Mais problemas para Lemann? Bud Light perde liderança histórica no mercado de cervejas nos EUA
A cerveja da AB Inbev caiu para o segundo lugar no varejo norte-americano, com uma fatia de 7,3% em um mês, enquanto a mexicana Modelo foi responsável por 8,4% das vendas

O sonho grande de Jorge Paulo Lemann parece estar amargando — e os norte-americanos parecem prontos para adicionar ainda mais água no chope do bilionário. Os problemas do executivo vão para além da Americanas — que admitiu a existência de fraude contábil bilionária — e chegaram à AB Inbev, dona da Ambev.
Depois de mais de duas décadas de liderança, a Bud Light, fabricada pelo império de Lemann, perdeu o posto de cerveja mais vendida dos Estados Unidos — ao menos no mês de maio.
Quem aproveitou a oportunidade para assumir a posição no último mês foi a Modelo Especial, marca da cervejaria mais famosa do México, a Constellation Brands.
A Modelo foi responsável por 8,4% das vendas de cerveja no varejo dos Estados Unidos durante o período de quatro semanas encerradas em 3 de junho, segundo informações da empresa de dados NIQ enviadas à consultoria Bump Williams.
Enquanto isso, a Bud Light caiu para o segundo lugar, com uma fatia de 7,3% no mesmo período.
As vendas em dólar também representam um alerta para o conglomerado de Lemann: as vendas da Bud Light caíram 24,4% em um mês, enquanto as da Modelo cresceram 12,2%.
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A derrocada da cerveja de Lemann
A queda da Bud Light do trono norte-americano é resultado de uma polêmica envolvendo a marca Anheuser-Busch e os clientes dos Estados Unidos.
O problema de Lemann começou no início de maio, quando a empresa enviou uma lata de Bud Light personalizada a uma influenciadora digital para comemorar o primeiro ano desde sua transição de gênero.
A ação da AB Inbev foi alvo de críticas de conservadores e gerou uma leva de consumidores insatisfeitos com a controvérsia, impactando diretamente as vendas do setor atacadista.
Na tentativa de amenizar a crise no consumo, o conglomerado teve uma resposta morna à controvérsia: o CEO anunciou que não ofereceu apoio à influenciadora ou à comunidade transgênero.
“Nunca pretendemos fazer parte de uma discussão que divide as pessoas. Nosso negócio é reunir as pessoas para tomar uma cerveja”, disse o CEO Brendan Whitworth.
A declaração acabou por incomodar não apenas os conservadores, como também os defensores da comunidade LGBTQIAP+.
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Um futuro amargo para a Bud Light, de Lemann?
As vendas da Bud Light registraram fortes quedas nas semanas seguintes à polêmica, com recuos semanais em torno de 25%.
Para além da crise de imagem, a tendência de consumo também parece não favorecer a Bud, segundo a consultoria Bump Williams.
“A Modelo Especial parece estar aumentando seu crescimento de vendas a cada semana à medida que avançamos no verão”, disse a Bump Williams à CNN.
Segundo a empresa de consultoria, os consumidores de cerveja têm mudado sua preferência para produtos mexicanos, o que contribuiu para a liderança da Modelo no mercado dos EUA.
Enquanto a concorrente mexicana cresce no paladar norte-americano, a Bud Light e as suas “irmãs” parecem amargar cada vez mais.
As vendas de outras cervejas da família AB Inbev, como Michelob Ultra, Natural Light e Busch Light, também caíram no mesmo período em relação às semanas anteriores.
Vale destacar que, até o momento, a Bud Light continua sendo a cerveja mais vendida dos EUA no acumulado do ano.
*Com informações de CNN
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