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PELÉ DE 2022

Bolsonaro vai acabar com a guerra? Presidente diz que tem saída para conflito entre Rússia e Ucrânia

Bolsonaro, que tenta emplacar uma agenda externa há menos de três meses das eleições, tem uma ligação marcada para o próximo dia 18 com o presidente ucraniano

O presidente Jair Bolsonaro
O presidente Jair Bolsonaro -

Em 1969, Pelé conseguiu parar uma guerra. Mais de 50 anos depois, o conflito não é na Nigéria e nem estamos falando do camisa 10. Em 2022, o cenário é a Ucrânia e a figura em questão é o presidente Jair Bolsonaro, que diz ter a fórmula para acabar com o conflito no leste europeu

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Dessa vez, no entanto, o cessar-fogo não virá de uma partida do Santos, que fez a Nigéria parar para assistir o rei do futebol.

A solução de Bolsonaro passa muito longe dos campos, mas também tem inspiração em um conflito internacional. 

Como Bolsonaro quer parar a guerra?

Há 53 anos, o Santos fazia excursão pela África e recebeu convite para jogar na Nigéria. Só que para chegar até o estádio Beni City em segurança, era preciso um cessar-fogo. E foi justamente isso que ocorreu. O conflito foi interrompido para que as pessoas pudessem ver o rei Pelé.

No caso de Ucrânia e Rússia, Bolsonaro quer usar como modelo o conflito entre Reino Unido e Argentina  para o fim da guerra. 

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A sugestão deve surgir em uma conversa que o presidente brasileiro tem programada com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, agendada para o próximo dia 18. 

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“Vou dar minha opinião a ele sobre o que eu acho. Eu sei como seria a solução do caso. Mas não vou adiantar. A solução do caso… Como acabou a guerra da Argentina com o Reino Unido em 1982? É por aí”, disse Bolsonaro nesta quinta-feira (14). 

A guerra entre Reino Unido e Argentina

O ano era 1982 e em jogo estava as Ilhas Malvinas, palco da disputa entre o Reino Unido e a Argentina. 

O conflito é um dos mais curtos do século 20, durando de abril a junho daquele ano. E o motivo para isso era a falta de armamentos potentes do lado argentino e o maior preparo tático dos britânicos.

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O resultado: a Argentina se rendeu sem oferecer muita resistência e em 14 de junho de 1982, o Reino Unido restabeleceu a hegemonia sobre as Ilhas Falkland — nome oficialmente dado pelos britânicos à região.

Não ficou claro, porém, se o presidente brasileiro vai sugerir como solução para o fim da guerra a rendição da Ucrânia, que conta com poder bélico bem menor que a Rússia apesar do apoio dos países do Ocidente.

Veja também: Riscos para a economia no segundo semestre

E Putin sabe disso, Bolsonaro?

Em fevereiro deste ano, Bolsonaro fez uma viagem polêmica à Rússia, onde se reuniu com Vladimir Putin e pediu que o envio de fertilizantes ao Brasil não fosse interrompido.

No mês passado, em encontro com o presidente norte-americano, Joe Biden, Bolsonaro lamentou o conflito na Ucrânia, mas ressaltou que tem um país para administrar.

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“Foi ele [Zelensky] que buscou conversa conosco. E eu disse de imediato que conversaria com ele, sim. Ele tem um país grande para administrar. Tudo que foi acordado com o presidente Putin está sendo cumprido. Da minha parte e da parte dele”, disse Bolsonaro. 

“Vou conversar bastante com ele [Zelensky]. É uma liderança e vou dar minha opinião para ele. Essa guerra tem causado transtorno não só para o Brasil. Brasil menos. É muito mais para a Europa”, acrescentou. 

Pelé já tentou parar a guerra na Ucrânia

Antes de Bolsonaro, Pelé tentou parar a guerra na Ucrânia — só que dessa vez sem as chuteiras nos pés. 

O rei do futebol enviou uma carta no mês passado a Putin, pedindo que o líder russo "pare com a invasão" e guerra na Ucrânia. 

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A carta foi publicada nas redes sociais, antes da partida em Glasgow em que os ucranianos acabaram eliminando a Escócia (2-1) na repescagem rumo à Copa do Catar-2022.

"Eu quero utilizar a partida de hoje como uma oportunidade de fazer um pedido: pare com essa invasão. Não existem argumentos que justifiquem a violência", diz trecho da carta endereçada a Putin.

Bolsonaro tenta emplacar uma agenda externa

Bolsonaro vem tentando emplacar uma agenda externa alinhada a líderes conservadores  há menos de três meses do primeiro turno das eleições. 

Além de falar com Zelensky, nesta semana, ele recebeu no Planalto a presidente da Hungria, Katalin Novák

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A chefe de Estado húngara é aliada do primeiro-ministro Viktor Orbán, símbolo da extrema-direita mundial.

Embora esteja tentando recolocar o Brasil no mapa, parece que a América do Sul está fora dos planos do presidente brasileiro — pelo menos por enquanto. 

Bolsonaro disse hoje que não irá ao Paraguai para a cúpula de líderes do Mercosul. 

"Falei que não vou mais. Na política você pode voltar atrás em algumas coisas. Minha decisão no momento é não ir ao Mercosul", afirmou. 

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A cúpula semestral do Mercosul acontece no próximo dia 20, em Assunção, e será liderada pelo presidente paraguaio, Mario Abdo Benítez, aliado de Bolsonaro.

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