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Shein está dando dor de cabeça para Renner, mas analistas não apostam no domínio do mercado pela marca chinesa; entenda os motivos
A compra de blusinhas virou uma batalha entre Shein e outras redes de varejo de moda, em especial a Lojas Renner (LREN3). Com preços bem abaixo do mercado, a “invasão” da empresa chinesa acirrou a competição com as lojas nacionais. Mas ela seria mesmo capaz de acabar com a Renner? A XP diz que não.
“Apesar de vermos um cenário competitivo mais desafiador à frente, continuamos construtivos com Lojas Renner em meio a tendências de resultados melhores e um valuation atrativo”, escreveram os analistas da XP, em relatório.
Quem já comprou algo na Shein, sabe: o valor é baixo, mas a qualidade costuma ser ainda menor. De acordo com a XP, os preços da varejista chinesa não são tão menores — sendo 25% a 30% mais baratos — a ponto de substituir em definitivo outras empresas, que utilizam materiais melhores.
Esse fator, em conjunto com a preferência das mulheres por uma diversidade de marcas no guarda roupa, coloca a Renner de volta no ringue, de acordo com os analistas.
O tempo de entrega é outro ponto em que as lojas de varejo ganham da Shein. A empresa chinesa demora 14 dias a mais do que a Renner para levar produtos locais ao consumidor. Já para as comprinhas internacionais, o cliente toma um chá de cadeira ainda maior e tem que aguardar 38 dias a mais do que esperaria na rede brasileira, ainda de acordo com a XP.
Os fatores que prejudicam a Lojas Renner na batalha contra a Shein já estão refletidos nas cotações das ações da varejista brasileira, segundo a XP.
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A performance negativa da Renner no acumulado do ano (-20%) comparado com desempenho na Ibovespa (+10%) são resultado do cenário macro deteriorado diante da alta da Selic, na visão dos analistas.
Além disso, o limite nas taxas de juros do crédito rotativo e o possível fim dos benefícios fiscais associados ao JCP (Juros sobre Capital Próprio) e ICMS dificultaram o jogo para a Renner.
O anúncio da isenção de impostos nas compras online internacionais abaixo de US$ 50 também deu uma vantagem adicional para a Shein, contribuindo para os resultados mais fracos da Renner.
Depois de mais de um mês do anúncio do fim da taxação, a equipe econômica já quer voltar atrás. Isso porque o governo precisa arrecadar mais para garantir a meta, definida no arcabouço fiscal, para 2024 de déficit zero nas contas públicas.
O provável fim da isenção trouxe perspectivas positivas para a Lojas Renner. Os possíveis ajustes do congresso à MP sobre os benefícios de ICMS também colaboram para um placar mais favorável para a empresa brasileira.
A corretora prevê uma melhora nos resultados da varejista brasileira a partir do quarto trimestre e atualizou o preço alvo das ações LREN3 para R$ 19. No pregão desta quarta-feira, os papéis da Renner subiam 2,31% por volta das 11h, cotados a R$ 16,39.
Companhia já vinha operando sob restrições desde outubro; no ano passado, a Refit foi alvo de operações da Polícia Federal, acusada de fazer parte de um grande esquema de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro
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