Ações da Americanas (AMER3) disparam 11% em dia de revelação de novos detalhes da fraude bilionária na varejista
Documentos mostram que indícios da ocultação dos empréstimos de risco sacado já estavam presentes em mensagens enviadas há mais de seis anos

As ações da Americanas (AMER3) têm se mostrado extremamente voláteis nos últimos dias, com picos e vales acentuados nos pregões. E esta quinta-feira (1) não é exceção: por volta das 12h50, os papéis operavam em alta de 10,9%.
Apesar do forte avanço, as ações são cotadas em R$ 0,61 e permanecem no patamar de penny stocks — como são os chamados os papéis que negociam abaixo de R$ 1,00.
As penny stocks são conhecidas justamente por terem uma volatilidade ainda mais elevada do que os demais ativos de renda variável, mesmo em dia com poucos gatilhos de ganhos ou perdas para os papéis.
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Imprensa divulga novos detalhes da fraude na Americanas (AMER3)
A alta do pregão de hoje ocorre no mesmo dia em que foram divulgados novos detalhes da fraude contábil bilionária que levou a Americanas à recuperação judicial.
O Uol publicou documentos que mostram que indícios da ocultação dos empréstimos de risco sacado — operações na qual varejistas cedem débitos com os fornecedores para os bancos — já estavam presentes em mensagens enviadas há mais de seis anos.
Ainda segundo o portal, as operações do tipo eram mencionadas em trocas de e-mails entre bancos e a KPMG, responsável pela auditoria da empresa.
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As instituições financeiras seriam responsáveis por corrigir documentos que mostravam a real extensão do risco sacado por outros com uma lista bem menos extensa de operações.
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Relembre o caso
Vale relembrar que a Americanas protagonizou um dos maiores escândalo da história do mercado de capitais no Brasil. Em janeiro do ano passado, a varejista entrou com um pedido de recuperação judicial diante do agravamento da situação financeira da companhia.
À época, a empresa comandada pelo famoso trio de empresários formado por Jorge Paulo Lehman, Beto Sicupira e Marcel Teles somava dívidas no valor de R$ 43 bilhões com bancos e fornecedores, além de questões trabalhistas.
Após adiar várias vezes seu balanço, foram confirmadas fraudes na casa das dezenas de bilhões de reais. Em relação a 2021, o “maior lucro da história” da Americanas converteu-se em um prejuízo líquido de R$ 6,237 bilhões.
E o prejuízo da varejista mais do que dobrou em 2022. A Americanas fechou aquele ano com R$ 12,912 bilhões no vermelho.
Já a fraude contábil foi estimada em R$ 25,2 bilhões, muito próximo do rombo calculado quando a Americanas admitiu que o episódio ia muito além de "inconsistências contábeis".
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