C&A (CEAB3) dribla ventos contrários do quarto trimestre e ações disparam 15% na bolsa — mas ainda há pontos de atenção
O resultado acima do esperado é ainda mais valorizado diante dos ventos adversos que pressionaram os últimos meses de 2022, como a Copa do Mundo e o frio fora de época

Apesar dos rumores de uma eventual venda e fechamento de capital que de tempos em tempos viram manchete, a C&A (CEAB3) parece não ter se deixado abalar e fez muito bem o seu dever de casa no último trimestre de 2022.
Pelo menos é o que mostram os números do balanço divulgado na noite de ontem (01) e que empolgam o mercado nesta quinta-feira (02).
Por volta das 13h, os papéis CEAB3 apresentavam alta de mais de 15%, a R$ 2,26. Acompanhe a nossa cobertura completa de mercados.
O resultado acima do esperado é ainda mais valorizado diante dos ventos adversos que pressionaram os últimos meses de 2022 — o clima mais frio anormal para o período fez a coleção de verão empacar, a Copa do Mundo fora de época reduziu o fluxo nos shoppings e o cenário macroeconômico mais desafiador que afugenta clientes.
Os números da C&A (CEAB3)
- Lucro líquido: R$ 212,9 milhões, alta de 37,9% na comparação anual
- Ebitda ajustado: R$ 364,3 milhões, alta de 20,1% na comparação anual
- Margem Ebitda ajustada: 18,7%, alta de 2,4 pontos porcentuais.
- Receita líquida: R$ 1,9 bilhão, crescimento de 4,7% ante ao mesmo período do ano anterior.
- Dívida líquida: R$ 468,4 milhões
- Endividamento: 0,9x dívida líquida
O que pensa o mercado?
Para os analistas da XP Investimentos, a melhora da margem bruta é o principal destaque do balanço. Segundo a corretora, a política de preços assertivos, com bom repasse de custos e inflação possibilitaram a recuperação no setor de vestuário.
Já o lucro líquido foi positivamente impactado pelo lançamento de créditos tributários de R4 133 milhões no trimestre.
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Apesar dos ganhos no balanço, o Bradesco BBI está mais cético quanto ao futuro da varejista. Isso porque os analistas acreditam que a melhora vista na margem EBITDA e na dívida líquida foi conquistada pela inclusão de itens não-recorrentes, o que faz com que seja difícil para a companhia sustentar o crescimento no mesmo patamar.
"Estruturalmente, vemos bom progresso nos projetos estratégicos, como a cadeia de produção push & pull (produção baseada na demanda) e na C&A Pay, mesmo com o crescimento das perdas dentro dos serviços financeiros".
De acordo com dados coletados com a plataforma Trademap, das seis recomendações de analistas para os papéis, cinco são neutras e uma de compra. Os preços-alvos vão de R$ 2,10 a R$ 4 — o que indica desde potencial de queda de 5,41% até alta de 80,18%.
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