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Escândalo contábil

Santander (SANB11) e BTG Pactual (BPAC11) podem ser os bancos mais afetados pelo rombo de R$ 20 bi da Americanas (AMER3)

Bradesco BBI estima que impacto do rombo da Americanas pode atingir patrimônio líquido dos bancos para os quais a empresa deve

Lupa destaca site da Americanas.com em tela de computador
Tela do site da Americanas.com - Imagem: Shutterstock

O surpreendente rombo de R$ 20 bilhões no balanço da Americanas (AMER3), divulgado na noite de ontem (11) pela própria companhia, deve provocar um solavanco nos bancos para os quais a varejista deve.

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Para ter uma noção de grandeza, o montante é quase o dobro do valor de mercado da Americanas na B3.

De acordo com o Gustavo Schroden, do Bradesco BBI, o rombo impactaria o patrimônio líquido dos seis bancos que a casa cobre em 4,5%. Mas ele ressalta que, como não está disponível a divulgação sobre a exposição da Americanas dividida por banco, ele decidiu apresentar a exposição de cada banco ao segmento de varejo.

Nesse exercício, Santander (SANB11) e BTG Pactual (BPAC11) são os bancos com maior exposição, com cerca de 7% do total de empréstimos. São eles também os bancos cujas ações mais caem nesta quinta-feira.

Logo atrás, aparecem Itaú (ITUB4) e ABC Brasil (ABCB4), com aproximadamente 3% de exposição ao varejo. Banrisul (BRSR6) e Banco do Brasil (BBAS3) têm cerca de 2%. Vale ressaltar que o Bradesco BBI não cobre o Bradesco (BBDC3) devido a conflito de interesses.

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A Americanas informou que o efeito no caixa é “imaterial”, mas que ainda não é possível determinar todos os impactos nem no balanço nem nos resultados.

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O que provocou o rombo nas Americanas

O comunicado de ontem das Americanas (AMER3) trouxe poucos esclarecimentos e muitas dúvidas sobre o que aconteceu na contabilidade que permitiu um erro tão grotesco. Nesta manhã, a direção realizou uma teleconferência com analistas para esclarecer melhor o ocorrido.

Na reunião, o agora ex-CEO da empresa, Sérgio Rial, disse que as inconsistências estão relacionadas a "risco sacado que não era lançado como dívida". De acordo com o executivo, o problema vem se arrastando por cerca de 7 a 9 anos.

"Basicamente, estamos dizendo que a dívida da companhia é maior", disse Rial. "Os R$ 20 bilhões são a melhor estimativa do que vimos em 9 dias, não chancelados por auditoria", relatou.

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Ele afirmou que parte das inconsistências pode vir a ser lançada como Perdas e Ganhos da empresa no balanço. Rial destacou, ainda, que as incongruências ao reportar a "conta fornecedores" é um problema que se arrasta por todo o setor varejista desde os anos 90, pois há diferentes formas de reportá-la.

O executivo tentou colocar panos quentes na história e reforçou que não há impacto de curto prazo no caixa da empresa - desde que os bancos não queiram acelerar a dívida. Caso isso aconteça, o caso terá de ser judicializado.

Rial afirmou que a Americanas tem R$ 9 bilhões de caixa e é perfeitamente capas de gerar Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de R$ 1,5 a R$ 1,7 bilhão. Porém, ele destacou que a varejista não conseguirá pagar suas despesas financeiras em sua totalidade e, portanto, precisará de injeção de capital.

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