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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

NEGÓCIO DE BILHÕES

Klabin (KLBN11) vai desembolsar quase R$ 6 bilhões por projeto da Arauco no Paraná. O que isso significa para o acionista?

A empresa fechou a compra da operação florestal da Arauco que forma o Projeto Caetê por US$ 1,16 bilhão

Camille Lima
Camille Lima
21 de dezembro de 2023
8:42 - atualizado às 11:35
Totem com o logo da Klabin (KLBN11) em frente à sede da empresa
Klabin (KLBN11) - Imagem: Divulgação

A contagem regressiva para as festas de fim de ano já começou, mas isso não quer dizer que os investidores ficarão sem novidades no mercado financeiro. A Klabin (KLBN11) movimentou a manhã desta quinta-feira (21) com um dos maiores negócios do ano: a empresa vai desembolsar quase R$ 6 bilhões em uma aquisição no Sul do país.

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A empresa fechou um contrato de US$ 1,16 bilhão com a chilena Arauco para a compra da operação florestal no Paraná que forma o “Projeto Caetê”. O montante considera capital de giro zero e zero dívida líquida, mas está sujeito a ajustes.

“Esse é mais um movimento que reforça o foco da empresa em eficiência operacional, com diligente alocação de capital e valor presente líquido (VPL) estimado em aproximadamente R$ 2 bilhões”, afirma Cristiano Teixeira, diretor-geral da Klabin, em nota à imprensa.

Os papéis da Klabin (KLBN11) operam em alta hoje. Por volta das 11h15, as units subiam 1,36%, negociadas a R$ 21,56.

O Projeto Caetê inclui a compra de 150 mil hectares de área total substancialmente no Paraná, sendo 85 mil hectares de área produtiva e 31,5 milhões de toneladas de madeira em pé, além de máquinas e equipamentos florestais.

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O negócio estipula a aquisição direta de 100% do capital social da Arauco Florestal Arapoti (AFA) e da Arauco Forest Brasil (AFB) e a compra indireta de 49% do capital social da Florestal Vale do Corisco (VdC) e de 100% da Empreendimentos Florestais Santa Cruz (SC).

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Segundo o diretor financeiro e de relações com investidores da Klabin, Marcos Ivo, a intenção do negócio é reduzir os custos e reforçar a alocação de capital focada em criar valor para os acionistas da empresa de papel e celulose.

“Trata-se de uma ótima oportunidade em termos operacionais e financeiros, que reduzirá a necessidade de compra de madeira de terceiros e aumentará a competitividade de custos da companhia, com criação de valor para os seus acionistas”, destaca Ivo.

Os detalhes da compra da Klabin (KLBN11)

Com a compra do Projeto Caetê, a Klabin (KLBN11) concluirá a expansão de terras no Paraná para o abastecimento do Projeto Puma II, complexo industrial inaugurado há três anos e responsável por um dos maiores investimentos da empresa para este ano.

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Além disso, com o negócio com a Arauco, a empresa antecipa o atingimento da autossuficiência de madeira e diminui os investimentos futuros estimados, principalmente relacionados à compra de “madeira em pé”. 

Segundo a companhia, a compra dos ativos da Arauco no Paraná irá reduzir os custos operacionais de colheita e transporte de madeira, melhorando o custo caixa total da Klabin. 

“Após a colheita do ciclo atual de madeira, a Klabin superaria seu alvo de autossuficiência de 75% de madeira própria em cerca de 60 mil hectares produtivos”, projetou a empresa, em fato relevante enviado à CVM. 

A operação será realizada por meio de controladas da Klabin (KLBN11). Já o pagamento deverá ser feito no fechamento da transação, utilizando os recursos já em caixa da companhia.

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Vale destacar que a conclusão da compra está sujeita a condições suspensivas como a aprovação pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).

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O que dizem os analistas

Na visão do BTG Pactual, ainda que o negócio bilionário aumente o nível de endividamento da Klabin (KLBN11) em 2024, o negócio será positivo no futuro — mesmo que possa causar uma reação negativa entre os investidores à primeira vista.

“Dada a dimensão da transação e a obsessão dos investidores com a desalavancagem, não ficaríamos surpreendidos se a reação inicial fosse negativa”, afirmam os analistas, em relatório.

Para os analistas, a lógica da compra da operação da Arauco é realizar “um desembolso inicial para ter uma série de ‘poupanças’ anuais”.

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Nos cálculos do banco, a transação “parece sensata”, uma vez que possui uma taxa interna de retorno (TIR) real implícita de 13%, que deverá resultar em um valor presente líquido (VPL) de cerca de R$ 2 por ação.

Ainda nas projeções dos analistas, a empresa poderá capturar entre R$ 350 milhões e R$ 400 milhões em sinergias em 2025 a 28.

Apesar da avaliação positiva do negócio, o BTG destaca a preferência pela ação da Suzano (SUZB3) em vez da Klabin (KLBN11) no setor de papel e celulose.

O banco possui recomendação neutra para o papel KLBN11 e fixou um preço-alvo de R$ 26 por unit para os próximos 12 meses — implicando em um potencial de alta de 22% em relação ao último fechamento.

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