Esquenta dos mercados: Bolsas internacionais avançam pela manhã, mas ‘Super Quarta’ dos Bancos Centrais aumenta cautela; Ibovespa acompanha pacote de combustíveis hoje
Além disso, os investidores ainda aguardam os desdobramentos da guerra na Ucrânia e balanços nos próximos dias

Os investidores amanhecem de olho em uma semana importante para o mundo. A decisão de política monetária do Federal Reserve, o Banco Central americano, acontece nesta quarta-feira (16) e injeta cautela nos mercados até lá.
Mas o dia que marca a metade da semana não é qualquer um: é a chamada “Super Quarta”, quando coincidem as decisões de política monetária nos EUA e aqui no Brasil.
A expectativa local é de que o BC mantenha o programa de elevação nos juros — os dados inflacionários da última sexta-feira (11) corroboram com as previsões de alta da Selic.
Enquanto “Super Quarta” não chega, as bolsas pelo mundo permanecem em terreno positivo, à exceção dos índices asiáticos, que encerraram o pregão majoritariamente em baixa nesta segunda-feira (14).
Na sessão da última sexta, o Ibovespa fechou as negociações em baixa de mais de 2%, enquanto o dólar avançou para os R$ 5,05.
Petróleo em forte queda
Depois de renovar as máximas históricas a US$ 130 por barril, o petróleo dá uma trégua nas altas hoje. O Brent, utilizado como referência internacional, é negociado em baixa de 4,26%, cotado a US$ 107,83 o barril.
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De maneira semelhante, o WTI também opera em queda da ordem de 5,32%, cotado a US$ 103,51 o barril.
Gasolina mais cara nos EUA
A ordem do presidente americano Joe Biden de aumentar a produção para conter o avanço dos preços auxilia na queda de hoje. Vale destacar que a gasolina nos EUA teve uma alta de 22% em duas semanas, com o galão (3,8L) de combustível em US$ 4,43 contra US$ 0,79 há 14 dias.
Ouro e criptomoedas hoje
Com a fuga dos investidores para ativos de menor risco, o ouro ganhou destaque nas últimas semanas. A onça-troy do metal precioso amanheceu em queda de 1,01%, negociada a US$ 1,964.70.
Por sua vez, o ouro digital avançava levemente esta manhã. O bitcoin (BTC) é negociado na casa dos US$ 39.085,91, uma alta de 0,37%, enquanto o ethereum (ETH) vai a US$ 2.592,35, avanço de 0,43%.
Super Quarta: o foco nos Bancos Centrais
Os Bancos Centrais terão um dia de destaque nesta semana. A “Super Quarta” conta com a divulgação de da decisão de política monetária do Federal Reserve, o BC americano, e do Banco Central brasileiro.
Em se tratando dos Estados Unidos, além da pandemia e da alta da inflação, ainda existe a questão da guerra na Ucrânia, que pode fazer com que o presidente do Fed, Jerome Powell, seja mais brando no aperto econômico do que o necessário.
O que esperar do Federal Reserve
É preciso lembrar que a inflação nos EUA vem renovando máximas e já é a maior em 40 anos. Dessa forma, os analistas internacionais esperam que o Fed suba os juros em 0,25 pontos-base de acordo com o consenso do mercado.
O que esperar do Banco Central do Brasil
Já em terras brasileiras o cenário é um pouco diferente. A alta do petróleo e combustíveis, a inflação — que registrou novo recorde em fevereiro deste ano — e a perspectiva de uma eleição turbulenta em outubro formam o terreno perfeito para que a decisão do Copom seja mais pesada do que o esperado.
É verdade que o BC tem exercido sua autonomia, elevando os juros sempre que necessário. Contudo, nunca de maneira a surpreender o mercado.
Mas vale lembrar que sempre existe uma perspectiva de que a Selic suba além do consenso. Para esta reunião, os juros básicos devem sair de 10,75% para 11,75%, uma alta de 1 ponto-base — uma redução em relação às elevações anteriores.
Brigas pelos combustíveis
Na última sexta-feira, o presidente da República Jair Bolsonaro assinou um projeto de lei complementar para tentar conter o avanço dos preços dos combustíveis.
A elevação do óleo diesel deve ser de R$ 0,60 contra R$ 0,90 esperados, graças à medida. O Congresso Nacional ainda deve receber outra proposta para zerar a cobrança de tributos como PIS/Cofins sobre a gasolina.
Somado a isso, a ministra da Secretaria do Governo, Flávia Arruda, também não descartou decretar estado de calamidade no país em caso de descontrole dos preços devido à alta do petróleo.
O que isso significa
A alta nos combustíveis — principalmente no óleo diesel — impacta diretamente no resultado da inflação, que renova as máximas mês a mês. Além dele, o dólar também é importante para controlar a alta dos preços.
Nas últimas sessões, a moeda norte-americana tem se aproximado do patamar de R$ 5,00, e até mesmo furado essa barreira por um breve momento.
No entanto, a alta do petróleo permanece como um desafio para controlar os preços. A Petrobras (PTR4) já está defasada em relação aos preços internacionais, o que exige reajuste para manter a estatal funcionando.
Por outro lado…
A preocupação dos investidores é de que as medidas do governo se voltem para um caráter mais populista e desrespeitem a lei de responsabilidade fiscal.
Tanto Jair Bolsonaro quanto membros do governo e Congresso buscam se eleger para cargos públicos em outubro. Portanto, não é de se descartar a hipótese de que sejam aprovadas propostas voltadas ao agrado da população — e o desagrado das contas públicas.
Agenda semanal
Segunda-feira (14)
- Banco Central: Boletim Focus semanal (8h25)
- Economia: Balança comercial semanal (15h)
- China: Vendas no varejo, produção industrial e investimentos em ativos fixos de janeiro e fevereiro (23h)
Terça-feira (15)
- IBGE: Pesquisa industrial mensal regional de janeiro (9h)
- Estados Unidos: PPI e Núcleo do PPO de fevereiro (10h30)
- Estados Unidos: Atividade industrial Empire State de março (10h30)
- Estados Unidos: Estoques de petróleo e destilados (17h30)
Quarta-feira (16)
- FGV: IGP-10 de março (8h)
- IBGE: Pesquisa mensal de serviços em janeiro (9h)
- Estados Unidos: Vendas no varejo em fevereiro (9h30)
- Banco Central: Fluxo Cambial (14h30)
- Estados Unidos: Decisão de política monetária do Fed (15h)
- Banco Central: Copom anuncia decisão de política monetária (18h30)
Quinta-feira (17)
- Zona do Euro: CPI e Núcleo do CPI de fevereiro (7h)
- Banco Central: IBC-Br de janeiro (9h)
- Reino Unido: Decisão de política monetária do Banco da Inglaterra (9h)
- Estados Unidos: Produção industrial de fevereiro (11h15)
Sexta-feira (18)
- FGV: Segunda prévia do IGP-M (9h)
- IBGE: Pnad Contínua de janeiro (9h)
Balanços da semana
Segunda-feira (14)
- Gol (antes da abertura)
Terça-feira (15)
- CVC (após o fechamento)
- Volkswagen (sem horário)
Quarta-feira (16)
- Braskem (após o fechamento)
- MRV (após o fechamento)
Quinta-feira (17)
- B3 (após o fechamento)
- Cyrella (após o fechamento)
- Enel (após o fechamento)
Sexta-feira (18)
- Eletrobras (após o fechamento)
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