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O salto do dólar vem na esteira da confirmação da ampliação da isenção do IR e do anúncio do pacote de corte de gastos do governo
Quem estava planejando uma viagem de fim de ano para a Disney pode ser forçado a adiar os planos — e a culpa é toda do dólar. Depois de bater recorde ontem, a moeda norte-americana manteve o passo do rali nesta quinta-feira (28) e chegou a superar o patamar de R$ 6,00 pela manhã.
Por volta das 11h30, o dólar atingiu a máxima intradiária, cotado a R$ 6,0005 no mercado à vista, mas acabou terminando o dia abaixo desse patamar, a R$ 5,9895 (+1,29%).
O desempenho robusto aconteceu na sequência de um novo pico histórico para o ativo. Ontem, a moeda dos Estados Unidos fechou o dia no maior nível da história em termos nominais, a R$ 5,91.
Com isso, a divisa norte-americana já acumula uma valorização de 23% frente ao real desde o início deste ano.
O salto do dólar vem na esteira da confirmação da isenção do imposto de renda para quem recebe até R$ 5 mil por mês e da divulgação do tão aguardado pacote de corte de gastos do governo federal.
Na avaliação de economistas, a valorização do dólar nesta quinta-feira é resultado direto do movimento do governo em priorizar medidas que aumentam os gastos, em vez de apresentar cortes significativos de despesas.
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Para o mercado, o pacote fiscal demonstrou o foco do governo em cumprir promessas de campanha, como a isenção do imposto de renda, mas acabou por agravar o cenário econômico, ampliando as incertezas e intensificando a pressão cambial.
"A alta do dólar reflete a insegurança no mercado diante de decisões equivocadas do governo. Em vez de adotar medidas de corte de gastos, o governo optou por aumentar as despesas. Sem uma ação clara para equilibrar as contas públicas, o mercado continua precificando um cenário de risco elevado, o que dificulta a recuperação econômica no país", disse Felipe Vasconcellos, sócio da Equus Capital.
"A proposta de taxação sobre os super-ricos estressa muito a questão do dólar e provoca uma fuga de capital expressiva, uma vez que muitos investidores com alta renda preferem transferir seus recursos para países que não possuem esse tipo de tributação, como os Estados Unidos e países da Europa". Essa saída de capital contribui para a valorização do dólar", avaliou Jefferson Laatus, chefe-estrategista do grupo Laatus.
Para a gerente de Research e head de conteúdo da Nomad, Paula Zogbi, o motivo do estresse é a diminuição da credibilidade das medidas de contenção de despesas, já que a mudança no IR caminha no sentido de diminuição da arrecadação, o que tende a limitar o efeito dos cortes e pode resultar em mais inflação.
Segundo Zogbi, uma eventual desidratação durante a tramitação do pacote fiscal teria consequências negativas para o câmbio e para os mercados, podendo levar o dólar para patamares acima do atual nível, de R$ 6,00.
Após meses de espera carregada de ansiedade, o pacote fiscal enfim saiu na noite passada, em um duplo comunicado feito pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
Segundo Haddad, as medidas gerarão uma economia de R$ 70 bilhões nos próximos dois anos — acima do que o mercado julga necessário para equilibrar as contas públicas.
No entanto, economistas temem que a renúncia fiscal se sobreponha às medidas de cortes de gastos e que o mercado tenha mais um dia de fúria.
A equipe econômica prevê um impacto de R$ 40 bilhões aos cofres públicos com a ampliação da isenção de imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil (cerca de cinco salários mínimos).
No entanto, a ideia é que a renúncia fiscal seja compensada pela chamada tributação dos "super-ricos", segundo o ministro da Fazenda.
Em pronunciamento ontem, Haddad falou que "a nova medida não trará impacto fiscal, ou seja, não aumentará os gastos do governo. Porque quem tem renda superior a R$ 50 mil por mês pagará um pouco mais. Tudo sem excessos e respeitando padrões internacionais consagrados”.
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