Fundo árabe consegue tirar dona do Burger King (ZAMP3) do Novo Mercado da B3; ações desabam 19%
Mubadala aumentou a participação na Zamp para quase 40% em dezembro e ampliou o poder de voto na assembleia que aprovou a saída do segmento de governança mais rigoroso da B3

O fundo árabe Mubadala conseguiu levar adiante o plano de tirar a Zamp (ZAMP3), dona das redes de restaurantes Burger King e Popeyes no Brasil, do Novo Mercado da B3. Mas não foi uma barbada.
A proposta para retirar a Zamp do segmento de listagem de empresas com práticas mais rigorosas de governança corporativa da B3 contou com o apoio de aproximadamente 61% dos votos em assembleia.
Lembrando que o Mubadala aumentou a participação na empresa para quase 40% em dezembro. Assim, aumentou o poder de voto na assembleia de ontem.
Ao mesmo tempo, a Mar Asset e a Fitpart, que questionaram o plano do fundo árabe, reduziram a posição na Zamp antes da assembleia. Ainda assim, 39% se manifestaram contra o plano.
Com o aval dos acionistas, o Mubadala fica dispensado de fazer uma oferta pública de aquisição (OPA) pelos papéis dos minoritários para tirar a dona do Burger King do Novo Mercado.
Ações caem forte
Apesar do resultado esperado da assembleia, as ações da Zamp (ZAMP) reagiram em forte queda de 19% nesta quinta-feira (4) na B3, encerrando o dia cotadas em R$ 4,68*.
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Vale destacar que, além da assembleia, os investidores repercutem outras duas notícias. A primeira é a saída dos conselheiros Marcos Grodetzky e Ricardo Wajnberg.
O conselho da Zamp aprovou ainda a antecipação dos períodos de carência (vesting) das opções concedidas a executivos da companhia. Essa medida terá um impacto de aproximadamente R$ 46,2 milhões.
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Por que o Mubadala quer tirar a Zamp (ZAMP3) do Novo Mercado
O Mubadala justificou o pedido para tirar a Zamp do Novo Mercado com o argumento de que a listagem limita algumas das alternativas disponíveis para o financiamento e a expansão das atividades da companhia.
Entre os planos em potencial, o fundo citou a captação de recursos no Brasil ou no exterior. Outra possibilidade é a combinação de negócios com outros players nacionais ou estrangeiros.
Ainda de acordo com o fundo, as regras do Novo Mercado limitam a captação de recursos por permitir apenas a emissão de ações com direito a voto. Além disso, elas restringem os tipos de operações societárias que a Zamp pode participar.
Acionistas questionaram o plano
Mas nem todos os acionistas digeriram bem o plano do fundo ligado ao Emirado de Abu Dhabi. A Mar Asset argumentou que o Mubadala poderia propor a migração da Zamp para o Nível 2 de governança da B3 em vez de ir para o segmento básico de listagem. Assim, a empresa poderia emitir ações preferenciais — uma das restrições atuais que o Mubadala apontou.
A gestora diz ainda que a listagem no Novo Mercado não impede a dona do Burger King no país de promover combinações de negócios com outras empresas nem de migrar para bolsas estrangeiras, como defende o Mubadala.
Junto com o questionamento, a Mar Asset conseguiu incluir outros itens na assembleia. Entre eles, a inclusão de uma cláusula de "pílula de veneno" (poison pill) no estatuto e a limitação de voto em temas específicos. Mas os acionistas rejeitaram as propostas ontem.
*Matéria atualizada com o fechamento das ações
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