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A região da usina Zaporizhzhia, na Ucrânia, controlada pelos russos, começou a ser evacuada depois que os bombardeios se intensificaram nos últimos dias

O conflito na Ucrânia ressuscitou um velho fantasma: o da guerra nuclear. De um lado, a Rússia de Vladimir Putin coloca as armas atômicas sobre a mesa, do outro, os EUA admitem pela primeira vez na história a chance dessa escalada nos campos de batalha. Mas, ao que tudo indica, o perigo nuclear virá de um outro lugar.
A usina de Zaporizhzhia, a maior planta nuclear da Europa, voltou ao centro das atenções depois que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) informou neste final de semana que a situação na região é “potencialmente perigosa”.
"A situação geral na área perto da usina nuclear de Zaporizhzhia está se tornando cada vez mais imprevisível e potencialmente perigosa", disse Rafael Grossi, diretor-geral da AIEA.
"Estou extremamente preocupado com a segurança nuclear muito real e os riscos de proteção enfrentados pela usina. Devemos agir agora para evitar a ameaça de um grave acidente nuclear e suas consequências associadas para a população e o meio ambiente", acrescentou.
As forças russas tomaram a fábrica de Zaporizhzhia dias depois que Putin ordenou a invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022.
Desde então, trocas de tiros ocorrem com frequência perto da usina, com cada lado culpando o outro pelos problemas estruturais na instalação.
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Na sexta-feira (5), as autoridades instaladas por Moscou na região começaram a evacuar pessoas de áreas próximas.
O diretor da AIEA disse que enquanto o pessoal operacional da usina permanece no local, as condições para o pessoal e suas famílias são "cada vez mais tensas".
O Estado-Maior das Forças Armadas da Ucrânia disse neste domingo (7) que os moradores estão sendo evacuados na direção de Berdiansk e Prymorsk, na costa do Mar de Azov.
O prefeito exilado de Melitopol, Ivan Fedorov, afirmou que o comércio nas áreas evacuadas ficaram sem mercadorias e as farmácias, sem remédios.
Fedorov também disse que os hospitais estavam dispensando pacientes em meio a temores de que o fornecimento de eletricidade e água pudesse ser suspenso se a Ucrânia atacasse a região.
E ele afirmou que dois terços dos comboios de evacuação — supostamente compostos por civis — consistiam na retirada das tropas russas.
"A evacuação parcial que eles anunciaram está indo muito rápido, e existe a possibilidade de que eles estejam se preparando para provocações e [por essa razão] focando nos civis", acrescentou Fedorov.
Há algumas semanas, a AIEA havia alertado que a situação na fábrica de Zaporizhzhia estava "se tornando cada vez mais imprevisível e potencialmente perigosa".
Agora, Grossi diz que, embora os reatores da usina não estejam produzindo eletricidade, eles ainda estavam carregados com material nuclear.
Em março, a AIEA indicou que a usina estava funcionando com geradores a diesel para manter os sistemas vitais de resfriamento funcionando, após danos às linhas de energia.
*Com informações da Reuters e da BBC
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