Investindo lá fora: Itaú (ITUB4) compra 35% da Avenue e abre as portas para o exterior
Num primeiro momento, o Itaú (ITUB4) pagará R$ 493 milhões pela fatia em questão e realizará um aporte de R$ 160 milhões na Avenue

Em tempos difíceis para o mercado — juros altos e uma possível recessão econômica não são lá notícias muito animadoras —, as fusões e aquisições têm ganhado cada vez mais força. E, desta vez, o movimento de consolidação atinge o setor financeiro: o Itaú (ITUB4) comprou 35% da Avenue, corretora focada em investimentos no exterior.
A transação, revelada mais cedo, avalia a Avenue em cerca de R$ 1,4 bilhão. Num primeiro momento, o Itaú pagará R$ 493 milhões pela fatia em questão e realizará um aporte de R$ 160 milhões na corretora; passados dois anos do fechamento, o banco brasileiro comprará outros 15,1% da empresa, atingindo o controle das operações.
Por fim, cinco anos após a conclusão da primeira etapa, o Itaú poderá comprar a porção restante do capital da Avenue, chegando aos 100% do capital social.
Mas... o que exatamente faz essa corretora — e por que o Itaú tem tanto interesse em integrá-la ao seu ecossistema?
O modelo de negócios da Avenue é ligeiramente diferente das grandes corretoras nacionais: ela, na verdade, é constituída nos EUA e, sendo assim, permite que os investidores brasileiros tenham acesso direto ao mercado internacional, sem as burocracias envolvidas na abertura de conta numa corretora estrangeira.
Digamos que você queira investir na Apple. A maioria das corretoras viabiliza essa operação através dos recibos de ações (BDRs) da companhia, sob o código AAPL34 — é um ativo negociado na B3. A Avenue, por estar constituída nos EUA, permite que você compre diretamente os papéis AAPL que estão em circulação na Nasdaq.
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Itaú (ITUB4) + Avenue: os interesses
A Avenue, hoje, tem cerca de 230 mil clientes ativos e 492 mil contas habilitadas, contando com R$ 6,4 bilhões sob custódia — números bastante sólidos para uma empresa que, até agora, andou com as próprias pernas. No entanto, com o apoio do Itaú (ITUB4), essas bases devem crescer num ritmo muito mais intenso.
A ideia do banco é integrar os serviços da Avenue ao seu ecossistema de investimentos, colocando os serviços internacionais da nova parceira à disposição dos clientes da plataforma Íon. Abre-se, portanto, toda uma nova guia de produtos: contas internacionais e novas frentes de investimento, mas sem que esse leque seja desenvolvido do zero.
Vale lembrar que os grandes players do setor financeiro do país já têm ensaiado seus passos no exterior, de modo a viabilizar os serviços de investimento lá fora para os seus clientes. O Bradesco, por exemplo, já possui uma estrutura para essas operações, aproveitando-se da compra do BAC Florida Bank em 2019.
Inter e BTG também estão viabilizando as suas próprias iniciativas, abrindo uma nova fronteira na briga pelos investidores pessoa física — e, naturalmente, por novos clientes para os seus mais diversos produtos e serviços.
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