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JP Morgan avaliou a exposição do setor financeiro à catástrofe; impacto sobre bancos e seguradoras vai além de Banrisul e IRB
As fortes chuvas que se abateram sobre o Rio Grande do Sul nos últimos dias provocaram a morte de quase cem pessoas e deixaram mais de 200 mil desabrigados. Além disso, dezenas de pessoas seguem desaparecidas.
A maior parte das imagens vem de Porto Alegre e de cidades médias embaixo d’água, mas a situação no campo e em cidades menores é tão grave quanto.
Isolados, pequenos agricultores do Estado perderam as casas e também as plantações. As perdas são qualificadas como “sem precedentes”.
Diante da extensão do desastre humanitário provocado pela catástrofe climática, o banco JP Morgan decidiu reavaliar a exposição do setor financeiro brasileiro à tragédia.
A instituição fez uma avaliação preliminar de quais bancos e seguradoras listados em bolsa estariam mais expostos à catástrofe.
Entre os bancos, o resultado era esperado, de certo modo. Para o JP Morgan, o Banrisul (BRSR6) é o banco mais exposto, uma vez que tem operações amplamente concentradas no Rio Grande do Sul.
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No setor de seguros, a empresa mais exposta é um ressegurador: o IRB Re (IRBR3).
O Banrisul tem o governo sul-riograndense como maior acionista individual. Como suas operações concentram-se majoritariamente no Estado, o banco acaba sendo o mais exposto aos impactos econômicos e financeiros das enchentes no Sul.
De acordo com o JP Morgan, 98% da carteira de crédito do Banrisul é formada por pessoas e empresas estabelecidas no Rio Grande do Sul.
Desse total, 22% dos devedores do banco estão em cidades declaradas em estado de emergência.
Em segundo lugar vem o Banco do Brasil (BBAS3). O JP Morgan estima que 6% dos empréstimos bancários contratados junto ao bancão público são de clientes do Rio Grande do Sul, sendo 4% em cidades em estado de emergência.
De qualquer modo, o JP Morgan afirma que ainda é cedo para estimar o impacto real devido a esforços de negociação e outras medidas de alívio.
Bancos como o Bradesco, BB e Itaú, por exemplo, já anunciaram a concessão de uma moratória de 180 dias em favor de seus clientes nas regiões mais afetadas.
Voltando a BRSR6, o bancão norte-americano manteve recomendação neutra para o papel, mas cortou o preço-alvo para o fim do ano de R$ 14 para R$ 13. Ontem, a ação fechou a R$ 12,15.
Já o IRB é a companhia mais exposta no setor de seguros.
O IRB é seguido pela Porto Seguro (PSSA3) e pela BB Seguridade (BBSE3).
De acordo com o JP Morgan, o Rio Grande do Sul é responsável por aproximadamente 5% dos prêmios de automóveis segurados pela Porto Seguro.
Em relação à BB Seguridade, 14% dos prêmios agrícolas cobertos pela subsidiária do Banco Brasil são de clientes no Rio Grande do Sul.
O IRB tem uma exposição parecida à da BB Seguridade no Estado. No entanto, segundo o JP Morgan, o potencial impacto sobre o lucro da resseguradora é bem maior.
Enquanto o impacto sobre o lucro da BB Seguridade é inferior a 1%, a exposição dos ganhos do IRB pode alcançar 14%.
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