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A mente humana está sempre intrigada por aquilo que não consegue compreender totalmente — talvez venha daí o fascínio que muitos possuem pelas ilusões de ótica.
Existem diversas explicações científicas para explicar o porquê de o nosso cérebro ser enganado por um simples pedaço de papel, mas para manter as coisas diretas, digamos que essas justificativas podem ser divididas em dois tipos.
A primeira é que algumas imagens são construídas de forma a causar as sensações de estranheza e ilusão, enquanto a segunda é completamente baseada em nossas percepções cognitivas. Ou seja: o combustível para a análise, nesses casos, é apenas o nosso conhecimento pré-estabelecido de realidade e de mundo.
Interpretar o resultado de uma reunião de política monetária — seja do Federal Reserve, nos Estados Unidos, ou do Banco Central brasileiro — é, muitas vezes, como tentar extrair a verdade de uma imagem que prega peças em nossos olhos. Pegue, por exemplo, o comunicado da reunião que elevou os juros americanos em 0,25 ponto percentual, emitido hoje pelo Fed.
Onde muitos viram um sinal de que o ciclo de aperto monetário chegou ao fim, outros enxergaram uma porta aberta para novas elevações. Onde alguns viram chances de corte nos juros, outros revisaram os modelos para uma taxa básica abaixo de 5% apenas em 2024.
Muitas vezes nem mesmo instruções claras são capazes de mudar o que os olhos enxergam.
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É só olhar mais uma vez para Wall Street: mesmo com Jerome Powell, presidente do BC dos EUA, dizendo com todas as letras que um corte de juros é inadequado diante dos dados inflacionários atuais, boa parte do mercado ainda precifica uma queda na taxa básica para compensar uma crise mais ampla.
Na bolsa de valores, os índices acabam sendo apenas reflexos do cabo de guerra entre as duas pontas e, por hoje, os menos otimistas levaram a melhor — apagando completamente os ganhos exibidos até o início da fala de Powell.
Apesar do clima de cautela em Nova York e de mais um dia de forte baixa no preço do barril de petróleo — o que pressiona as ações das petroleiras —, o Ibovespa encerrou a sessão em queda mais contida, de 0,13%, aos 10.797 pontos.
Com uma recessão potencialmente próxima, o dólar à vista também sofreu. A moeda americana teve uma desvalorização de 1,09%, a R$ 4,9919, voltando a fechar abaixo da casa dos R$ 5.
Para amanhã, o mercado brasileiro tem uma nova imagem para analisar — a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC de manter a taxa Selic na casa dos 13,75% ao ano.
Veja tudo o que movimentou os mercados nesta quarta-feira, incluindo os principais destaques do noticiário corporativo e as ações com o melhor e o pior desempenho do Ibovespa.
TROCA NA GESTÃO
Sob nova direção, fundo imobiliário acionista da Gramado Parks revela queda de 98,6% no valor da companhia após remarcação. O FII comunicou que a empresa, que é seu único ativo e está em recuperação judicial, foi remarcada de acordo com as demonstrações financeiras do ano passado.
NOVA ESTRUTURA
Marisa (AMAR3) anuncia reorganização com meta de economizar R$ 50 milhões por ano; saiba o que muda na varejista. A economia potencial vem em boa hora, já que a companhia encerrou o ano passado com um endividamento líquido de R$ 560 milhões.
DECEPÇÃO
Carrefour tem “BIG” prejuízo no 1T23, e ações levam tombo na B3; veja a reação ao balanço. Resultado negativo foi o primeiro do grupo francês desde que abriu o capital na B3.
RESULTADO FINANCEIRO
Gerdau tem lucro acima do esperado no 1T23 e anuncia dividendos; veja a reação das ações e dos analistas aos números. A Gerdau e a Metalúrgica Gerdau anunciaram, juntas, o pagamento de mais de R$ 1,2 bilhão em proventos aos acionistas.
OPERAÇÃO VENIRE
Bolsonaro sofre buscas da Polícia Federal com autorização de Alexandre de Moraes; ex-auxiliar Mauro Cid é um dos presos. As ordens foram expedidas no bojo do inquérito das milícias digitais, que tramita sob relatoria do ministro do STF.
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