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2019-05-06T11:04:17-03:00
Vinícius Pinheiro
Vinícius Pinheiro
Formado em jornalismo, com MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela FIA. Trabalhou por 18 anos nas principais redações do país, como Agência Estado/Broadcast, Gazeta Mercantil e Valor Econômico. É coautor do ensaio “Plínio Marcos, a crônica dos que não têm voz" (Boitempo) e escreveu os romances “O Roteirista” (Rocco), “Abandonado” (Geração) e "Os Jogadores" (Planeta).
Bancos

Bradesco vai às compras nos EUA e leva banco na Flórida por US$ 500 milhões

Com atuação há 45 anos no mercado americano, o BAC Florida cai como uma luva nos planos do Bradesco de ampliar serviços a clientes de alta renda e milionários

6 de maio de 2019
9:11 - atualizado às 11:04
Bradesco Acelerando
Imagem: Montagem Andrei Morais / Estadão Conteúdo / Shutterstock

O Bradesco foi às compras novamente, desta vez na Flórida. O segundo maior banco privado brasileiro anunciou hoje pela manhã a compra do BAC Florida Bank, em um negócio de US$ 500 milhões (R$ 1,975 bilhão, nas cotações atuais).

Com foco no atendimento pessoas físicas de fora dos Estados Unidos e cerca de 10 mil clientes, o BAC Florida tem sede em Coral Gables e atua há 45 anos no mercado americano.

O negócio cai como uma luva nos planos do Bradesco, que pretende justamente ampliar os serviços para seus clientes de alta renda (Prime) e os milionários do segmento private. O banco é hoje o segundo maior gestor de fortunas do país, com R$ 200 bilhões sob gestão e aproximadamente 13 mil clientes.

"Nós tínhamos a carência de uma plataforma para atender clientes de alta renda nos EUA, e o BAC tem uma atuação muito complementar à do Bradesco", afirmou o presidente do banco, Octavio de Lazari, em uma teleconferência com a imprensa nesta manhã.

Como os brasileiros representam 20% dos correntistas do BAC, o negócio também amplia a atuação do Bradesco entre investidores da América Latina.

Como o BAC não estava à venda, a iniciativa da negociação partiu do próprio Bradesco, que procurou no ano passado os controladores do banco, que pertence a um grupo da Nicarágua.

"Tivemos sorte até no nome", disse Lazari. O banco vai manter a sigla BAC, mas agora ela como acrônimo de Bradesco America Company.

A ideia do Bradesco é oferecer aos clientes endinheirados a possibilidade de ter uma conta nos EUA com todos os produtos, incluindo crédito imobiliário e investimentos, com a possibilidade de movimentação por meio de um aplicativo. Lazari reforçou que não faz parte da estratégia do banco atuar no varejo fora do Brasil.

O negócio está sujeito à aprovação de praxe dos órgãos reguladores brasileiros e americanos. A expectativa do Bradesco é que o aval para a compra saia em até oito meses.

Aos números

Ao contrário do Brasil, o sistema financeiro americano é altamente fragmentado. O BAC é apenas o quinto maior banco da região sul da Flórida, com US$ 2,23 bilhões em ativos (R$ 8,81 bilhões) e US$ 1,84 bilhão em depósitos (R$ 7,27 bilhões). No ano passado, o banco teve lucro de US$ 29,4 milhões (R$ 116,8 milhões).

A aquisição não foi uma pechincha, mas também não saiu tão cara. O banco pagou o equivalente a 2,55 vezes o patrimônio líquido do BAC, considerando o dado do fim do ano passado (US$ 205,9 milhões) menos o resgate de ações preferenciais. Trata-se de um múltiplo um pouco inferior ao do próprio Bradesco, cuja ação (BBDC4) é negociada a 2,3 vezes o patrimônio na bolsa.

A nova tacada do Bradesco acontece sete meses depois da compra da RCB Investimentos, que atua na gestão e cobrança dos chamados "créditos podres", em atraso há pelo menos um ano. Foi a segunda aquisição sob o comando de Lazari, que assumiu a presidência do banco no começo de 2018.

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