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IGUALDADE DE GÊNERO

A derrota dos redpills: Flávio Dino cita Matrix em decisão histórica do STF sobre igualdade salarial entre homens e mulheres

STF validou a lei que garante igualdade salarial entre homens e mulheres; decisão foi unânime e Dino cita Matrix em fala

ministro flávio dino
Ministro Flávio Dino - Imagem: Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil com edição CanvaPro

Com direito a uma menção ao filme Matrix por parte do ministro Flávio Dino, o Supremo Tribunal Federal (STF) validou a lei que garante igualdade salarial entre homens e mulheres. A decisão foi unânime.

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A Lei 14.611 de 2023, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, obriga empresas a garantirem os salários iguais para homens e mulheres que exercem a mesma função.

A lei de igualdade salarial

A norma alterou a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) para definir que as empresas deverão pagar multa de dez vezes o valor do salário em caso de discriminação salarial por motivo de gênero.

Além disso, a legislação determina a divulgação semestral de relatórios de transparência salarial por empresas com mais de 100 empregados.

Os ministros julgaram três ações: uma ação declaratória de constitucionalidade (ADC), protocolada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) para garantir a aplicação da lei, e duas ações diretas de inconstitucionalidade (ADI), impetradas pela Confederação Nacional de Indústria (CNI) e pelo Partido Novo contra a norma.

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Os votos dos ministros

O relator do caso, Alexandre de Moraes, votou pela constitucionalidade da lei e citou a existência de diversas regras internacionais da Organização das Nações Unidas (ONU), que determinam a igualdade de remuneração entre homens e mulheres.

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O ministro também ressaltou que a Constituição brasileira determina a construção de uma sociedade livre, justa e solidária.

"Não é possível a construção de uma sociedade livre, justa e solidária se houver discriminação de gênero entre mulheres e homens, sendo que mulheres são 51,5% da população brasileira", afirmou.

Todos os demais ministros seguiram o relator. O resultado foi unânime: 10 x 0.

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O que disse Cármen Lúcia, a única ministra da Corte

Única ministra da Corte, Cármen Lúcia afirmou que a lei deu efetividade jurídica ao direito constitucional à igualdade, mas ponderou que a norma ainda é insuficiente.

"O preconceito não passa. O preconceito contra a mulher continua na ordem do dia da maneira mais perversa e cruel. Falo de cátedra. Todas nós mulheres passamos de uma forma ou de outra", disse.

A ministra ainda parafraseou a escritora Carolina Maria de Jesus ao comentar que "antigamente o que oprimia era a palavra calvário, agora é o salário".

"O preconceito é no olhar, em uma palavra, no riso debochado, em um tipo de desvalor para além daquele que é escancarado", completou.

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Flávio Dino cita redpills em fala

Já o ministro Flávio Dino disse que ainda há desafios para concretização dos direitos das mulheres, como o combate a discursos misóginos, entre os quais, cursos para "ensinar homens e serem homens" e ações do movimento redpill, que prega a crença de que mulheres manipulam e exploram os homens.

"Os desafios se expressam na epidemia de estupros e feminicídios, na existência da proliferação de discursos misóginos, que estão não só na internet, mas que estão também em exotismos, como cursos ensinando homens a serem homens, quando nós sabemos que, subliminarmente, o discurso é no sentido de que haveria aquilo que, por conta da obra cinematográfica Matrix, se convencionou chamar de movimento redpill. Então, seria a pílula da verdade, a mostrar que os homens estariam sendo escravizados pelas mulheres", comentou.

Os demais votos pela constitucionalidade da matéria foram proferidos pelos ministros Cristiano Zanin, André Mendonça, Luiz Fux, Dias Toffoli, Gimar Mendes, Edson Fachin e Nunes Marques.

*Sob supervisão de Ricardo Gozzi.

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**Com informações da Agência Brasil.

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