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Acordos comerciais, negociação da paz entre Rússia e Ucrânia e câmbio foram alguns dos momentos mais importantes da visita do presidente brasileiro a Xangai e Pequim
Muito além de um negócio da China. Assim pode ser definida a viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Pequim e a Xangai — o petista traz na mala muito mais do que os 15 acordos comerciais fechados com os chineses.
A ideia de Lula foi recolocar o Brasil no protagonismo entre os países emergentes. Para isso, o presidente fez questão de tratar de questões globais com o líder da China, Xi Jinping.
Um dos assuntos discutidos por eles, por exemplo, foi a guerra entre Rússia e Ucrânia. Mais uma vez, o petista fez questão de colocar o Brasil à disposição para as negociações de paz.
O movimento, no entanto, vem acompanhado de riscos já que Lula navega nos mares revoltos da relação da China com os EUA. Em fevereiro, o petista esteve em Washington para um encontro com o presidente norte-americano, Joe Biden.
Na ocasião, Lula e Biden enviaram a mensagem de que juntos, Brasil e EUA poderiam superar desafios, em especial os que ameaçam a democracia.
Lula e Xi assinaram nesta sexta-feira (14), em Pequim, 15 acordos comerciais e de parceria.
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Os termos assinados entre os dois países incluem acordos de cooperação espacial, em pesquisa e inovação, economia digital e combate à fome, intercâmbio de conteúdos de comunicação entre os dois países e facilitação de comércio.
Um dos acordos prevê o desenvolvimento do CBERS-6, o sexto de uma linha de satélites construídos na parceria bilateral.
De acordo com o governo brasileiro, o diferencial do novo modelo é uma tecnologia que permite o monitoramento de biomas como a Floresta Amazônica, mesmo com nuvens.
Outros documentos assinados tratam de certificação eletrônica para produtos de origem animal e dos requisitos sanitários e de quarentena que devem ser seguidos por frigoríficos para exportação de carne do Brasil para a China. O Brasil é o maior fornecedor de carne bovina para o país asiático e 60% da produção brasileira são vendidos para a China.
No contexto da visita do presidente brasileiro, o setor empresarial também anunciou 20 novos acordos entre os dois países em áreas como energias renováveis, indústria automotiva, agronegócio, linhas de crédito verde, tecnologia da informação, saúde e infraestrutura.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores, esses acordos somam-se àqueles anunciados durante o Seminário Econômico Brasil-China, realizado em 29 de março, totalizando mais de 40 novas parcerias. Lula deveria ter feito essa viagem no fim do mês passado, ocasião do seminário, mas um quadro de pneumonia o obrigou a adiar o compromisso.
Embora importantes, os acordos não foram os pontos mais altos da visita de Lula à China. O Seu Dinheiro listou os momentos mais simbólicos da viagem.
O presidente chegou na quarta-feira (12) a Xangai, a primeira parada da visita à China. A parada foi estratégica: participar na quinta-feira (14) da posse de Dilma Rousseff como presidente do banco do Brics — bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.
O que Lula disse lá: “Toda noite me pergunto porque todos os países precisam fazer seu comércio lastreado no dólar. Por que não podemos fazer comércio lastreado na nossa moeda? Por que não podemos ter o compromisso de inovar? Quem é que decidiu que era o dólar a moeda depois que o ouro desapareceu como paridade? Por que não foi o iene? Por que não foi o real, o peso? Porque as nossas moedas eram fracas, não tinham valor em outros países”, disse Lula no discurso de posse de Dilma.
Além da posse de Dilma, o presidente brasileiro também visitou o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Huawei, uma das principais empresas de tecnologia da China.
O que Lula disse lá: "Fizemos uma visita à Huawei em uma demonstração que queremos dizer ao mundo que não temos preconceito em nossas relações com os chineses. Ninguém vai proibir que o Brasil aprimore sua relação com a China", disse o presidente na reunião aberta entre os líderes.
Lula também se reuniu com executivos de outras companhias chinesas, entre eles, o CEO da BYD, Wang Chuanfu, e o presidente do Conselho da China Communications Construction Company (CCCC), Wang Tongzhou. O presidente brasileiro teve ainda um encontro com o secretário-geral do Partido Comunista em Xangai, Chen Jining.
O encontro foi fechado, sem declarações públicas, mas ficou acertado, por sugestão do ministro da Fazenda Fernando Haddad, que o governo da Bahia vai avaliar a viabilidade de desapropriar, a título de interesse público, a fábrica da Ford em Camaçari, para que a planta seja vendida à montadora chinesa BYD. O investimento é de cerca de R$ 10 bilhões.
O assunto principal do encontro foi a relação comercial entre os países e parcerias em áreas estratégicas, como tecnologia. Durante a reunião desta sexta-feira (14) em Pequim, Lula disse que a China tem sido uma "parceira preferencial do Brasil" nas relações comerciais e que busca junto ao país asiático equilibrar a geopolítica mundial.
O que Lula disse lá: "É com a China que a gente mantém o mais importante fluxo de comércio exterior. É com a China que nós tivemos a nossa maior balança comercial, e é junto com a China que nós temos tentado equilibrar a geopolítica mundial, discutindo os temas mais importantes. A minha visita à China neste momento é de reconhecimento dessa parceria e para que a gente possa aumentar, ainda, a nossa parceria instantânea. A minha viagem, neste momento, é uma viagem em busca de aumentar aquilo que nós temos de bom", disse Lula.
*Com informações do G1 e da Agência Brasil
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