Bolsonaro x PF? Policiais federais reagem à declaração do presidente sobre reajuste: ‘Não ficaremos calados’
Em meio às reivindicações de reajuste aos servidores, Bolsonaro deu declarações que podem colocar a PF em rota de colisão com o governo

O recuo do presidente Jair Bolsonaro (PL) na promessa de reestruturação da Polícia Federal (PF) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF) aprofundou a briga com sindicatos e associações de classe.
Diante da sinalização de que o governo vai manter um reajuste único para todo o funcionalismo, sem condições especiais para as polícias da União, entidades que representam delegados, peritos, policiais e servidores da PF divulgaram uma nota conjunta nesta sexta-feira, 29, prometendo reagir.
"Os policiais federais não receberão esse duro golpe calados", diz o texto. Mais cedo, em entrevista à Rádio Metrópole, de Cuiabá (MT), Bolsonaro confirmou que o governo deve manter o aumento de 5% para todos os servidores federais. A declaração vem uma dia após manifestações de policiais federais em diferentes Estados.
A PF esperava recomposição mais ampla e tratamento diferenciado para a categoria, como já havia indicado o presidente. O anúncio de um pacote de aumento unificado desencadeou protestos que se estendem há pelo menos duas semanas.
Bolsonaro já havia sinalizado que poderia abandonar a promessa de um reajuste mais robusto para a PF se outras categorias que também reivindicam aumento não abrissem mão do pleito. Até então, o presidente vinha repetindo que os R$ 2 bilhões reservados no Orçamento para o aumento dos servidores iriam para policiais federais, policiais rodoviários federais e agentes penitenciários.
Representantes de classe se reuniram com o ministro da Justiça, Anderson Torres, para tentar costurar um acordo e ainda tinham esperança de que o governo apresentasse uma alternativa. O delegado federal Luciano Leiro, presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), disse que o recuo do presidente é um 'desrespeito'.
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"Caso isso aconteça, o legado do presidente da República deste governo será de completa desvalorização dos policiais federais. Nós não ficaremos calados", afirma.
Os policiais federais estiveram entre as principais bases de apoio para vitória do presidente em 2018. Sem o reajuste prometido, Bolsonaro provoca a insatisfação da categoria a seis meses da eleição.
A delegada federal Tania Prado, presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia Federal do Estado de São Paulo (SINDPF-SP), diz que o 'nível de indignação dos policiais está elevado'.
"Nunca ocorreu tamanho descaso na esfera federal como agora", critica. "O governo se tornou o principal agente de enfraquecimento das polícias. O presidente, com base em falácias, não apoia o projeto de reestruturação das polícias da União, mesmo como orçamento de R$ 1,7 bilhões aprovado e reservado para tanto. Não há óbices legais, mas simplesmente falta de vontade política do presidente."
O presidente da Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF), Marcos Camargo, também reagiu ao recuo do presidente e disse que a conduta de Bolsonaro é 'grave e inadmissível'.
"É de se estranhar um recurso do governo, que publicamente prometeu uma reestruturação, em função justamente da importância, da complexidade e da responsabilidade da atividade dos policiais. O que nós pertencemos com esse recuo é um total descaso e uma total falta de compromisso com a valorização e o reconhecimento da importância da atividade dos policiais", diz.
Servidores do BC retomam greve
Os servidores do Banco Central (BC) devem retomar a greve na próxima terça-feira (3), e por tempo indeterminado. A decisão foi aprovada, por ampla maioria, na reunião geral do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central (Sinal), nesta sexta-feira (29).
“As principais razões [para a retomada da greve] foram o descumprimento por parte do presidente do BC em conseguir, em abril, uma reunião entre o sindicato e o Ministro [da Casa Civil] Ciro Nogueira, a não apresentação de uma proposta alternativa aos 5% e a não apresentação de uma proposta sobre a parte não-salarial de nossas demandas”, disse Fábio Faiad, presidente do sindicato, ao Seu Dinheiro.
A greve dos servidores do BC começou em 1º de abril e estava suspensa desde o último dia 20, na tentativa de negociação entre a diretoria da autarquia e o governo. Eles reivindicam um reajuste salarial de 27% e a reestruturação da carreira.
O governo, por sua vez, propôs aumento de 5% nos salários dos servidores, o que foi considerado “insuficiente”.
*Com Estadão Conteúdo
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