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Não é só o conflito entre Israel e o Hamas o único motivo para a forte reação dos ativos considerados como abrigo em momentos de incerteza; descubra o que mais mexe com os mercados ao redor do mundo
Quando o Hamas lançou um ataque contra Israel em 7 de outubro, os especialistas ao redor do mundo começaram a tentar medir as potenciais bombas que poderiam estourar nos mercados financeiros. Na linha de frente estava o petróleo, mas outras commodities como o ouro também foram chamadas para essa batalha.
Depois de 13 dias, os investidores assistem ao petróleo caminhar para os US$ 100 o barril — um patamar que estava distante até o agravamento do conflito no Oriente Médio — o ouro romper a barreira dos US$ 2 mil por onça-troy e os Treasurys, como são conhecidos os títulos de dívida do governo dos EUA, beliscarem os 5%.
“Em primeiro lugar, era esperado que os traders voltassem para os portos seguros tradicionais. Desde o início do conflito era esperado que os bonds registrassem uma recuperação à medida que os investidores tentam preservar o capital no meio da agitação geopolítica”, disse o analista da FX Empire, James Hyerczyk.
A disparada dos preços do petróleo era esperada, já que o confronto entre Israel e Hamas acontece no quintal de grandes produtores de petróleo, entre eles, Arábia Saudita e o Irã.
O temor de que o conflito se espalhe pela região tem sido o combustível para o avanço dos preços da commodity nas últimas duas semanas.
“A escalada de tensão que provavelmente veremos em relação à entrada das Forças de Defesa de Israel em Gaza neste fim de semana significa que o risco para o petróleo é de preços mais elevados”, disse o analista do IG, Tony Sycamore, para a CNBC.
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Em relação ao ouro, o analista sênior da Oanda, Craig Erlam, chama atenção para o fato de o movimento do ouro agora não ter sido visto nos últimos anos, um movimento, segundo ele, fomentado pela aversão ao risco.
“O ouro é um ativo considerado abrigo em tempos de tensão e incerteza. Será interessante observar se os preços do ouro vão continuar subindo nas próximas semanas e meses, especialmente se os yields [rendimentos] dos Treasurys também avançarem. A questão para muitos traders será: esse é um movimento sustentável?”, questiona Erlam.
Há pouco, os futuros do ouro para dezembro subiam 1%, cotados a US$ 2.000 por onça-troy. Já o petróleo tipo Brent, a referência do mercado internacional e da Petrobras (PETR4), opera na casa de US$ 93.
Os yields dos Treasurys de 10 anos — considerados um dos ativos mais seguros do mundo e usados com referência no mercado — ultrapassaram os 5% pela primeira vez em 16 anos na quinta-feira (19).
Por volta de 18h (de Brasília) de ontem, os juros projetados por esses títulos atingiram 5,001% — a primeira vez que foi negociado acima desse nível desde julho de 2007. No início da tarde de hoje, no entanto, era negociado a 4,91%.
Além de ser considerado um abrigo em momentos de incerteza com a guerra entre Israel e o Hamas, a disparada dos yields dos Treasurys está ligada, principalmente, à política monetária norte-americana.
Isso porque a expectativa é de que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) mantenha a taxa de juros mais elevada por mais tempo do que o antecipado anteriormente.
“Os yields continuam marchando em alta, mas o motivo segue o mesmo: a resiliência econômica e a consequente porta aberta para uma taxa básica mais elevada como motor”, disse o estrategista sênior do ING, Benjamin Schroeder.
O mercado de Treasurys de US$ 25 trilhões é considerado a base do sistema financeiro global, e a disparada dos yields já tem efeitos abrangentes.
O S&P 500, por exemplo, caiu cerca de 7% em relação às máximas do ano, à medida que a promessa de rendimentos garantidos sobre a dívida do governo dos EUA afasta os investidores das ações.
As taxas hipotecárias, por sua vez, estão nos níveis mais altos dos últimos 20 anos, pesando sobre os preços dos imóveis. Sem falar no encarecimento dos juros do cartão de crédito e do financiamento de veículos, por exemplo.
Vale lembrar que o fato de Japão e China, dois detentores pesados da dívida norte-americana, engrossam esse movimento, inundando o mercado de Treasurys ao vender esses papéis para defender suas moedas e como estratégia econômica.
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