CVC (CVCB3) divulga prévia de resultados em meio a negociação com credores, mas os números não empolgaram
A última vez em que a CVC divulgou prévia de resultados foi dias antes de a empresa anunciar uma oferta de ações; números vieram abaixo do esperado pelo JP Morgan

Na antessala de uma nova negociação de uma dívida milionária com credores de debêntures, a operadora e rede de agências de turismo CVC (CVCB3) decidiu divulgar uma prévia dos resultados do quarto trimestre. E os resultados não foram dos mais animadores, de acordo com analistas do JP Morgan.
Em primeiro lugar, vale lembrar que a CVC não costuma divulgar prévias de resultados trimestrais. Aliás, a última vez em que isso aconteceu foi dias antes de a empresa anunciar uma oferta de ações, em junho do ano passado.
Seja como for, vamos aos números: o volume de reservas confirmadas da CVC atingiu R$ 3,455 bilhões nos últimos três meses de 2022. Trata-se de um crescimento de 14% em relação ao mesmo período do ano anterior, ainda afetado pela pandemia da covid-19.
O problema é que, na comparação com o terceiro trimestre, as reservas registraram uma queda de 12%. Ou seja, a empresa faturou menos na venda de pacotes de turismo em um período que, em tese, deveria ser sazonalmente melhor com a chegada das férias.
O resultado das reservas no quarto trimestre ainda veio 28% abaixo da estimativa do JP Morgan, que espera uma reação ruim do mercado. De todo modo, como os papéis vêm de queda forte na sexta-feira, é possível que haja uma recuperação no pregão de hoje após a divulgação da prévia.
Para os analistas, contudo, o foco dos investidores neste momento está no desfecho das negociações com os credores. Confira os números da prévia abaixo:
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Janeiro veio forte
Além do quarto trimestre, a CVC divulgou os números de janeiro deste ano, que mostraram um volume de reservas confirmadas de R$ 1,35 bilhão, alta de 90% em relação ao mesmo mês de 2022.
A CVC destaca em particular o resultado da rede de lojas, com um avanço de 132% nas reservas. A empresa atribui o desempenho à troca da plataforma de B2C (venda direta ao consumidor), que agora conta com maior integração dos canais físico e digital. A operadora afirma contar com 35 milhões de clientes cadastrados na plataforma.
Nesse meio tempo, a empresa terá de convencer os credores das debêntures de que essa virada de janeiro veio para ficar. A CVC conta tem R$ 695 milhões em dívidas vencendo nos próximos meses. Nesse contexto, a operadora contratou o banco BR Partners para “assessorar a companhia no reperfilamento de sua dívida a mercado”.
Por sinal, a agência de risco S&P Global decidiu rebaixar a nota de crédito da companhia de "brBB" para "brCCC+". Isso significa um patamar próximo ao nível de calote, de acordo com a escala da agência.
A onda de empresas em dificuldades financeiras, incluindo a CVC, foi o tema desta semana do podcast Touros e Ursos. Aperte o play e confira a nossa análise:
Após a divulgação desta matéria, a CVC encaminhou uma nota à redação do Seu Dinheiro, que você pode ler a seguir:
A CVC Corp recebeu a decisão da agência S&P Global Ratings em alterar sua classificação de risco de crédito num contexto que tem o mercado de crédito adverso e vencimentos de debêntures esse ano. O processo de revisão é rotineiro e retrata as condições atuais de mercado, mas não considera a prévia operacional recém-divulgada pela companhia nesta sexta-feira (3/2).
Nos últimos anos, a CVC Corp tem reduzido seu endividamento bruto consideravelmente, que hoje é cerca de metade daquele observado no encerramento de 2019, sendo compatível com o tamanho da empresa. A CVC Corp atua em conformidade e cumpre plenamente suas obrigações. Por isso, conforme comunicado recente ao mercado, mandatou a BR Partners, Banco de Investimento Independente, para assessorá-la no reperfilamento de sua dívida a mercado. Por fim, a companhia reforça sua confiança no processo de retomada do mercado de turismo a partir do crescimento recorde das vendas registrado no último mês.
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