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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

PRESSÃO NO CURTO PRAZO

Gigante rebaixado: Depois de tantos recordes, Mercado Livre ficou sem espaço para subir mais? Veja o que diz o JP Morgan

O banco norte-americano rebaixou a recomendação para as ações MELI negociadas em Wall Street, de “overweight” — equivalente a compra — para neutro

Camille Lima
Camille Lima
2 de outubro de 2024
12:16 - atualizado às 12:30
Mercado Livre (MELI34).
Montagem com avião do Mercado Livre (MELI34), sob um fundo de gráficos subindo. - Imagem: iStock/Reprodução/Montagem Seu Dinheiro

O Mercado Livre (MELI34) acaba de sofrer um baque. Depois de se tornar a empresa mais valiosa da América Latina em meio a seguidos balanços mais fortes que o esperado, a euforia com as ações do gigante argentino do e-commerce parece ter vacilado — ao menos, do lado do JP Morgan.

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O banco norte-americano rebaixou a recomendação para as ações MELI negociadas em Wall Street, de “overweight” — equivalente a compra — para neutro.

No entanto, os analistas mantiveram o preço-alvo de US$ 2.400 para dezembro de 2025, o que implica uma alta potencial de 16% em relação ao último fechamento.

Na avaliação dos analistas, não basta apenas ser uma empresa de qualidade e que entrega recorde atrás de recorde. É preciso também oferecer potencial de retorno para quem está investindo.

A reação dos investidores ao rebaixamento foi negativa no início do pregão em Nova York. Por volta das 12h, os papéis caíam 4,22%, a US$ 1.979,00. Apesar do recuo, o Meli ainda acumula valorização de 26% desde janeiro.

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Por sua vez, os BDRs (recibos de ações, em português) negociados na B3 sob o ticker MELI34 recuavam 5,01% no mesmo horário, a R$ 88,65. No ano, os papéis ainda marcam ganhos da ordem de 39%.

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Acabou o gás do Mercado Livre (MELI34)?

Para o JP Morgan, atualmente existe pouco espaço para o Mercado Livre avançar nas bolsas. Afinal, só nos últimos 12 meses, as ações subiram quase 60% em Nova York. 

O desempenho superou — e muito — um dos principais índices acionários dos EUA, o S&P 500, que avançou 34% no mesmo período. Se comparado com o retorno do Ibovespa em dólar no mesmo período, de 4%, a discrepância fica ainda mais evidente.

Em termos de valuation, a situação também é apertada. Segundo os analistas, o Meli hoje é negociado a um múltiplo de 24 vezes a relação valor de firma sobre Ebitda (EV/Ebitda) de 25, a um preço sobre lucro (P/E) de 49 vezes.

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“É um valuation exigente em comparação com os múltiplos de 13 vezes e 32 vezes, respectivamente, da Amazon”, disseram os analistas, em relatório.

“O Meli ainda está em uma fase de investimento e é improvável que atinja ou supere as estimativas do consenso de mercado, devido ao aumento das despesas com logística e ao aumento do negócio de cartão de crédito, que carrega uma margem estruturalmente menor”, afirmaram.

O banco prevê uma pressão de curto prazo sobre os resultados do Meli, resultado da aceleração do negócio de cartão de crédito e aumento substancial nas capacidades logísticas, além da normalização da taxa de imposto de renda e perdas cambiais.

Segundo os analistas, uma penetração de anúncios mais rápida ou crescimento de crédito poderiam melhorar as perspectivas para as ações do Meli no curto prazo.

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Por trás da visão mais contida para o Meli

A expectativa do JP Morgan é que o segmento de cartão de crédito continue aumentando no Mercado Livre nos próximos anos, já que é um produto com um mercado endereçável muito grande, com forte recorrência e capacidade de atrair capital.

Porém, nesta fase inicial, as margens financeiras deste negócio ainda estão muito baixas ou negativas no primeiro semestre — o que pressionará as taxas consolidadas nos próximos anos e resultará em pressão na margem Ebit de crédito daqui para frente.

Para além da pressão do cartão de crédito, a expansão do Mercado Livre também deve gerar uma pressão de curto prazo — e, segundo o banco, os novos centros de distribuição provavelmente pesarão nas margens do Meli.

“A abertura de cinco novos centros apenas no 3T24 provavelmente causará algum aumento de custo no curto prazo”, afirmaram os analistas.

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Mercado Livre ainda é oportunidade no longo prazo

Isso não significa que o JP Morgan abriu mão de vez da visão otimista para o Mercado Livre.

Na realidade, apesar de prever uma pressão para a varejista argentina no curto prazo, os analistas continuam construtivos sobre a tese de investimento no Meli em um horizonte mais longo.

“Permanecemos positivos nas perspectivas de longo prazo do Mercado Livre, incluindo o potencial de crescimento do comércio eletrônico na região e uma oportunidade substancial em serviços bancários digitais.”

De acordo com o JP Morgan, o Meli tem uma perspectiva de longo prazo “muito promissora” por quatro motivos principais:

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  • E-commerce da América Latina ainda muito pouco penetrado;
  • Crescimento da publicidade com potencial de aumentar significativamente as margens;
  • Reivindicação sólida a uma fatia relevante do mercado bancário de consumo na região devido a vantagens em custos de aquisição de clientes.
  • Vantagem informacional devido aos dados transacionais proprietários do e-commerce. 

Em entrevista exclusiva ao Seu Dinheiro, o cofundador do Meli, Stelleo Tolda, revelou que o “trator argentino” encontra-se apenas no meio da curva de crescimento e que pretende manter o ritmo de expansão na América Latina e no Brasil.

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