Calote da Americanas (AMER3) pode custar até 30% do lucro dos grandes bancos no trimestre; veja quem será mais afetado
Provisões dos bancos no próximo balanço com recuperação judicial da Americanas podem chegar a até R$ 8 bilhões, de acordo com a XP

De posse da lista de credores divulgada na manhã desta quarta-feira pela Americanas (AMER3), os analistas da XP fizeram as contas do calote para os cinco principais bancos com ações na B3: Itaú Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil, Santander e BTG Pactual.
E não é por acaso que os bancões estão cobrando furiosamente a varejista. Afinal, a recuperação judicial da Americanas poderá custar até R$ 8 bilhões em provisões às instituições financeiras no próximo balanço, de acordo com a XP.
Ainda não está claro se os bancos vão fazer as provisões já nos resultados do quarto trimestre de 2022 ou se vão deixar para o balanço dos primeiros três meses de 2023.
Seja como for, o impacto da Americanas deve ser maior no BTG, Santander e Bradesco e pode representar entre 20% e 30% do lucro líquido, ainda de acordo a XP.
“Por outro lado, Banco do Brasil e Itaú devem ser os bancos menos afetados (menos de 10% do lucro líquido)”, escreveram os analistas da corretora.
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Exposição dos bancos à dívida da Americanas
A exposição à dívida da Americanas em relação ao tamanho de cada banco explica o impacto maior ou menor da recuperação judicial da varejista nos resultados.
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A forma como cada instituição fará a provisão também pode variar. Os cálculos da XP consideram um cenário em que os cinco bancos vão provisionar 50% da dívida no próximo balanço. Confira a seguir:
| Banco | Dívida Americanas (R$ milhões) | Provisão de 50% (R$ milhões) |
| Itaú Unibanco | 2.767 | 1.384 |
| Bradesco | 4.804 | 2.402 |
| Santander | 3.653 | 1.826 |
| Banco do Brasil | 1.360 | 680 |
| BTG Pactual | 3.508 | 1.754 |
Aliás, a conta total para os bancos ainda pode ser o dobro desse valor, em um cenário no qual eles sejam obrigados a provisionar 100% da dívida nos balanços seguintes.
Além do impacto nos resultados, o calote da Americanas vai afetar os índices de capital, que medem a capacidade dos bancos de fazerem novos empréstimos.
Pelas contas da XP, o efeito pode variar de 0,06 ponto percentual para o Banco do Brasil a 0,51 ponto, no caso do BTG. Mas inicialmente nenhum dos bancos deve ficar desenquadrado a ponto de precisar de mais capital para operar.
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