Da defesa ao ataque: Lula fala — de novo — da inflação, do BC e, agora, do BNDES
Presidente solta o verbo mais uma vez e questiona o nível elevado da taxa de juros, ironiza os efeitos negativos de suas críticas à política monetária e ainda destaca o papel do BNDES para impedir que o Brasil “afundasse”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não deu tréguas ao Banco Central e, mais uma vez, voltou a falar da taxa de juros e da inflação. A diferença é que nesta segunda-feira (6), o petista resolveu ampliar o campo das declarações e incluiu o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Tanto no ataque como na defesa, o fato é que Lula foi duro. Ele disse que a versão de que o BNDES financiou e perdeu dinheiro no passado com países afinados ideologicamente com o PT é mais uma das mentiras contadas sobre a instituição nos últimos anos.
Na lista, ele acrescentou a propalada "caixa-preta" das operações e o privilégio a grandes empresas, as chamadas "campeãs nacionais".
"Esse banco (BNDES) foi vítima de difamação no último processo eleitoral. Vivemos em um momento em que as narrativas valem mais do que as verdades. O BNDES nunca deu dinheiro para país amigo do governo", disse Lula na cerimônia de posse do novo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante.
"O BNDES financiou serviços de engenharia de empresas brasileiras em nada menos do que 15 países da América Latina e do Caribe", continuou.
O presidente foi além. Ao defender maior protagonismo do BNDES na economia, o presidente disse que se não fosse a atuação do banco na crise financeira de 2008, "este País teria afundado".
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Em 2008 e, principalmente, 2009, o banco de fomento foi uma das pontas de lança do conjunto de políticas anticíclicas, mantendo os canais de crédito funcionando, em alguma medida, apesar do travamento nos fluxos globais verificados após a quebra do banco de investimentos norte-americano Lehman Brothers.
Lula criticou ainda a substituição da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), taxa que balizava os financiamentos do BNDES desde 1994, e era fixada pelo governo federal, quase sempre abaixo do nível dos juros básicos. Desde 2018, foi substituída pela TLP, que segue as taxas de mercado.
"Por que acabaram com a TJLP?", questionou Lula, ao defender uma atuação mais forte do BNDES no financiamento de longo prazo e às empresas de menor porte.
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Para não dizer que Lula não falou do BC…
Não foi só sobre a defesa do BNDES que Lula falou hoje. O presidente voltou a atacar a política monetária conduzida pelo Banco Central, e a independência da autoridade monetária.
Segundo Lula, não "tem explicação" para a taxa básica de juros — a Selic, hoje em 13,75% ao ano — estar em "13,5%" (sic).
"O problema não é de banco independente", afirmou Lula. "O problema é que este País tem uma cultura de juro alto", completou.
Lula citou especificamente a "carta" do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, em uma referência ao comunicado da decisão da semana passada sobre a manutenção da Selic em 13,75% ao ano, para sustentar que não haveria motivos para os juros básicos estarem nos níveis atuais.
"É só ver a carta (sic) do Copom para ver que é uma vergonha esse aumento (sic) de juros", afirmou Lula, que ironizou os efeitos negativos de suas críticas à política monetária e à independência do BC sobre as cotações dos ativos do mercado de capitais.
"Se eu, que fui eleito, não posso falar, quem pode? O catador de materiais recicláveis?", questionou o presidente.
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