Seis fundos imobiliários recuam com recuperação judicial da Gramado Parks, empresa que deu calote em CRIs
A Justiça do RS determinou que a estruturadora dos títulos devolva os recebíveis da companhia e suspendeu a execução de garantias dos ativos

O alívio para os fundos imobiliários (FIIs) vítimas de calotes de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) ligados ao grupo Gramado Parks (GPK) não durou muito tempo. Pouco mais de duas semanas após a empresa desistir de um processo de tutela cautelar, três holdings do grupo entraram em recuperação judicial e tiveram os pagamentos a credores novamente suspensos.
A Vara Regional Empresarial da Comarca de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, aceitou o pedido de RJ da empresa e determinou ainda que a estruturadora dos CRIs, a Forte Securitizadora (Fortesec), devolva recebíveis vindos de empreendimentos do grupo.
A companhia fazia mensalmente o repasse de quase todos seus recebíveis à Fortesec e ficava com os excedentes para custear a operação. Mas, com a alta dos juros e uma queda na receita, a companhia alega que as sobras não são suficientes para cobrir as despesas e manter a liquidez do caixa.
Vale destacar que esses recebíveis são posteriormente repassados para fundos imobiliários que investem nos títulos de dívida da empresa.
No caso da Gramado Parks, seis fundos já confirmaram ter CRIs do grupo no portfólio: Devant Recebíveis Imobiliários (DEVA11), Hectare CE (HCTR11), Tordesilhas EI (TORD11), Versalhes RI (VSLH11), Banestes RI (BCRI11) e Kilima Volkano RI (KIVO11).
Além disso, dois desses ativos, HCTR11 e TORD11 também estão expostos à companhia de outra forma. Ambos detêm cotas do FII Serra Verde (SRVD11), que é acionista da Gramado Parks. Confira como as cotas dos fundos reagem à notícia por volta das 16h30:
Leia Também
- BCRI11: -0,52%
- DEVA11: -2,85%
- HCTR11: -0,87%
- KIVO11: -0,18%
- TORD11: -1,81%
- VSLH11: -1,66%
Execução de garantias suspensa
É importante relembrar que títulos desse tipo possuem garantias, como quotas de empresas e imóveis, que podem ser acionadas em momentos como este.
Mas a decisão também impede a securitizadora de executar essas garantias por enquanto. A Fortesec e outros credores têm um prazo de 30 dias para apresentarem suas habilitações de crédito à administradora judicial do processo, RDV Administração de Falências e Recuperações Judiciais.
A Gramado Parks, por outro lado, deve entregar um plano de recuperação em até 60 dias. Os credores terão outros 30 dias para manifestarem objeções a respeito da proposta da companhia.
Procurado, o grupo GPK informou que a recuperação judicial "garante a preservação das atividades e dos mais de 2.000 empregos gerados pelo grupo, enquanto será preparado um plano de pagamento dos credores".
"Informamos que já estamos em contato com nossos principais credores, buscando uma solução célere para a reestruturação, de modo a não afetar os postos de trabalho e o normal funcionamento das atividades", diz a nota enviada ao Seu Dinheiro.
Fundos imobiliários estão ligados a securitizadora e devedores
Por falar em credores, um deles está indiretamente ligado à companhia e a alguns dos fundos imobiliários que têm CRIs da Gramado Parks na carteira.
As gestoras dos FIIs DEVA11, HCTR11, TORD11 e VSLH11 — Devant Asset, Hectare e RCAP Asset — fazem parte da holding RTSC, que investe em diversas empresas do mercado financeiro.
O grupo também é controlador indireto da Fortesec, emissora dos títulos de dívida. Além disso, a RCAP Asset também é responsável pela gestão do SRDV11, acionista da Gramado Parks.
Questionada a respeito do tema, a holding RTSC informou que, se houver um posicionamento oficial sobre o tema, ele será feito por meio da Fortesec. Já a securitizadora destaca, em nota, que a recuperação judicial afeta apenas um dos CRIs emitidos pela empresa: o Brasil Parques, com montante atual de R$ 266 milhões.
"Sobre a decisão judicial, a Fortesec a classifica como bastante frágil juridicamente, pois contraria a jurisprudência consolidada e viola diversas garantias legalmente constituídas". A empresa relembra ainda que os CRIs são estruturados com base em recursos antecipados às devedoras e que "agora precisam ser devolvidos aos investidores".
