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Após dois anos de privatização, análise do banco indica que a companhia está em posição para iniciar distribuição aos acionistas em nova fase
Dois anos depois de privatizada, a Eletrobras (ELET3) alcançou maturidade nos negócios, com a reestruturação das operações e uma geração de fluxo de caixa forte e recorrente. Agora, chegou a hora da gigante de energia distribuir dividendos aos acionistas. É o que dizem os analistas do BTG Pactual, Antônio Junqueira, Gisele Gushiken e Maria Resende.
“Para nós, sempre foi uma questão de quando a ‘era dos dividendos’ começaria. Acreditamos que as condições para o início dessa era agora estão em vigor”, afirmam.
Em relatório divulgado nesta segunda-feira (16), os analistas apostam que a companhia não deve realizar grandes aquisições nos próximos anos. Além disso, o avanço das negociações da Eletrobras com a União por um acordo também reforça a perspectiva.
Recentemente, a companhia afirmou que não considera mais antecipar os aportes de recursos na Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) nem a alocação de capital na Eletronuclear. Com o caixa disponível, abre-se espaço para a distribuição de proventos.
O CDE é um fundo setorial que financia políticas públicas por meio de recursos privados e públicos, provenientes do Orçamento Geral da União.
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No processo de privatização da Eletrobras, foi estabelecido um fluxo de pagamentos da empresa à União Federal até 2047, com um total de R$ 15,9 bilhões. Já foram pagos R$ 5 bilhões em 2022, restando R$ 10,9 bilhões a serem pagos de 2024 até 2047, conforme o cronograma definido na privatização.
No início de dezembro, a Eletrobras também afirmou que avançou nas negociações com a Advocacia-Geral da União (AGU).
Entre os termos do acordo estão sendo debatidos a definição do papel do governo nos Conselhos de Administração e Fiscal da companhia, além da possibilidade de revisão do Acordo de Investimentos relacionado à Usina Nuclear de Angra 3, com o objetivo de desobrigar a Eletrobras de compromissos existentes.
Outros pontos incluem o desinvestimento da participação acionária da Eletrobras na Eletronuclear e a manutenção de garantias para financiamentos contratados antes da desestatização.
Na visão do mercado, o progresso nas tratativas com a União pode abrir caminho para que a companhia pague dividendos maiores no futuro próximo.
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Segundo os analistas do BTG, encontrar oportunidades de crescimento sempre será uma possibilidade para empresas bem geridas como a Eletrobras.
Embora boas oportunidades possam surgir, “não há razões para não anunciar dividendos sólidos”, segundo o BTG, especialmente considerando o plano de investimentos da companhia para 2024 e 2025.
Além de serem um “ótimo sinal de disciplina”, a distribuição de dividendos também têm o potencial de atrair mais investidores para a base de acionistas da gigante elétrica.
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Segundo os analistas do BTG, existem diversas evidências de que a Eletrobras tem negociado de forma disfuncional.
“A empresa apresenta uma TIR (Taxa Interna de Retorno) significativa de 14,5%, mas seu preço de energia implícito é muito baixo, em R$ 105 por Megawatt-hora (MWh), e sua volatilidade é bem maior do que a de seus pares”, dizem.
Dessa forma, anunciar uma política sólida e consistente de dividendos, na avaliação do banco de investimentos, poderia mudar esse cenário, pois empresas que pagam dividendos recorrentes são vistas como ações de qualidade “premium” entre os ativos da bolsa.
Para o BTG, a gestão da Eletrobras também tem tomado decisões acertadas nos últimos anos, como a venda de ativos térmicos, redução da inadimplência da região Amazonas, incorporação da Furnas à holding, além da redução de custos nas operações.
Além disso, tem se dedicado a proteger os direitos dos acionistas em meio a uma negociação complexa com o governo, o que demonstra uma gestão sólida e focada.
Por isso, na visão dos analistas, falta apenas um passo: a distribuição de dividendos.
“Com o pagamento antecipado da CDE já resolvido, é o momento de virar a página e iniciar a Era dos Dividendos. Essa mudança pode trazer enormes benefícios para a Eletrobras e seus acionistas, marcando o início de uma nova fase para a empresa”, afirmam.
Os analistas do banco estimam que a companhia pode gerar R$ 7 bilhões em caixa em 2025, após uma geração de caixa “decente” este ano.
Como o endividamento está em queda, o BTG avalia que a distribuição de R$ 6 a R$ 8 bilhões em proventos pode ocorrer sem que a empresa prejudique investimentos e aumente a dívida.
Vale lembrar que o BTG Pactual tem recomendação de compra para as ações ordinárias ELET3 da Eletrobras, com preço-alvo em R$ 59. O potencial de valorização é de 66,2% sobre o fechamento anterior do papel, na sexta-feira (13).
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