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O Santander Brasil também deve mostrar uma leve melhora na rentabilidade (ROE), mas ainda distante de Itaú e Banco do Brasil
A temporada de balanços do segundo trimestre já começou, mas ainda sem uma divulgação de peso até agora. Isso mudará na manhã desta quarta (26), com o Santander Brasil (SANB11) reportando seus números para o período — mas com dados que não devem ser particularmente animadores.
O Seu Dinheiro entrou em contato com sete grandes casas de análise, e todas são unânimes: o lucro do Santander será significativamente menor do que o visto há um ano. A média das projeções aponta para um ganho de R$ 2,468 bilhões, o que, se confirmado, representa uma queda de 39,6% na base anual.
É um desempenho que pode chocar, dado o tamanho da contração, mas que não chega a surpreender. Entre os analistas, o consenso é o de que o balanço do Santander até pode mostrar uma melhora qualitativa, mas ainda com inadimplência em alta e expansão fraca da carteira de crédito.
E mais: há uma série de dúvidas quanto ao impacto de algumas notícias que agitaram o banco — com destaque para a venda da Webmotors e as provisões ligadas à decisão do STF quanto à incidência de PIS e Cofins sobre receitas financeiras; o Santander estima um impacto de R$ 4,2 bilhões antes de impostos.
No lado da rentabilidade, a situação é a de "copo cheio ou copo vazio". Otimistas podem apontar uma expectativa de melhora sequencial do ROE; pessimistas tendem a enxergar os níveis ainda próximos dos 10%, bem abaixo de Itaú Unibanco e Banco do Brasil. Veja abaixo um resumo das projeções para o lucro:
Projeções de lucro líquido para o Santander Brasil (SANB11) no 2T23 (em R$ milhões):
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| Instituição | Santander Brasil estimativas de lucro no 2T23 (em R$ mi) |
| BTG Pactual | 2.784 |
| Santander | -- |
| Itaú BBA | 2.33 |
| Inter | 2.457 |
| UBS BB | 2.271 |
| XP | 2.537 |
| Goldman Sachs | 2.431 |
| Média das projeções | 2.468 |
| Santander Brasil no 2T22 | 4.084 |
| Variação a/a | -39,6% |
Em relatório, o UBS BB diz esperar por resultados "nebulosos" por parte do Santander Brasil. Além das duas questões já citadas, o banco suíço prevê que, no lado operacional, a carteira de empréstimos deverá mostrar uma expansão fraca, com alguma deterioração na qualidade dos ativos e risco ainda elevado.
"As margens (de clientes e mercado) podem ter uma pequena melhora sequencial, e a taxa de juros efetiva deve permanecer anormalmente baixa", escreve a equipe de analistas liderada por Thiago Batista, afirmando, ainda, que o Santander pode mostrar uma piora nos números de inadimplência.
Questões semelhantes são levantadas pelo Inter. Em relatório, o banco também diz esperar por um aumento no chamado NPL (non-performing loan, ou crédito não produtivo — um eufemismo para 'calotes'). Apesar disso, a dinâmica do dado da inadimplência pode trazer consigo fatores animadores.
"Podemos ver um sinal positivo na formação da inadimplência do banco, que deve continuar
mostrando efeitos positivos de renegociações, pé no freio nas concessões e mix de carteira mais
colateralizado do que safras passadas", escreve Matheus Amaral, analista do Inter.
Quanto à questão da decisão do STF, Amaral diz que há uma incerteza no ar: espera-se que o Santander Brasil provisione a cifra de R$ 4,2 bilhões, mas não se sabe como esse processo se dará — talvez a medida seja tomada apenas em balanços futuros.
No campo da rentabilidade (ROE) do Santander Brasil, todos os analistas consultados pelo Seu Dinheiro esperam uma melhora tímida em relação ao primeiro trimestre deste ano: a média das projeções é de 11,6%, nível 1 ponto percentual (p.p.) acima dos 10,6% vistos entre janeiro e março.
Ainda assim, estamos falando de patamares bem abaixo de Itaú e Banco do Brasil, cuja rentabilidade gira na casa dos 20% — vale lembrar que, num passado não tão distante, o Santander brigava de igual para igual com o Itaú.
Projeções de rentabilidade (ROE) para o Santander Brasil (SANB11) no 2T23
| Instituição | Santander Brasil estimativas de rentabilidade no 2T23 |
| Santander | -- |
| Itaú BBA | 11,4% |
| Inter | 12,0% |
| UBS BB | 10,9% |
| XP | 11,5% |
| Goldman Sachs | 11,8% |
| Média das projeções | 11,6% |
| Santander Brasil no 1T23 | 10,6% |
| Variação t/t | +1 p.p. |
"O Santander deve ser um destaque negativo, com um ROE de 11% e resultados ligeiramente melhores, mas com pouca expansão da carteira de empréstimos, margem financeira (NII) fraca e inadimplência em alta", escreve a equipe de analistas do Itaú BBA, liderada por Pedro Leduc.
O balanço do Santander no segundo trimestre de 2023 será divulgado amanhã, antes da abertura dos mercados; a teleconferência com analistas e investidores está prevista para 10h.
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