Lula dá bronca de novo em ministro… dessa vez por causa da Petrobras — e sobrou até para o BC
Com a língua afiada, o presidente mandou recado sobre a política de preços da estatal e sobre a taxa de juros

A fama de centralizador do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é conhecida e não é de hoje. Quem trabalha próximo a ele sabe que é o petista que dá a última palavra nas decisões do governo — ou pelo menos deveria saber.
Na quarta-feira (05), o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, concedeu uma entrevista à Globo News confirmando que o governo irá mudar a política de preços da Petrobras — e que a estatal já havia sido orientada para isso.
A declaração causou um rebuliço no mercado e fez as ações da Petrobras caírem mais de 5% assim foi ao ar — ainda que no final do dia os papéis PETR3 e PETR4 tenham se recuperado.
A própria estatal chegou a negar a informação, indicando que mantém a paridade de preços internacionais como a diretriz para o valor dos combustíveis praticados aqui.
Parece que Lula não gostou do resultado e do efeito da declaração de Silveira.
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Lula dá a palavra final
Nesta quinta-feira (06) Lula não deixou dúvidas de quem toma as decisões importantes do governo.
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Em café com os jornalistas, o presidente foi bem claro: “A política de preços da Petrobras será discutida pelo governo no momento em que o presidente da República convocar o governo para discutir. Enquanto o presidente da República não convocar, a gente não vai mudar o que está funcionando hoje", afirmou.
É bem verdade também que o presidente é um crítico da política de preços da Petrobras. Hoje, ele repetiu que o Brasil não deve estar submetido ao preço de paridade de importação (PPI) e disse que a estatal tem que aumentar investimentos.
"A Petrobras não pode continuar distribuindo a quantidade de dividendos que vem distribuindo. A Petrobras precisa fazer investimentos no Brasil", disse.
Essa não é a primeira bronca
Lula já deu essa bronca antes e o ministro de Portos e Aeroportos, Márcio França, lembra bem disso.
Um dia após França ter anunciado que o governo federal preparava um programa para vender passagens aéreas mais baratas para aposentados, funcionários públicos e estudantes, Lula deu um pito no ministro.
Na ocasião, Lula disse que "qualquer genialidade" que alguém possa ter deve ser anunciada à Casa Civil para que a pasta discuta com a Presidência. "Para que a gente possa chamar o autor da genialidade", afirmou o presidente, subindo o tom.
Sobrou, de novo, para o BC
Com a língua afiada, o petista não poupou hoje um de seus principais desafetos: Roberto Campos Neto, o presidente do banco central.
Na avaliação de Lula, o atual patamar da taxa de juros é "incompreensível" para o desenvolvimento do País. Ele também Lula comentou declarações de Campos Neto, de que, para atingir a meta de inflação em 2023, a Selic teria que ultrapassar 20%.
"É no mínimo uma coisa não razoável de ser dita", disse Lula. "Se a meta está errada, muda-se a meta", afirmou.
Lula disse que será preciso que o governo "encontre um jeito" para que o BC comece a reduzir os juros. "Vamos ter que encontrar um jeito para que o Banco Central comece a reduzir a taxa de juros. Não é compreensível porque não temos inflação de demanda", continuou.
Em meio às críticas a Campos Neto nas últimas semanas, Lula disse que não ficará "brigando" com o presidente do BC, uma vez que a instituição detém autonomia em relação ao governo e quem aprovou o nome de Campos Neto foi o Senado.
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