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André Farber, presidente da varejista, afirmou que empresas nacionais seguem em desvantagem tributária diante de plataformas asiáticas como Shein e Shopee

O fim da chamada “taxa das blusinhas” voltou a colocar o varejo brasileiro em estado de alerta. A decisão do governo de zerar o imposto de importação de 20% para compras internacionais de até US$ 50 reacendeu o temor de empresas nacionais de perder ainda mais espaço para plataformas asiáticas como Shein, Shopee, Temu e AliExpress.
Entre as companhias mais expostas ao movimento está a Riachuelo (RIAA3). Em nota enviada ao Money Times, o CEO da varejista, André Farber, afirmou que a discussão vai além da simples retirada de um tributo.
Segundo ele, a medida representa um incentivo indireto à indústria chinesa dentro do mercado brasileiro, enquanto empresas locais seguem operando em desvantagem competitiva. Farber destacou ainda que o Brasil possui a única cadeia têxtil completa do Ocidente e que o setor não pode ser tratado como descartável.
O executivo argumenta que não há competição equilibrada quando empresas instaladas no país arcam com custos elevados de produção, tributação e encargos trabalhistas, enquanto operações de cross border conseguem acessar o consumidor brasileiro em condições mais favoráveis.
“Atualmente, quem produz no Brasil paga 35% de imposto de importação, além de 11,25% de PIS/Cofins e toda a carga tributária e trabalhista local”, afirmou.
Farber também ressaltou o peso econômico do setor têxtil nacional, que reúne cerca de 18 milhões de empregos e 1,9 milhão de CNPJs, majoritariamente de micro e pequenas empresas. Na visão dele, a retirada da tarifa dificulta ainda mais a sobrevivência da indústria local.
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“Entendemos que o consumidor busca preços acessíveis, mas sem emprego e renda não existe consumo sustentável”, disse.
A Lojas Renner (LREN3) também criticou a decisão. Em nota, a varejista afirmou que a medida amplia o desequilíbrio tributário entre empresas que operam no Brasil e plataformas estrangeiras que vendem diretamente ao consumidor brasileiro.
Para a companhia, todos os agentes que atuam no mercado nacional deveriam seguir as mesmas regras tributárias e regulatórias, garantindo condições isonômicas de concorrência.
A Renner argumenta ainda que, se empresas estrangeiras passam a contar com isenção de tributos federais, o mesmo benefício deveria valer para as companhias instaladas no país.
A discussão sobre a “taxa das blusinhas” ganhou força ainda no início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando o crescimento acelerado das plataformas asiáticas passou a pressionar o varejo local.
Antes da tributação entrar em vigor, consumidores brasileiros aproveitavam os preços mais baixos de produtos importados, beneficiados pela isenção em compras de pequeno valor.
Desde 2024, essas encomendas passaram a ser taxadas em 20%, além da incidência de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), o que levava a uma carga total próxima de 40% a 50%, dependendo do estado e da categoria do produto.
Na avaliação do BTG Pactual, a decisão recoloca no centro do debate a assimetria competitiva entre varejistas brasileiras e marketplaces asiáticos.
Os analistas do banco lembram que, antes da taxação, o Brasil chegou a receber mais de 18 milhões de encomendas internacionais de baixo valor por mês.
Após a cobrança do imposto, esse volume caiu para cerca de 11 milhões mensais no fim de 2024, mas voltou gradualmente para uma faixa entre 15 milhões e 17 milhões, impulsionado pelos subsídios oferecidos pelas plataformas e por avanços logísticos.
Para o BTG, a retirada da tarifa pode acelerar novamente o crescimento das importações, especialmente em categorias como vestuário, acessórios, beleza e itens para casa.
O banco também avalia que a reversão da taxação tende a restaurar parte da vantagem estrutural historicamente desfrutada pelas plataformas de comércio transfronteiriço.
Embora empresas estrangeiras ainda enfrentem desafios no Brasil, como logística complexa, volatilidade cambial e prazos de entrega mais longos, os analistas enxergam um cenário mais difícil para varejistas expostas ao consumidor de renda média e baixa, com menor capacidade de repassar preços.
Segundo o BTG, a dinâmica é particularmente relevante para companhias como Lojas Renner, C&A (CEAB3) e Riachuelo.
*Com informações do Money Times
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