Ações da Evergrande caem 20% e atingem nível mais baixo na história
A forte queda acontece após a Justiça de Hong Kong adiar audiência sobre liquidação da companhia
Menos de um mês após voltarem a ser negociadas na bolsa de Hong Kong, as ações da Evergrande acabam de atingir a mínima histórica.
Os papéis da incorporadora chinesa chegaram a ser cotados a 23,6 centavos de dólar de Hong Kong, o que equivale a aproximadamente R$ 0,15 na cotação atual, na última sexta-feira (27) — uma queda de mais de 20% em um único dia.
Em meio à crise — que já perdura por cerca de três anos —, o motivo para a forte queda foi, mais uma vez, o impasse na proposta de reestruturação da companhia.
Segundo a Reuters, a juíza do Supremo Tribunal de Hong Kong, Linda Chan, adiou a audiência que aconteceria nesta segunda-feira (30) para 4 de dezembro.
A decisão tem na pauta a ordem de liquidação da companhia. Para a juíza, a Evergrande deve apresentar uma proposta revisada de reestruturação antes da data da decisão. Caso contrário, a empresa provavelmente será dissolvida.
Em junho do ano passado, a Top Shine, um dos investidores da Evergrande entrou com uma petição de liquidação contra a incorporadora — que foi suspensa com a oficialização do período de recuperação judicial.
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Crise na Evergrande
Os problemas na Evergrande começaram em 2020, quando o governo chinês implementou novas regras para controlar a quantidade de dinheiro que as grandes empresas do setor imobiliário poderiam tomar emprestado.
A Evergrande, que já foi a maior incorporadora da China em vendas, acumulou dívidas de mais de US$ 300 bilhões ao se expandir agressivamente para se tornar uma das maiores empresas do país.
Na época, rumores indicavam que o fundador estaria sendo pressionado pelo governo a usar a fortuna pessoal para o pagamento das dívidas da incorporadora.
A empresa perdeu um prazo crucial em 2021, pois não conseguiu pagar os juros de cerca de US$ 1,2 bilhão em empréstimos denominados em moeda estrangeira.
Em agosto deste ano, a incorporadora apresentou um pedido de proteção contra falência em um tribunal de Nova York.
A Evergrande recorreu ao chamado Capítulo 15 da lei de falências dos EUA. O dispositivo protege os ativos norte-americanos de uma empresa estrangeira enquanto essa companhia trabalha na reestruturação das suas dívidas.
Por fim, o fundador da companhia Hui Ka Yan (ou Xu Jiayin) foi “preso” pela polícia e segue sendo monitorado pelo governo chinês.
Em comunicado, a Evergrande afirmou que o executivo "foi alvo de medidas obrigatórias nos termos da lei por suspeita de crimes ilícitos".
*Com informações de CNBC e Reuters
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