A taxa Selic vai cair mais rápido? Presidente do Banco Central diz começar a ver um “pouso suave” no Brasil
Para Roberto Campos Neto, o país começa a ver um pouso suave da atividade e das expectativas de inflação e juros

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou nesta terça-feira (22) que o Brasil começa a ver um pouso suave da atividade e das expectativas de inflação e de juros. Ainda de acordo com ele, o último ciclo de aperto monetário, que começa a ser afrouxado agora com a queda da taxa Selic, foi menos restritivo do que os anteriores.
"Nós começamos a ver um pouso suave", disse ele durante participação em evento do Santander, realizado em São Paulo hoje. "Quando a gente olha a diferença entre taxa de juros nominal agora e a média entre 2011 e 2019, e vemos que outros países subiram muito mais os juros."
Campos Neto reconheceu que as taxas são altas, mas reforçou que os juros reais subiram menos do que em outros países que também apertaram a política monetária após a pandemia da covid-19. Neste cenário, a restrição de crédito no Brasil também foi menor que em outras economias.
O presidente do BC disse que a batalha contra a inflação não está ganha, e que os juros precisam ser restritivos. Entretanto, ele vê uma sincronia de cenários mundo afora. "Podemos estar perto de uma desaceleração de juros global, porque o ciclo de aperto está sincronizado."
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Além da Selic, perspectivas para a inflação global e núcleos
Campos Neto afirmou ainda que a inflação global começa a cair, mas que em vários países, os núcleos dos índices de preços continuam pressionados. De acordo com o dirigente do BC, o cenário na América Latina é diferente, com uma queda rápida da inflação, assim como no Leste Europeu.
"A gente vê a inflação global começando a cair, a parte de energia voltou bastante principalmente na Europa, mas quando a gente olha os núcleos de inflação em geral, os núcleos estão bastante persistentes", declarou.
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Segundo o presidente do BC, em países de economia avançada, a inflação é causada por núcleos que não desaceleraram, enquanto na América Latina e no Leste Europeu, os núcleos tiveram uma queda mais rápida: "A inflação cheia começou a cair mais recentemente no mundo avançado".
Campos Neto disse que os números de países emergentes, exceto a Colômbia, mostram que nos países da América Latina, a composição da inflação é diversa daquela vista nos países desenvolvidos, com os núcleos em queda consistente.
O presidente do Banco Central afirmou que os países que fizeram uma elevação mais forte dos juros começam a ter espaço para reduzi-los. De acordo com ele, isso se traduz em uma redução dos juros futuros. "Em países que elevaram os juros mais forte, a curva de juros já precifica uma queda."
China
Campos Neto destacou ainda que o grande tema econômico global no momento é a atividade na China, puxada para baixo pelo desaquecimento do setor imobiliário. Ainda de acordo com ele, nos países desenvolvidos, o crédito tem desacelerado.
"Vemos a China entrando na área negativa da atividade", disse. "Havia recuperado um pouco na margem, mas os números de China eu acho que têm causado preocupação."
O presidente do BC mencionou que projeções recentes para o PIB chinês indicaram um crescimento próximo a 4%, índice considerado baixo para a segunda maior economia do mundo. Ao mesmo tempo, disse, o desemprego do país asiático subiu rapidamente.
Campos Neto afirmou que a desaceleração tem sido puxada pelo setor imobiliário, que, lembrou ele, tem um peso muito maior na economia chinesa que na brasileira. "O envelhecimento da população é um problema grande na China, e que pela primeira vez eu vejo preocupações", disse ele.
Ele afirmou também que no mundo desenvolvido, no geral, há um freio importante na concessão de crédito, diante da desaceleração da economia e das restrições monetárias.
Por outro lado, Campos Neto argumentou que em países como os Estados Unidos há um descasamento entre as políticas fiscal expansionista e a monetária contracionista. "Tem muito de componente de demanda e excesso de poupança na inflação dos Estados Unidos", disse.
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