Ouro rompe US$ 2 mil e Treasury supera 5% pela primeira vez em 16 anos — o que está por trás das máximas dos ativos mais seguros?
Não é só o conflito entre Israel e o Hamas o único motivo para a forte reação dos ativos considerados como abrigo em momentos de incerteza; descubra o que mais mexe com os mercados ao redor do mundo

Quando o Hamas lançou um ataque contra Israel em 7 de outubro, os especialistas ao redor do mundo começaram a tentar medir as potenciais bombas que poderiam estourar nos mercados financeiros. Na linha de frente estava o petróleo, mas outras commodities como o ouro também foram chamadas para essa batalha.
Depois de 13 dias, os investidores assistem ao petróleo caminhar para os US$ 100 o barril — um patamar que estava distante até o agravamento do conflito no Oriente Médio — o ouro romper a barreira dos US$ 2 mil por onça-troy e os Treasurys, como são conhecidos os títulos de dívida do governo dos EUA, beliscarem os 5%.
“Em primeiro lugar, era esperado que os traders voltassem para os portos seguros tradicionais. Desde o início do conflito era esperado que os bonds registrassem uma recuperação à medida que os investidores tentam preservar o capital no meio da agitação geopolítica”, disse o analista da FX Empire, James Hyerczyk.
- VEJA TAMBÉM: conflito no Oriente Médio pode fazer essa petroleira disparar até 70% na Bolsa (não é Petrobras); saiba como investir
O ouro e o petróleo
A disparada dos preços do petróleo era esperada, já que o confronto entre Israel e Hamas acontece no quintal de grandes produtores de petróleo, entre eles, Arábia Saudita e o Irã.
O temor de que o conflito se espalhe pela região tem sido o combustível para o avanço dos preços da commodity nas últimas duas semanas.
“A escalada de tensão que provavelmente veremos em relação à entrada das Forças de Defesa de Israel em Gaza neste fim de semana significa que o risco para o petróleo é de preços mais elevados”, disse o analista do IG, Tony Sycamore, para a CNBC.
Leia Também
Em relação ao ouro, o analista sênior da Oanda, Craig Erlam, chama atenção para o fato de o movimento do ouro agora não ter sido visto nos últimos anos, um movimento, segundo ele, fomentado pela aversão ao risco.
“O ouro é um ativo considerado abrigo em tempos de tensão e incerteza. Será interessante observar se os preços do ouro vão continuar subindo nas próximas semanas e meses, especialmente se os yields [rendimentos] dos Treasurys também avançarem. A questão para muitos traders será: esse é um movimento sustentável?”, questiona Erlam.
Há pouco, os futuros do ouro para dezembro subiam 1%, cotados a US$ 2.000 por onça-troy. Já o petróleo tipo Brent, a referência do mercado internacional e da Petrobras (PETR4), opera na casa de US$ 93.
PODCAST TOUROS E URSOS - Israel em chamas: o impacto do conflito com Hamas nos investimentos
E os Treasurys?
Os yields dos Treasurys de 10 anos — considerados um dos ativos mais seguros do mundo e usados com referência no mercado — ultrapassaram os 5% pela primeira vez em 16 anos na quinta-feira (19).
Por volta de 18h (de Brasília) de ontem, os juros projetados por esses títulos atingiram 5,001% — a primeira vez que foi negociado acima desse nível desde julho de 2007. No início da tarde de hoje, no entanto, era negociado a 4,91%.
Além de ser considerado um abrigo em momentos de incerteza com a guerra entre Israel e o Hamas, a disparada dos yields dos Treasurys está ligada, principalmente, à política monetária norte-americana.
Isso porque a expectativa é de que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) mantenha a taxa de juros mais elevada por mais tempo do que o antecipado anteriormente.
“Os yields continuam marchando em alta, mas o motivo segue o mesmo: a resiliência econômica e a consequente porta aberta para uma taxa básica mais elevada como motor”, disse o estrategista sênior do ING, Benjamin Schroeder.
O mercado de Treasurys de US$ 25 trilhões é considerado a base do sistema financeiro global, e a disparada dos yields já tem efeitos abrangentes.
O S&P 500, por exemplo, caiu cerca de 7% em relação às máximas do ano, à medida que a promessa de rendimentos garantidos sobre a dívida do governo dos EUA afasta os investidores das ações.