"Se a decisão for mantida, ao contrário de salvar as empresas, os efeitos da RJ causarão insegurança jurídica em todo o mercado e impedirão que novas operações sejam realizadas (inclusive pelas recuperandas), pois os investidores não confiarão nas garantias oferecidas", argumenta a Fortesec.
Procuramos também as gestoras dos fundos mencionados e o texto será atualizado caso tenhamos retorno das companhias.
AS 3 ESTAÇÕES
Ganho de até 50% em dólares: as ações que florescem na primavera da bolsa brasileira
22 de outubro de 2026 - 19:45MUDOU A META?
Meta (META) cai mais de 7% após balanço; veja 3 pontos para prestar atenção, segundo o Safra
22 de outubro de 2026 - 14:32PODCAST TOUROS E URSOS
Crescimento à vista? As oportunidades que podem surgir na bolsa e na renda fixa após as eleições
22 de outubro de 2026 - 11:00ENTRE CHIPS E TIJOLOS
A corrida da IA precisa de imóveis para data centers. E isso pode abrir espaço — e riscos — para os FIIs
21 de outubro de 2026 - 15:30ORGANIZANDO A CASA
Gigante à vista: Patria fica a um passo de unir quatro fundos imobiliários (FIIs) em um só
21 de outubro de 2026 - 11:20DECOLOU
SpaceX salta 10% após balanço, mas duas linhas do resultado servem para manter investidores ‘com os pés no chão’, diz BTG
21 de outubro de 2026 - 11:17É COMPRA
XP dá sinal verde para fundo imobiliário e recomenda compra — mas com uma ressalva
20 de outubro de 2026 - 15:07ESG
B3 realiza 2ª edição de toque de campainha dedicado à filantropia para levar a causa para dentro das empresas
20 de outubro de 2026 - 13:32DEPOIS DO TOMBO
Com queda de 30% em 2026, TRXF11 quer recomprar cotas, mas um ‘detalhe’ pode limitar a operação
20 de outubro de 2026 - 12:32MERCADOS HOJE
3 mil pontos em 13 minutos: o gatilho que disparou o Ibovespa antes da eleição
20 de outubro de 2026 - 12:04BILHÕES NO RALO
“O investidor trocou Vale por Petrobras”: a combinação que faz a mineradora perder R$ 24 bilhões enquanto o Ibovespa festeja
20 de outubro de 2026 - 10:29FOME RENOVADA
TRXF11 coloca maior centro de distribuição do Mercado Livre (MELI34) na carteira por R$ 250 milhões — mas volta atrás em outro negócio
19 de outubro de 2026 - 10:07'NÃO É HORA DE VENDER'
Ibovespa a 240 mil pontos? Inter explica por que ainda vê espaço para a bolsa subir
18 de outubro de 2026 - 15:30MOVIMENTOS TÁTICOS
Estrangeiros despejam R$ 19 bilhões na bolsa em outubro; desafio agora é transformar aposta eleitoral em fluxo permanente
17 de outubro de 2026 - 12:11RESUMO SEMANAL
Petrobras (PETR4) sobe mais de 6% e escapa do tombo do Ibovespa; veja o que movimentou a bolsa na semana
17 de outubro de 2026 - 9:58MUDANÇA DE ARES
Brasil é a melhor escolha na América Latina: BTG zera posição em Argentina e aposta em oito ações brasileiras
16 de outubro de 2026 - 19:27UM TEMPERO EXTRA
Não é só o rali eleitoral: BTG tem mais motivos para recomendar C&A (CEAB3), XP (XPBR31), Cyrela (CYRE3) e estas outras ações
16 de outubro de 2026 - 18:28DEPOIS DA FESTA
Ibovespa a 240 mil pontos? Mesmo após o rali eleitoral com Flávio Bolsonaro, Inter e Citi ainda veem espaço para a bolsa subir
16 de outubro de 2026 - 14:00TOUROS E URSOS #292
Juros altos vieram para ficar? Gestor da XP diz que investidor terá de reaprender a investir em um novo mundo
16 de outubro de 2026 - 12:17TARDE DEMAIS?