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A Previ pede que a ata “seja tornada pública para todos os acionistas, de forma não sumarizada, em benefício da transparência do processo”
Um dos principais acionistas da Vale (VALE3) recorreu à xerife do mercado de capitais brasileiro para pedir que a mineradora revele exatamente como aconteceu o impasse entre os sócios sobre o processo de sucessão da companhia.
A Previ enviou um ofício à Comissão de Valores Mobiliários solicitando que a empresa torne pública a ata da reunião extraordinária do conselho de administração de 15 de fevereiro — quando um empate na votação travou o processo de decisão sobre a liderança da companhia.
No documento, a entidade pede que a ata "seja tornada pública para todos os acionistas, de forma não sumarizada, em benefício da transparência do processo e de todos os acionistas da companhia".
O pedido foi feito em resposta a uma série de publicações na mídia acerca de falhas na governança da Vale — que sugerem que a Previ poderia estar agindo de acordo com as vontades do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e não de acordo com os interesses da empresa.
A Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, é o maior acionista individual da Vale (VALE3), com 8,7% do capital, e tem dois representantes no conselho de administração da mineradora.
Conforme informações de bastidores, a entidade se posiciona a favor do encerramento do contrato do atual CEO, Eduardo Bartolomeo.
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Segundo a política da mineradora, caso a decisão seja o início do processo sucessório, deverá ser contratada uma empresa “headhunter” com expertise na seleção de executivos globais — sendo que o novo presidente da Vale deverá ser selecionado entre os nomes propostos em lista tríplice elaborada pela empresa de seleção de executivos.
Na última reunião extraordinária do conselho, em 15 de fevereiro, seis conselheiros votaram pela condução do processo de sucessão. Porém, nesse grupo, pelo menos um membro acredita que o atual CEO da Vale poderia ser um dos indicados a presidente na lista tríplice, disputando o posto com os novos nomes.
Já os outros seis conselheiros votaram pela recondução imediata de Bartolomeo. Por sua vez, o conselheiro Luiz Henrique Guimarães — cujo nome é mencionado frequentemente como um possível sucessor de Bartolomeo — se absteve de votar.
O empate na votação gerou um impasse na sucessão do comando da Vale, em um momento em que a mineradora é alvo de duras críticas do presidente Lula — que desde o ano passado vem buscando, nos bastidores, interferir no processo de sucessão.
Segundo fontes, a "mão" de Lula se faria sentir pelos votos e posicionamento dos representantes da Previ.
Por isso, a ata "não sumarizada" mostraria que a Previ vem atuando em linha com os melhores interesses da Vale — e não com os do presidente, de acordo com o Broadcast.
É importante destacar que a publicação de atas das reuniões do conselho de administração é rotina nas companhias de capital aberto, como a Vale.
Porém, a última ata publicada no site da mineradora se refere à reunião ordinária de 22 de fevereiro, dia da divulgação de resultados da Vale. As atas das reuniões extraordinárias realizadas nos dias 2 e 15 de fevereiro ainda não foram divulgadas.
Na nota, a Previ afirma que, "como investidora na Vale, ressalta que continuará a monitorar de forma diligente a situação na companhia".
O fundo de pensão dos funcionários do BB também reiterou "o compromisso com as melhores práticas de governança corporativa e investimento responsável" na Vale e outras investidas, "com foco no cumprimento da missão, de garantir o pagamento de benefícios e prover soluções que proporcionem proteção aos associados e seus familiares, de forma integral, segura e sustentável".
A Previ lembrou, na nota, que em janeiro de 2024 solicitou que a Vale se pronunciasse por meio de comunicado ao mercado, explicando como a companhia estava conduzindo o processo de sucessão.
A proposta, que ainda deve ser aprovada em assembleia, prevê a ida de Fabio Cury, atual presidente da companhia, para o comando do conselho de administração
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