As taxas hipotecárias, por sua vez, estão nos níveis mais altos dos últimos 20 anos, pesando sobre os preços dos imóveis. Sem falar no encarecimento dos juros do cartão de crédito e do financiamento de veículos, por exemplo.
Vale lembrar que o fato de Japão e China, dois detentores pesados da dívida norte-americana, engrossam esse movimento, inundando o mercado de Treasurys ao vender esses papéis para defender suas moedas e como estratégia econômica.
BALANÇO DO MÊS
Só deu ouro em agosto: metal precioso e ‘ouro digital’ entregaram até 25% de retorno no mês, deixando a renda fixa comendo poeira
31 de agosto de 2026 - 18:45BTG PACTUAL MACRO DAY 2026
Mercado aposta que nada vai melhorar no Brasil. É justamente por isso que gestores estão comprando renda fixa
31 de agosto de 2026 - 17:45RETOMADA À VISTA?
Mercado de capitais pode voltar a esquentar — e Itaú BBA indica esta ação para ganhar com a virada
31 de agosto de 2026 - 16:42RADAR DE FIIS
TRX dá mais um passo atrás e desiste de aquisição de cinco imóveis da Cyrela (CYRE3), incluindo prédio alugado pelo Nubank
31 de agosto de 2026 - 10:04TOUROS E URSOS #285
Nem bolsa, nem dólar: este é o ativo “à prova de balas” para atravessar as eleições 2026, segundo gestor do ASA
30 de agosto de 2026 - 11:03GRINGO COMPRA, BRASILEIRO FOGE
Ibovespa voltou com tudo? Bolsa brasileira atrai R$ 3,2 bilhões na semana e desbanca S&P 500, México e Coreia do Sul
28 de agosto de 2026 - 19:20TOUROS E URSOS #285
Lula ainda não ganhou e eleição segue em 50/50, diz CIO do ASA; veja como investir sem apostar em um candidato
28 de agosto de 2026 - 14:23FII
TRXF11 desiste de compra de imóveis de quase R$ 1 bilhão, incluindo ‘prédio do gramado’ na Faria Lima; cotistas comemoram
27 de agosto de 2026 - 19:40NA CONTRAMÃO?
UBS BB ignora debandada estrangeira na bolsa e vê salto de 17% para B3 (B3SA3); entenda a tese por trás da recomendação
27 de agosto de 2026 - 18:00FUGA DA INDÚSTRIA
TAG Investimentos: o que levou a gestora de R$ 18 bilhões a desistir totalmente dos fundos multimercados?
27 de agosto de 2026 - 17:01PODCAST TOUROS E URSOS
Eleições 2026: com disputa acirrada entre Lula e Flávio, é hora de fugir da bolsa e comprar dólar?
27 de agosto de 2026 - 15:31APÓS CAPTAÇÃO BILIONÁRIA
BTLG11 desembolsa R$ 375 milhões por galpão logístico em São Paulo e vê espaço para elevar aluguel; confira os detalhes da operação
27 de agosto de 2026 - 10:18ENTREVISTA EXCLUSIVA
EXES11 quer crescer: de olho na liquidez, FII faz oferta de cotas inusitada e sem diluição de cotistas
27 de agosto de 2026 - 10:04GANHANDO PESO
VISC11 quer mais caixa e menos alavancagem: entenda por que o FII de shoppings buscou uma ‘gordurinha extra’
27 de agosto de 2026 - 6:03NA FRENTE DE PETR4 E VALE3
Ambev (ABEV3) desbanca gigantes como a ação mais negociada da B3 por um grupo de investidores; descubra qual
25 de agosto de 2026 - 19:41A BOLSA NA LUPA
Fundos estão baratos na bolsa? BTG vê janela de oportunidades após queda e indica em quais investir
25 de agosto de 2026 - 16:01R$ 306 BILHÕES EVAPORARAM
É o fim da sangria? Por que ainda não é hora para otimismo com a bolsa brasileira, segundo especialistas
25 de agosto de 2026 - 13:06RANKING
Moody’s elege as gestoras mais consistentes nos últimos três anos: veja quem entregou resultado sem exagerar no risco
24 de agosto de 2026 - 19:42ELEIÇÕES 2026
Lula x Flávio Bolsonaro: como a disputa presidencial e o nó fiscal vão ditar o rumo dos investimentos
24 de agosto de 2026 - 17:03RECOMENDAÇÃO NEUTRA