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Na quarta-feira (1), o governo ordenou que a Petrobras suspenda a venda de ativos por 90 dias — uma decisão que arrastou os papéis de empresas do setor e que afetou em cheio os planos da 3R Petroleum
A ordem do governo foi clara: a Petrobras (PETR4) deve suspender a venda de ativos por 90 dias. E o efeito dela também: os papéis da estatal reagiram em queda à demanda federal e arrastaram outras petroleiras, entre elas a 3R Petroleum. Na ocasião, as ações caíram 7% — será que o mercado castigou demais a RRRP3?
O pedido do Ministério de Minas e Energia (MME) veio em razão da reavaliação da Política Energética Nacional atualmente em curso e da instauração de nova composição do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).
Segundo a Petrobras, a ordem respeita as regras de governança da estatal e compromissos assumidos com entes governamentais, "sem colocar em risco interesses intransponíveis da Petrobras".
Se, para a Petrobras, o pedido não tem efeitos mais profundos, o mesmo não pode ser dito da 3R Petroleum.
Segundo Larissa Quaresma, analista da Empiricus, a decisão do governo tem um impacto direto sobre a petroleira — a 3R comprou o Polo Potiguar da Petrobras e aguarda as transferências de licenças para assumir o ativo, o que estava previsto para acontecer no primeiro semestre deste ano.
O Polo Potiguar inclui uma reserva 2P (provadas e prováveis) de 229 milhões de barris de óleo, uma refinaria e um terminal de exportação, dobraria a produção da companhia.
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A analista ressalta, no entanto, que o cancelamento da venda de Potiguar ainda aparece no horizonte.
A 3R assinou o contrato de compra há um ano e inclusive já fez parte do pagamento pelo ativo. Resta somente a transferência das licenças ambientais e concessões de exploração para a companhia, a última etapa da transição operacional do ativo.
“A essa altura do campeonato, reverter esse processo seria ‘rasgar um contrato’ que foi assinado há um ano — e a Petrobras não tem essa tradição, mesmo em meio às várias transições de governo pelas quais a estatal passou”, diz Quaresma.
Para a analista da Empiricus, a penalização do mercado foi severa: as ações da 3R caíram mais 11% no pregão seguinte ao ofício do MME — o papel caiu 18% com o conjunto de notícias sobre o setor, que inclui a redução dos preços da gasolina pela Petrobras e a retomada dos impostos federais sobre os combustíveis.
“[Essa reação] nos parece exagerada”, diz Quaresma.
Segundo ela, os R$ 33 das ações da 3R precificam um cenário em que a companhia pagaria por Potiguar, mas não levaria o ativo para casa. “Isso parece bem improvável”, afirma.
A analista explica que em um cenário no qual a venda do ativo é cancelada, a 3R não pagaria pelo restante do ativo e, provavelmente, a Petrobras teria de ressarcir a companhia pelos pagamentos já realizados.
“O que não seria barato, já que Potiguar foi comprada por US$ 1 bilhão no total”, lembra Quaresma.
A analista da Empiricus trabalha com um cenário-base no qual a 3R terá sucesso na compra do Polo Potiguar ainda que essa possibilidade tenha diminuído.
“Se antes ela era de 90%, agora deve ser algo como 60%”, diz Quaresma.
Em caso de compra do Polo, a Empiricus tem um preço-alvo de R$ 55 para RRRP3, o que representa um potencial de valorização de 69% em relação ao valor atual.
No cenário de não haver sucesso na aquisição, o preço-alvo cai para R$ 45, valor que está 38% acima do preço atual. Por isso, diz Quaresma, a recomendação de compra para RRRP3 foi mantida.
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O balanço da companhia foi aprovado sem ressalvas pela auditoria da KPMG; no entanto, houve o registro de uma “incerteza relevante relacionada com a continuidade operacional da companhia”.
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