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Ontem (25) à noite, a BRF informou que a Marfrig elevou sua participação na companhia para 40,05% passando a deter 673.879.961 de ações
A investida da Marfrig (MRFG3) na BRF (BRFS3) pode ter novos episódios depois que o frigorífico mostrou apetite para seguir comprando mais ações da concorrente.
Ontem (25) à noite, a BRF informou que a Marfrig elevou a participação na companhia para 40,05%, passando a deter 673.879.961 de ações.
É a segunda compra já feita este mês, já que em 19 de setembro, a Marfrig tinha aumentado a sua fatia na BRF para 35,77%.
Nas duas ocasiões, a Marfrig declarou que a aquisição dos papéis tem como objetivo incrementar a participação acionária na BRF, mas não pretende alterar a atual composição do controle ou a estrutura administrativa.
Seja como for, sempre que ocorre um movimento desse tipo o mercado especula se uma combinação entre as companhias — a famosa fusão da “vaca e o frango”, em referência aos dois principais produtos das empresas — poderia enfim sair do papel.
Para o BTG Pactual, a Marfrig tem dinheiro para continuar comprando mais ações e chegar a deter 45% do capital acionário.
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Nos cálculos dos analistas do banco, ao sair de uma participação de 33,3% para cerca de 40% da dona das marcas Sadia e Perdigão recentemente, a Marfrig adquiriu 113,4 milhões de ações.
Supondo uma média de preço de R$ 9,30 por ação, isso implica que a companhia gastou R$ 1,05 bilhão aumentando a posição na BRF.
Os analistas lembram que dinheiro a Marfrig tem, já que duas transações estão rendendo alguns bilhões:
Levando em conta os montantes citados acima e o R$ 1,05 bilhão gasto com as recentes compras de ações da BRF, restam aproximadamente R$ 810 milhões provenientes desses recentes eventos de liquidez, nos cálculos do BTG.
“Se tudo isso fosse usado para aumentar ainda mais sua participação na BRF, eles poderiam comprar cerca de 83,7 milhões de ações adicionais à vista, elevando sua participação para 45,1%”, afirmaram os analistas, em relatório.
Com o aumento rápido e significativo da participação da Marfrig na BRF, os investidores especulam sobre o futuro das duas empresas e se uma fusão pode estar próxima.
No entanto, o BTG não vê razões claras para qualquer evento de reestruturação neste momento.
“Não acreditamos que a Marfrig tenha a disposição, a necessidade, nem o balanço para comprar as fatias dos minoritários da BRF.”
Isso porque a Marfrig também já atua na prática como acionista controlador da BRF. Em uma eventual troca de ações onde as duas empresas se fundiriam a preços de mercado — como chegou a ser estudado em 2019 — os analistas estimam que os acionistas controladores da Marfrig deteriam uma participação de apenas 23% na nova companhia, após ajuste pela atual participação da Marfrig na BRF.
Do ponto de vista dos acionistas minoritários da Marfrig, o ideal é que a empresa tome medidas para pagar suas dívidas e manter um nível de endividamento adequado, ainda de acordo com os analistas.
Por isso, o BTG segue com a recomendação neutra para as ações MRFG3.
Já quanto ao impacto para a BRF, considerando a liquidez adicional levantada pela Marfrig, é possível que ela siga comprando ações, o que os analistas acreditam que pode dar algum suporte às ações BRFS3.
Porém, isso não muda a recomendação também neutra para os papéis da dona da Sadia e Perdigão, embora tenham um viés positivo de curto prazo conforme o ciclo avícola melhora.
Com um fluxo de caixa mais estável, a empresa pode remunerar os acionistas. Se não encontrar novas oportunidades de alocação de capital, poderia distribuir R$41,5 bilhões em dividendos até 2032, 90% do valor de mercado atual, diz o BTG
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