embora pensemos que seja possível, não achamos provável. Os requisitos de capex, o balanço patrimonial e a cadeia de suprimentos são as principais barreiras para a Embraer", dizem os analistas.
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Por que o UBS BB é tão conservador com Embraer?
A visão mais conservadora também é justificada pelo banco suíço pela demanda de E2s diante da competição com a Airbus.
Nesse ambiente, o UBS BB cita como diferenciais em relação à Embraer:
- presença global mais ampla da fabricante norte-americana;
- portfólio de ativos;
- experiência em cadeia de suprimentos.
Sobre o C-390, os especialistas também seguem conservadores principalmente devido ao histórico de pedidos "sem brilho".
O UBS BB destaca que, em 2011, antes do lançamento da aeronave, a Embraer anunciou que acumulou 60 declarações formais de intenção. Contudo, até o momento, apenas 37 pedidos firmes foram registrados.
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Santander segue no voo de EMBR3
Se o UBS BB diz que é hora de desembarcar da Embraer, o Santander confirmou nesta quarta-feira (19) que segue no voo ao reafirmar a recomendação de comprar para EMBR3.
A manutenção da indicação aconteceu depois que a equipe do banco participou do "Dia do Investidor" promovido na terça-feira (18), em Nova York.
Em relatório, os analistas do Santander disseram que saíram com otimismo renovado depois que a fabricante de aeronaves lançou luz sobre as estratégias e visões atuais sobre a indústria aeroespacial global.
Em Aviação Comercial, os executivos abordaram os problemas atuais da cadeia de suprimentos, ao mesmo tempo em que expressaram otimismo com a potencial expansão da empresa no mercado asiático de jatos regionais.
No segmento de Aviação Executiva, "uma mudança no comportamento do consumidor e na demografia deve sustentar uma forte demanda, preços e margens daqui para frente".
Já em Defesa e Segurança, o principal destaque foi a menção de conversas avançadas com os EUA para uma potencial venda do avião de transporte C-390 Millennium.
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