Natura (NTCO3) coloca The Body Shop ‘na prateleira’ e estuda a venda da marca; ação abre em forte alta
Conselho de administração da Natura autoriza diretoria a 'explorar alternativas estratégicas' para a The Body Shop, inclusive a venda

Foi em 2017 que a Natura (NTCO3) pagou 1 bilhão de euros à L’Oreal pela The Body Shop com a ambição de ampliar sua presença na América Latina. Apenas seis anos depois, porém, a multinacional brasileira de cosméticos colocou a marca na prateleira.
O conselho de administração da Natura autorizou a diretoria da companhia a “explorar alternativas estratégicas” para a The Body Shop (TBS). A possibilidade de venda do negócio figura entre as alternativas em estudo — e talvez seja a principal delas.
A informação consta de fato relevante divulgado pela Natura na manhã desta segunda-feira (28).
No documento, a Natura antecipa que não pretende tecer comentários nem fornecer atualizações sobre o assunto. A não ser, é claro, que algum desdobramento mais concreto a obrigue a se pronunciar.
Em reação, NTCO3 abriu em forte alta no Ibovespa.
Natura trocou CEO da The Body Shop em abril
A possibilidade de venda da The Body Shop ganha força apenas alguns meses depois da troca no comando da unidade de negócio.
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Bickley assumiu o posto interinamente com a missão de "refinar o plano de negócios atual e a agenda de transformação da unidade, bem como acelerar a estratégia que busca recuperação de rentabilidade e conversão de caixa, assim como o retorno de uma receita sustentável".
The Body Shop enfrenta dificuldade no pós-pandemia
Em relatório divulgado na semana passada, o banco BTG Pactual chamou a atenção para as dificuldades enfrentadas pela marca The Body Shop com a reabertura econômica no pós-pandemia.
“O comércio eletrônico da TBS apresenta baixo desempenho e precisa ser melhorado”, pontua o BTG. Na avaliação do banco, a The Body Shop deveria priorizar a melhora da rentabilidade antes de avançar com o desenvolvimento da marca.
Para o Itaú BBA, o crescimento da TBS no curto prazo é limitado pelo ambiente macroeconômico e por níveis de estoque abaixo do ideal.
“No entanto, uma gestão rigorosa dos custos proporcionou margens mais elevadas, quando excluídos os custos de reestruturação”, prossegue o banco, que espera uma manutenção dessa tendência.
Segundo o JP Morgan, a TBS pode ser avaliada em aproximadamente R$ 2,5 bilhões. O montante equivale a cerca de 12% do valor de mercado da Natura.
"Uma potencial venda permitiria à Natura concentrar-se em seu negócio principal de venda direta e na integração da Avon", diz o banco norte-americano.
Ainda de acordo com o JP Morgan, a queima de caixa na The Body Shop tem funcionado como uma distração para a gestão da empresa.
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Ação da Natura já caiu quase 75% em relação à máxima histórica
A exploração de “alternativas estratégicas” em relação à The Body Shop ocorre em um momento no qual a Natura luta para recuperar a confiança dos investidores.
Desde julho de 2021, quando atingiu sua máxima histórica no Ibovespa, NTCO3 acumula queda de quase 75%. Na última sexta-feira, a ação fechou a R$ 15,28.
Também em abril, apenas alguns dias antes da troca de comando na The Body Shop, a Natura vendeu a marca de luxo Aesop para a L’Oreal por US$ 2,525 bilhões.
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