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Lucia Camargo Nunes

NÃO DEU CERTO

Porto Seguro (PSSA3) encerra serviço de carro por assinatura e preocupa clientes

Usuários do Carro Fácil da Porto Seguro reclamam de demora nos atendimentos e das mensagens para a devolução dos veículos

Lucia Camargo Nunes
14 de agosto de 2024
6:29 - atualizado às 12:27
Reprodução da página da Carro Fácil, da Porto Seguro. - Imagem: Reprodução: internet.

Clientes da Carro Fácil, da Porto Seguro (PSSA3), estão preocupados com o fim do serviço de carro por assinatura.

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A empresa operava o serviço de locação de longo prazo de veículos zero-km de longo prazo desde 2016.

O fim da Carro Fácil coincide com uma série de reclamações de clientes em relação ao serviço.

Além do atraso nos serviços de manutenção sem o empréstimo de um carro reserva, caso seja ultrapassado o período estabelecido em contrato, clientes relatam demora nos atendimentos.

Outros foram notificados para devolver o veículo alugado devido ao fim dos serviços.

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A reportagem do Seu Dinheiro tentou assinar um carro diretamente pela página da Porto Seguro, mas o serviço no portal da Carro Fácil dizia estar "em manutenção".

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Em contato com o SAC, fomos informados que a assinatura de carros foi “descontinuada há um ano”.

Joint venture da Porto Seguro com a Cosan não deu certo

Em novembro de 2021, a Porto Seguro e a Cosan, conglomerado de energia e logística, chegaram a firmar uma joint venture, a Mobitech. A empresa uniu os serviços da Carro Fácil com 50% de participações para cada.

Faziam parte dos negócios, a assinatura de veículos, a gestão de frotas para empresas e outras modalidades de locação de automóveis.

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Nessa época, a Porto chegou a anunciar que a modalidade de assinatura crescia 50% ao ano. O passo seguinte seria a gestão de frotas de veículos pesados.

Apenas três meses depois, no entanto, a Cosan anunciou que havia rescindido contrato com a Porto Seguro.

Em fevereiro de 2023, a empresa de energia preferiu adotar uma diretriz mais conservadora diante do agravamento da conjuntura macroeconômica – inflação crescente, altas taxas de juros e aumento do custo de capital.

A Porto Seguro, por sua vez, manteve o negócio de assinaturas de carros sem anunciar publicamente nenhuma alteração no modelo de execução.

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De 2014 até ali, a Porto Seguro já havia injetado R$ 600 milhões na Carro Fácil.

Reclamações de usuários da Carro Fácil

Queixas de atendimento e indignação pelo fim da modalidade estão disponíveis no portal Reclame Aqui.

Uma cliente que usa o serviço solicitou a prorrogação da assinatura e a Porto Seguro respondeu que ela deveria devolver o veículo naquela mesma semana.

Outro consumidor reclamou da falta de assistência: além do aplicativo apresentar recorrentes falhas que o impossibilitavam agendar uma revisão, o serviço na oficina indicada atrasou.

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Outro cliente recebeu a informação de que deixaria de ter o serviço em apenas um mês, tempo, segundo ele, insuficiente para encontrar uma alternativa a essa assinatura.

No balanço divulgado pela Mobitech em fevereiro passado, sobre o exercício encerrado em 2023, o grupo informou que se reorganizou societariamente em verticais, visando aumentar a autonomia e o foco em cada negócio (Porto Seguro, Porto Saúde, Porto Bank e Porto Serviço), potencializando soluções que impulsionassem o crescimento das operações.

Na nota, ela afirma que “a companhia está em revisão do seu modelo de negócio e possui recursos para dar continuidade aos seus negócios no futuro”.

Procurada, a Porto Seguro ainda não respondeu aos questionamentos da reportagem.

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O que mudou para os carros por assinatura

Milad Kalume Neto, consultor do mercado automotivo, diz que a assinatura de veículos é uma modalidade interessante e que estava em crescimento até a pandemia.

“Depois, como todas, passou por uma remodelação e aparentemente algumas estão colhendo frutos positivos", afirmou.

De acordo com ele, as montadoras estavam atacando mais agressivamente esta linha de negócio, bem como as líderes no leasing de automóveis.

"A questão agora paira sobre o próprio mercado, ou seja, será que existe mercado para todos?", questiona Neto.

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A aposta aparentemente não deu certo para a Porto Seguro.

"Hoje existe um grande mercado para os motoristas de aplicativo e clientes que entendem ter valor essa forma de aquisição de veículo, mas a burocracia no processo e a baixa rentabilidade podem justificar a saída da Porto”, disse o especialista.

Com o fim do serviço, os consumidores que tiverem plano de assinatura de veículo com a Porto Seguro, ou com sua controlada Mobitech, devem ficar atentos aos prazos estabelecidos em contrato.

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